30 de jan de 2012

Mentiras no Divã, de Irvin D. Yalom

O mundo das terapias sempre despertou um certo interesse em minha pessoa. Apesar de nunca ter efetivamente experimentado nenhum tipo de análise, tenho amigos que embarcaram no processo com diferentes níveis de resultado, do satisfatório à sensação de perda de tempo. Sobre o assunto, já havia, tempos atrás, me interessado por uma série de televisão bastante interessante chamada In Treatment, que acompanhava, basicamente, a sessões de análise de cinco pessoas, cada uma delas num episódio de 25 minutos. Assim, foi com interesse que fui fisgado pela narrativa de Mentiras no Divã, de Irvin D. Yalom, autor dos clássicos e aclamados Quando Nietzche Chorou e A Cura de Schopenhauer.
Levando seus leitores a uma verdadeira imersão, Irvin D. Yalom trata de um assunto bastante espinhoso no mundo da análise: as inverdades proferidas durante sessões de terapia, sejam elas dos pacientes ou até mesmo pelos próprios analistas, que convivem sobre uma tênue linha ética. EmMentiras no Divã, acompanhamos algumas histórias paralelas, todas tendo a terapia como pano de fundo, sendo Ernest Lash, sem dúvida, o fio condutor da trama. Terapeuta interessado no bem estar de seus pacientes, Ernest desenvolve uma experiência com Carolyn, uma nova paciente: a honestidade brutal, de ambos os lados da sessão, ou seja, Ernest deixa de lado a posição de apenas analista para oferecer a Carolyn, respostas sobre sua própria vida pessoal quando perguntado por sua nova paciente e “cobaia”. Afinal, que paciente não fica curioso sobre a vida pessoal de seu terapeuta?
Claro que essa é uma definição rasa da verdadeira história de Mentiras no Divã, que acaba, quase sempre, levando o leitor a analisar questões como dor, perda, luto e morte, de uma forma interessante e fugindo do didatismo tatibitati para o qual a trama poderia descambar.
Mais do que um livro sobre terapias, Mentiras no Divã possui uma linha narrativa envolvente, que mistura jogos de poder, traição, vínculos interpessoais, sendo ao mesmo tempo viciante e bem-humorado. Creio que seja impossível terminar a leitura do livro sem se interessar ou pelo menos ter aguçada sua curiosidade para ler as demais obras de Irvin D. Yalom.
Mentiras no Divã acaba sendo uma forma inteligente e divertida de espiar a terapia alheia. E de se viciar nisso.
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