30 de jan de 2012

A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar

Almodóvar é o rei do bizarro. Fato! A sensação que tive, assim que os créditos de A Pele Que Habito começaram a aparecer na tela foi a de que somente alguém muito maluco poderia conceber um filme como aquele. E, apesar de ser “vendido” como “o terror de Almodóvar”, durante esses mesmos créditos finais o que se ouvia no cinema eram risos e gargalhadas. Não sei se de nervoso ou tensão, mas A Pele Que Habito acaba sendo, involuntariamente ou não, engraçado. E isso não tira, de forma alguma, os méritos do mais recente filme do diretor espanhol que parece aqui estar no seu auge criativo. Como eu disse, Almodóvar é o rei do bizarro. E isso não significa que ele não seja genial.

Trabalhando novamente com Antonio Banderas depois de 20 anos, ator que revelou ao mundo, Almodóvar extrai do astro espanhol tudo aquilo que ele sempre prometeu e nunca chegou a entregar em Hollywood. Como Berto Ledgard, o cirurgião plástico de A Pele Que Habito, Banderas está totalmente à vontade e entrega um desempenho excepcional numa trama rocambolesca e intrigante. Baseado no romance Tarantula, do escritor francês Thierry Jonquet, A Pele Que Habito é o tipo de filme que não poderia ter sido dirigido por outra pessoa que não Almodóvar.
A história acompanha a vida de Berto Ledgard (Banderas), que após a morte de sua mulher se dedicou à criação de uma pele artificial resistente, mais grossa que a humana, que poderia ser utilizada para ajudar pessoas que sofreram queimaduras ou simplesmente para fins estéticos. Ao mesmo tempo, conhecemos Vera (Elena Anaya), uma mulher aparentemente aprisionada na casa de Berto, de quem não temos nenhuma informação. E, acredite, para ser surpreendido pelo filme, quanto menos se souber é melhor.


Brincando com flashbacks, a história vai e volta no tempo e você ficará surpreso quando todas aquelas informações que, a princípio, parecem jogadas na tela, começarem a fazer sentido, como um quebra-cabeças que se monta. E quando enfim o mistério parece esclarecido, o final surpreendente se aproxima para que, ao fim da projeção, você continue sentado em sua cadeira, observando os créditos, pensando em como alguém consegue orquestrar uma trama tão insana de forma tão brilhante.


Além de Banderas, brilham em cena as atrizes Elena Anaya e Marisa Paredes. Se Elena pode ser um rosto novo para muitos ao dar vida à intrigante Vera, Marisa Paredes é figura conhecida dos filmes de Almodóvar, já tendo atuado em obras como Fale Com Ela e Tudo Sobre Minha Mãe. O elenco, como um todo, está muito bem.


Não se deixe, entretanto, enganar por uma sinopse rasa ou pela ideia de que se trata de mais um filme de terror. Almodóvar nunca é óbvio e apesar da história poder assustar alguns, ela está mais para o noir do que para qualquer outra coisa. O que acaba não importando muito, já que A Pele Que Habito é, para mim, um dos melhores filmes de Almodóvar. Os exageros do diretor estão ali, o surreal também, mas a trama é tão intricada e bem conduzida que não dá para reclamar de nada, só viajar na história.


Mas, uma coisa é certa: Almodóvar não é lá muito normal. E somos nós quem lucramos com tanta loucura e genialidade.
-->

0 comentários:

Share