23 de mar de 2012

Protegendo o Inimigo, de Daniel Espinosa

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Filmes de ação são, geralmente, diversão do tipo escapista. Você entra na sala de projeção esperando ver perseguições desenfreadas, tiros e, durante alguns minutos, desliga seu cérebro para apreciar uma história que, muitas vezes, não precisa fazer muito sentido. Algumas vezes, é claro, podemos ser surpreendidos com uma trama que misture os elementos do cinema de ação com um bom roteiro e que acabe se tornando algo um pouco mais complexo, o que é raro. Protegendo o Inimigo (Safe House) não faz parte desse segundo grupo, mas cumpre seu papel, ao divertir sem exigir muito do cérebro do espectador.

O filme, do diretor Daniel Espinosa, acompanha a rotina do oficial da CIA Matt Weston (Ryan Reynolds, beeeeeem melhor do que em Lanterna Verde), que tem um cargo de zelador de uma espécie de "base" da agência americana (a tal da Safe House do título em inglês) na Cidade do Cabo, África do Sul. Em meio ao tédio de sua função, Matt tenta uma remoção para Paris, já que sua namorada está de mudança para a capital francesa.

É quando  Tobin Frost (Denzel Washington, excelente), um agente da CIA acusado de traição, cruza seu caminho e o coloca numa verdadeira corrida para se manter vivo. Frost é um homem inteligente e persuasivo que, por possuir informações sigilosas, é perseguido pela CIA e por um grupo que não sabemos exatamente o que deseja do homem. Com a vida em risco, Frost acaba entrando na embaixada americana da Cidade do Cabo e, com sua cabeça à prêmio, se vê ao lado do zelador Matt, com ambos lutando para se manterem vivos.
Contando com uma trama que mistura espionagem, ação, tiros e muitas explosões, Protegendo o Inimigo entrega um produto que agrada aos fãs do gênero e que diverte bastante. O diretor Daniel Espinosa é eficaz nas cenas de perseguição de carro, mantém a tensão e, apesar do final previsível, não decepciona quando analisamos o filme em retrospecto. Além disso, usar a Cidade do Cabo como cenário é uma decisão bem interessante do roteiro, já que apresenta ao telespectador uma paisagem não tão explorada pelo cinemão americano.

Além disso, Ryan Reynalds e Denzel Washington apresentam bons desempenhos, convencendo em seus respectivos papéis. E é interessante notar como surge uma cumplicidade entre os personagens dos dois atores durante o filme, mesmo que eles comecem a projeção como inimigos. E se Tobin Frost é um traidor, antes disso ele é um mito para qualquer agente da CIA, o que não passa despercebido a Matt e ao espectador, que torce pelo personagem, apesar de vê-lo apresentado como "vilão" da história.

Protegendo o Inimigo certamente não mudará a sua vida e, certamente, há de ser esquecido horas depois de visto. Mas é uma diversão honesta e que vale o preço do ingresso (promocional), proporcionando uma diversão descontraída e com o botão do cérebro em OFF. Mas isso nunca fez mal a ninguém, afinal, quem disse que o cinema tem de apresentar apenas filmes cabeças e chatos o tempo todo? -->

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