6 de abr de 2012

Em Chamas, de Suzanne Collins

-->

Se em Jogos Vorazes Suzanne Collins apresentou seu mundo distópico bastante calcado na realidade, no segundo livro de sua trilogia, Em Chamas, a autora desenvolve ainda mais sua ideia, reafirmando seu talento enquanto apresenta sua trama envolvente que, a exemplo do primeiro volume, vicia desde sua primeira página, pegando o leitor com sua escrita e nos transportando para o universo de Panem, seus 13 Distritos e, por que não, mais uma vez para dentro da arena dos Jogos Vorazes.

Depois de vencerem a 74ª edição dos Jogos, Katniss e Peeta transformaram-se em verdadeiras celebridades em todo o país. A história dos "amantes desafortunados do Distrito 12" ganhou a audiência da Capital que os veneram e acompanham suas vidas em mínimos detalhes. Entretanto, para os demais Distritos de Panem, a vitória dos dois jovens, subvertendo as "regras" impostas pelos realizadores dos Jogos, foi como uma lufada de esperança que acendou fagulhas por todo o país que, apesar do controle de ferro do presidente Snow, pode acabar se transformando numa revolução.

No meio de tudo isso, Katniss mais uma vez se encontra como a narradora da história, perdida em seus próprios sentimentos por Peeta e Gale, enquanto se dá conta de que a Capital não aceitará tão facilmente o seu gesto de rebeldia ao estender as amoras venenosas no final da última edição dos Jogos Vorazes. Para manter-se à salvo, a protagonista aceita as imposições do presidente Snow, mas a cada aparição pública torna-se mais amada por todos e um verdadeiro símbolo da futura revolução. Katniss e seu símbolo maior, o tordo, são uma prova de que é possível driblar o sistema.

Com a aproximação da 75ª edição dos Jogos, uma comemoração é anunciada: o Massacre Quaternário, que a cada 25 anos apresenta uma edição diferente dos Jogos Vorazes. Assim, é com pavor que Katniss e Peeta se dão conta de que ao vencer os Jogos no ano anterior de forma tão improvável, estavam praticamente assinando sua sentença de morte: um ano depois se vêem obrigados à voltar à arena para lutarem novamente nos Jogos, quando os tributos são escolhidos entre o rol de vencedores vivos das edições anteriores.

Apesar de um começo mais lento que o volume anterior, Em Chamas consegue ser tão bom quanto a obra original. Focando um pouco mais em personagens citados superficialmente no primeiro livro, vamos acompanhando, aos poucos e junto com Katniss, como seus atos se refletem nas pessoas que ama e nas que a usam como referencial. Entretanto, quando finalmente são divulgadas as "regras" do Massacre Quaternário, o ritmo é vertiginoso e, a cada página, a emoção só aumenta. 

Ao mesmo tempo, o estilo de Suzanne Collins continua envolvente, nos prendendo nas páginas do livro, enquanto acompanhamos a visão de Katniss daquela história. E se o desenvolvimento da trama não deixa nada a desejar ao livro anterior, o que dizer dos cliffhangers empregados ao final de cada capítulo, que tornam praticamente impossível interromper a leitura sem morrer de curiosidade para saber o que vem pela frente? E o final absurdo, que encerra o livro no auge de uma super revelação?

Se alguém tinha alguma dúvida de que Suzanne Collins sabia o que estava fazendo ao escrever Jogos Vorazes, ela é extinta ao acompanharmos o segundo volume de sua trilogia. E, é claro, ao constatar, ao fecharmos as páginas de Em Chamas, que a leitura de A Esperança, volume final da saga, é mais do que necessária e aguardada.
-->

2 comentários:

Unknown disse...

Meu livro preferido da série. Em Chamas consegue trabalhar muito bem o lado político da história sem deixar as coisas chatas. Por mais que o ritmo nos primeiros capítulos sejam lentos, vc ainda consegue ficar preso tentando interpretar as mensagens subliminares da capital, entendendo a nova dinâmica nos distritos e angustiado com aquele momento do chicoteamento. O Massacre Quaternário foi uma saída eficiente para devolver os amantes desafortunados a arena, como também para dar forma ao plano traçado pelos tributos "impotentes". Uma pena que A Esperança não conseguiu ser tão bom como os dois volumes inicias, mas pelo menos foi fiel a proposta da série.

Samuell Aquino disse...

Quando o universo não me deixa comentar, ele tira minha identidade. Nam...

Share