26 de abr de 2012

A Perseguição, de Joe Carnahan


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Imagine-se sobrevivendo a uma queda de avião e dando-se conta de que é um exemplar vivo de que milagres podem acontecer. Ao mesmo tempo, a situação pode ser desesperadora, principalmente se o acidente acontece no meio do nada, durante uma tempestade de neve e num inverno rigoroso. Some-se a isso uma alcateia de lobos, raivosos por terem seu espaço invadido e dispostos a tornarem-se verdadeiros caçadores do seu pobre grupo de sobreviventes. É esse o interessante argumento de A Perseguição (The Grey, no original), que por culpa do roteiro e de decisões bobas do diretor, tornou-se um filme que não cumpre tudo aquilo que promete, tornando-se apenas uma obra mediana.

Escrito e dirigido por Joe Carnahan (de Esquadrão Classe A), com produção de luxo dos irmãos Ridley e Tony Scott, o filme é baseado no conto Ghost Waker, de Ian Mackenzie, e focado no drama de John Ottway (Liam Neeson), que trabalha em um lugar isolado do Alasca sendo uma espécie de "caçador", já que sua função é manter os lobos afastados dos funcionários de uma empresa. Um dia, ao voltar para a cidade junto com um grupo de trabalhadores, sofre um acidente de avião, que cai no meio de uma região isolada devido a uma tempestade de neve. Apesar da queda, Ottway sobrevive ao lado de um pequeno grupo, mas tem de lidar com um novo inimigo: uma alcateia de lobos, já que o avião caiu exatamente em seu território.

Com uma fotografia deslumbrante, focada na amplidão branca proporcionada pela neve, e uma excelente interpretação de Liam Neeson (sempre bom), o filme falha mesmo devido ao seu roteiro. Tentando humanizar o personagem principal e alguns coadjuvantes, a narrativa utiliza flashbacks descartáveis que nada acrescentam à trama principal já que provocam sono sempre que são inseridos. Além disso, algumas incoerências da situação beiram o absurdo e desafiam as leis da física. Tudo bem embarcar nesse tipo de experiência quando se assiste a uma obra de ficção, mas quando o filme tenta passar uma certa dose de realidade, aceitar que um pulo no abismo em direção a um grupo de árvores que estão há quase um quilômetro de distância possa ser plausível e acontecer sem nenhum ferimento para a pessoa que topa o salto é forçar demais a barra.

O uso dos personagens também deixa a desejar, já que o grupo sobrevivente é um tanto quanto clichê. Há o encrenqueiro que encontrará a redenção, o apaziguador, o bonzinho de olhos marejados que está ali para nos dar pena e, claro, o próprio personagem principal, que repensará sua vida (até então sem muito sentido) exatamente porque encontra-se à beira da morte. Clichês são necessários, eu sei, mas devem ser usados com moderação. Não é o que acontece aqui.

Já os "vilões" da história, os lobos, são apresentados pouco a pouco, numa das poucas decisões acertadas do diretor. Ao não focalizar de cara os animais, deixando-os sempre na penumbra ou apenas com a silhueta à mostra, é gerada uma tensão enorme, causada pelo medo do desconhecido. A cena em que a alcateia é apresentada pela primeira vez, à noite e no escuro com apenas os olhos brilhantes dos animais, foi muito bem conduzida, causando o impacto desejado no momento.

Se a execução como um todo não me agradou, devo dizer que a conclusão da história é bastante coerente com o que é apresentado. Não há nenhuma intervenção divina, nem falsas esperanças são sugeridas. E se a cena final pode revoltar um ou outro, posso dizer que foi uma das coisas que mais gostei, e e parabenizo o diretor por concluir o filme dessa forma, ao invés de optar por um final mais convencional.

Mesmo não apresentando nenhuma grande revolução no cinema, A Perseguição pode tornar-se divertido se encarado como diversão escapista.  É apenas mais do mesmo, com um tempero adicional graças ao final que tenta soar impactante. 
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1 comentários:

Anônimo disse...

Mas, o que acontece depois dos letreiros? Saí do cinema antes!

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