9 de abr de 2012

A Esperança, de Suzanne Collins

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Toda história precisa chegar ao seu final. E se A Esperança não é o melhor livro da trilogia Jogos Vorazes, cumpre bem seu objetivo ao nos levar ao final da saga. Suzanne Collins mais uma vez carimba nossos passaportes para Panem e nos faz acompanhar com interesse os jogos de poder e política que, até então, eram apenas pano de fundo para a história. Dessa vez, os verdadeiros jogos vorazes acontecem nas ruas da Capital e tendo os personagens que aprendemos a amar, mais uma vez como protagonistas.

Depois do Massacre Quaternário e do final apoteótico de Em Chamas, somos levados para dentro do Distrito 13 com Katniss e os vitoriosos sobreviventes à 75ª edição dos Jogos Vorazes. Descobrimos, juntamente com Katniss, que o 13 sempre existiu e que enquanto toda Panem sofria nas mãs da Capital, ele esperava uma oportunidade para ancorar a rebelião. Com o surgimento de Katniss e Peeta desafiando Snow e o sistema ao manterem-se vivos nos jogos, mesmo sem terem consciência disso, chegou a hora de um novo capítulo nessa trama.

Ao ser retirada com vida da arena-relógio do Massacre, Katniss transforma-se no Tordo, principal símbolo da luta contra a Capital. Ao mesmo tempo, com Peeta preso por Snow, encontra-se num dilema, sem saber se deve ou não fazer o que se espera dela nessa rebelião, ao passo que também tenta entender o que se passa em seu coração dividido entre Peeta e Gale.

O interessante desse último volume é que nunca fica realmente claro para onde Suzanne Collins vai nos levar. Porque se aprendemos a odiar Snow e a personificá-lo como tudo de ruim que a Capital pode oferecer, a presidente do Distrito 13, Coin, não parece muito confiável em seus objetivos, prestes a usar Katniss e os rebeldes e a descartá-los quando lhe for mais interessante.

Levando para seu mundo distópico as discussões que regem a história da humanidade, Suzanne Collins fala sobre guerra e paz, uso de inocentes para que determinados objetivos possam ser alcançados e, até mesmo, sobre a ética que nos move e que, teoricamente, deveria nos diferenciar como seres humanos.

Se em Jogos Vorazes o ritmo era alucinante, ao nos apresentar todo um mundo novo e aos jogos em si; e Em Chamas fomos aprofundados em questões políticas, sem que a adrenalina dos jogos fossem deixados de lado; A Esperança vem para aparar as arestas e fechar a trilogia com chave de ouro. Dessa forma, a autora continua com seu estilo envolvente de escrita, utilizando seus cliffhangers ao final de cada capítulo, nos prendendo de forma imediata. Entretanto, não é bom que nos apeguemos aos personagens, já que a autora não tem pena de tirar suas vidas em situações de tensão extrema, mesmo que já estejam na história desde o livro inicial. Uma morte, por sinal, é quase tão dolorosa quanto a de Rue, no primeiro livro.

Cumprindo seu objetivo, A Esperança encerra a trilogia Jogos Vorazes de forma satisfatória. E se todo fã aprecia o fato de chegar ao final de uma trama que lhe seja cara, é inegável que a certeza de que aqueles personagens não estarão mais conosco ao virarmos a última página é tão dolorosa como um adeus final. 

Ainda bem que, pelo menos para mim, a certeza de poder acompanhar as duas outras partes da história no cinema seja um alento. Eu posso conhecer os rumos e já ter terminado a leitura da trilogia Jogos Vorazes, mas ainda é muito cedo para me despedir de Katniss Everdeen.
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