6 de fev de 2012

Grey's Anatomy - 08x13 - If/Then


Grey's Anatomy sempre foi, desde seu início, uma série sobre os dramas de seus personagens principais. Muito antes de Lost terminar e se tornar uma série sobre pessoas, Grey's já era assim. Em Grey's, os dramas médicos apresentados semanalmente sempre foram uma metáfora para falar daqueles médicos que, antes de mais nada, sempre foram pessoas, gente como a gente, com seus dramas e problemas. 

Claro que, como toda série de longa duração (e algumas de pouca também), Grey's enfrentou altos e baixos em sua trama. Mas Shonda Rhimes, a criadora da história, vem mostrando nesse oitavo ano porque a série conta com tantos fãs, que não desistem de acompanhar a vida e os dramas dos médicos do Seattle Grace Hospital.

E quando a série mantinha uma regularidade exemplar de episódios, Shonda nos presenteia com If/Then, um filler com cara de especial e que mesmo sem acrescentar nada de efetivamente relevante à trama que vinha sendo desenvolvida, conseguiu empolgar e arrancar sorrisos de todos aqueles que aprenderam a amar e a se divertir com aqueles personagens.

Quem nunca parou para pensar em como seria a sua vida se alguma coisa em determinado momento tivesse sido diferente? Se um beijo tivesse sido dado, se alguém não tivesse morrido, se tivéssemos chegado 5 minutos antes e não perdido aquele trem? A nossa vida é feita de diversos "e se...", e conjecturar sobre como as coisas teriam sido não leva ninguém a lugar nenhum. Pelo menos na vida real, já que na ficção, como Shonda Rhimes bem demonstrou, isso pode render excelentes momentos.

Na realidade alternativa apresentada na série, Ellis Grey não morreu, é a chefe do hospital e está casada com Richard. Meredith é uma pessoa colorida (estranho demais isso) que veste rosa e é noiva de Karev, um verdadeiro e positivista CDF. Charles, que morreu no tiroteio, ainda está vivinho da Silva e Kepner finge que é virgem, quando na verdade tem um caso secreto com Karev. Yang continua sendo Yang, mas não tem nenhum amigo, nem mesmo Meredith. Bailey nem de longe lembra a nazi que aprendemos a amar e sempre se retrai na frente de Ellis Grey. Derek e Addison nunca se separaram, mas mantém um casamento estranho, enquanto a Dra Montgomery espera um filho de Mark Sloan, que só aparece no final. Callie é casada com Hunt e eles tem três filhos, enquanto Arizona passeia pelo hospital desfilando seu charme. Um mundo muito, muito estranho e, exatamente por isso, adorável.


Acompanhando um dia na vida desses conhecidos personagens numa realidade tão diferente, fomos surpreendidos a cada momento em que um fato novo nos foi apresentado. E como não rir de Shonda Rhimes jogando na tela todo seu rancor por conhecidos personagens que foram defenestrados da trama de uma hora para outra? Izzie virou sinônimo de louca; O'Malley, depois de reprovado no estágio, sumiu para sempre; e Burk desapareceu depois de se envolver com Yang. É, algumas coisas nem foram tão diferentes assim.

O engraçado, pelo menos para mim, foi ver que apesar de caminhos diferentes do que vimos os personagens tomar no decorrer da série, nessa realidade alternativa eles continuam os mesmos em sua essência. Assim, foi divertido assistir o encantamento de Callie por Arizona; a aproximação de Yang de Hunt; e, no final do episódio, de Meredith com Derek; além de várias outras sutilezas a que fomos submetidos durante o tempo do episódio.

Eu, que nunca fui muito fã de séries médicas, há muito me rendi à capacidade de Shonda Rhimes de nos surpreender com seu roteiro. Me digam: quantas séries conseguem apresentar um filler tão saboroso quanto If/Then, que ao invés de irritar, acaba deixando os fãs agradecidos?

Não é para qualquer uma. E, sinceramente, acho que muita série que se vende como genial, deveria aprender um pouco com Grey's Anatomy. Algumas vezes, os veteranos sabem o que fazem. Grey's faz parte desse time.
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