22 de mai de 2012

Carrossel: Primeiras Impressões


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Eu tinha exatos 10 anos de idade quando Carrossel, a versão mexicana, estreou no Brasil. Passados 20 anos que isso aconteceu (não façam as contas), não tenho muitas lembranças da novela, exceto que acompanhava um grupo de crianças numa escola e eu a assistia todos os dias e que me divertia com a história. Acho que a trama mexicana entrou naquele canto afetivo da memória, onde determinadas coisas se alojam, tenham qualidade ou não. E a trupe da Escola Mundial marcou toda uma geração, o que é um fato inegável.

Por isso, foi com certo interesse que acompanhei o projeto do SBT de trazer de volta um remake sobre a história e, com o coração aberto, me sentei diante da televisão na noite de ontem para assistir à estreia da versão brazuca 2012 de Carrossel. E, apesar de um pequeno estranhamento inicial pelo ritmo meio tatibitati da novela, acredito que ela possa surpreender na audiência, como fez em seu capítulo inicial.

Antes de mais nada é preciso esclarecer: Carrossel é um programa infantil. Ponto. Por isso, nada mais natural que o uso das cores vibrantes e das gracinhas animadas que marcaram o primeiro capítulo. Aliás, esse "episódio" inicial cumpriu bem o seu propósito de apresentar aquele universo, mesmo o fazendo de forma um pouco cansativa, já que as personalidades ficaram de cara explícitas, com cada personagem mostrando-se unidimensional: a vilã, o bagunceiro, o amigo, o pobre, a gordinha, etc. Ok, ok, eu sou mais velho e estou habituado com um pouquinho mais de aprofundamento de personagens, pode ser que o público infantil espere exatamente isso.


O grande problema, em minha opinião, ficou por conta do elenco. Deve ser complicado trabalhar com um grande número de crianças, mas algumas disparidades ficaram MUITO visíveis. Temos bons atores e outros que se mostraram péssimos.

A pequena insuportável-robô-de-outra-dimensão-que-quer-dominar-o-mundo Maisa me surpreendeu com sua Valéria. Já Larissa Manoela, que vive a riquinha Maria Joaquina, parece ser uma ótima atriz e deve segurar a onda de interpretar a "vilã" da historinha. 

Em compensação, muitas das crianças são ruins DE DOER. Interpretada por Aysha Benelli, aka filha da Simony (sim, a do Balão Mágico), a gordinha Laura é de um talento inexistente. Nem mesmo o bordão "é tão romântico", característico da personagem, soou convincente. Acho muito que sua escalação para a personagem que estará sempre comendo tem muito a ver com isso: comendo, a menina não precisa interpretar.

O garoto de vive o Cirilo, Jean Paulo Campos, além de ter a tarefa de interpretar o papel mais chato forever and ever de qualquer novela que venha a ser feita, conseguiu ser mais sem graça que seu personagem e, se eu fosse continuar a ver a novela, tenho certeza que o odiaria (vai ver essa era a intenção, pois lembro que achava o Cirilo original um idiota também). E ainda taxou a "pobre" Maria Joaquina de preconceituosa ao dizer para a professora Helena que a menina não gostava dele por ser negro. De boa, Cirilo, ela não gosta de você por um único motivo: você é chato!

"Eu sei porque a Maria Joaquina não gosta de mim, professora. É porque eu sou negro. Eu não queria ter nascido negro." - Cirilo
No papel de Professora Helena, Rosanne Mulholland terá um dever ingrato: transformar a insossa e chata professora em alguém minimamente interessante. Porque, convenhamos, os discursos decorados e cheios de clichê chegam a soar absurdos nos dias atuais. A atriz também precisa achar o tom, já que ela esgotou todas as suas três interpretações faciais logo no primeiro capítulo. 

A novela, totalmente gravada em estúdio, é colorida e conta com uma excelente trilha sonora. Com um clima de fábula, pode fisgar os mais pequenos e, quem sabe, acabar contagiando a família brasileira, como prega em suas chamadas. Lúdica e colorida, com alguns personagens carismáticos e personalidades bem definidas, Carrossel pode se tornar a atração que falta para o público infantil que não conta com muitas produções voltadas exclusivamente para ele, principalmente no horário. 

Pelo menos na estreia, o resultado foi positivo para o SBT. Carrossel mais que dobrou os índices de audiência do horário da emissora, que se mantinham na casa dos 5 pontos no IBOPE. O primeiro capítulo marcou média de 12 pontos no horário, atingindo picos de 14 pontos. Sílvio Santos deve ter dado pulos de felicidade em sua casa enquanto acompanhava a medição do IBOPE minuto a minuto.

Apesar de não ser totalmente ruim, não planejo assistir Carrossel. Prefiro deixar minhas lembranças da história intactas em algum lugar da minha memória afetiva. Para as crianças de hoje em dia, acredito (e torço) que a novelinha reescrita por Íris Abravanel possa ser uma boa diversão. 
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4 comentários:

Francine disse...

Leco, a Laura no original tb era bem sem graça... que nem o Cirilo (o mais mala). Não vi essa versão brasileira porque simplesmente esqueci... rs... vou ver se dou uma espiada hoje pra dizer se acho que vale à pena ou não... Beijão!

Obs: Eu não preciso fazer as contas... sou 1 ano mais nova que você, sei exatamente quanto dá essa conta e fico deprimida... hehehehe...

Leandro Faria disse...

Fran, e no nosso caso é EXATAMENTE um ano mesmo, hehehehe
E como deprime!

Ah, mas essa Laura é pior do que a antiga. Muito ruim a menina!

E Cirilo carrega meu ódio eterno por ser o mais chato personagem do mundo todinho! rs

Wagner Pacheco disse...

Prefiro deixar minhas lembranças intactas !²

Dilma Santos disse...

A Maria Joaquina não disse para a professora q não gostava do Cirilo pelo fato dele se negro, e sim por ele ser chato, mas depois, na casa dela,disse ao pai q ele era negro e pobre e não se misturaria com gente igual a ele, rss, assito com minha filha.BJs

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