7 de mai de 2012

Pop Séries: Alice


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Muito se fala sobre a qualidade das séries brasileiras. Apesar de termos know-how na produção de novelas, o gênero seriado não é muito popular no Brasil. Entretanto, existem exemplares tipicamente nacionais do gênero que provam que com um pouco de esforço é possível produzir séries de qualidade em nosso país. Alice, da HBO é uma prova disso. 

Acompanhando a verdadeira saga de Alice (Andréia Horta), protagonista da história, somos convidados a embarcar na transposição metafórica da história de Alice, aquela do País das Maravilhas, para o mundo real. Aqui, a cidade de São Paulo é o mundo desconhecido a ser explorado por nossa protagonista. Nessa jornada ela conhecerá pessoas de carne e osso tão ou mais surpreendentes que os habitantes fantásticos da história original e se perderá para se reencontrar, ao mesmo tempo em que nos deixará apaixonados e empáticos com sua vida. 

Prestes a se casar com Henrique (Marat Descartes), Alice vive em Palmas, capital do Tocantins, e trabalha como guia de turismo da cidade. Até que seu pai se suicida e Alice é obrigada a ir até São Paulo para resolver assuntos burocráticos além de participar do velório. E nunca mais volta. 

Em São Paulo, Alice passa a viver com sua tia Luli (Regina Braga), arruma um emprego numa produtora de eventos, faz amizades, termina o relacionamento com o noivo, se reconecta com a meia irmã Celinha (Daniela Piepszyk) e se envolve com alguns homens. 

Por se tratar de uma produção da HBO, emissora da TV por assinatura conhecida pela ousadia de suas produções, Alice tocou em assuntos polêmicos, muitas vezes carregando nas tintas e exibindo sequências que você provavelmente não veria na televisão aberta. O uso de drogas e a homossexualidade, por exemplo, são tratados de maneira natural e sem tabus.

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Contando como nomes experientes no elenco (Walderez de Barros, Denise Weinberg, Eduardo Moscovis) ao lado de atores pouco conhecidos do público (Juliano Cazarré - que agora aparece em Avenida Brasil-, Vinícius Zinn, Gabrielle Lopez) Alice chamava a atenção pelas boas atuações aliadas a uma história interessante, que mesclava bom humor ao drama bem dosado. 

Com 13 episódios em sua primeira temporada, Alice chegou ao fim sem que um segundo ano fosse ou não confirmado. Devido ao alto custo para os padrões brasileiros (aproximadamente R$ 13 milhões por temporada), o segundo ano da série foi repetidas vezes adiado e não existe uma possibilidade real de que um dia chegue à televisão. Mas, para que o público pudesse matar a saudade (e não se esquecer) da história e dos personagens, dois telefilmes de 80 minutos cada um, foram produzidos e levados ao ar em 2010: O Primeiro Dia do Resto da Minha Vida e A Última Noite

Contando histórias distintas, os especiais mostravam a vida dos personagens dois anos depois do que presenciamos no fim da primeira temporada, ao mesmo tempo em que traziam novas tramas para nossos velhos conhecidos. Ao término de A Última Noite, o segundo telefilme exibido, algumas possibilidades ficaram em aberto, deixando os fãs ansiosos com o que pode ou não vir a acontecer, caso uma segunda temporada, um dia, venha a ser produzida. Como isso ainda é uma incógnita, o que acaba importando é que com ou sem continuação, trata-se de uma série nacional de primeira qualidade que é obrigatória na lista de qualquer pessoa que aprecie minimamente o gênero.

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Pop Séries é a coluna do Pop de Botequim que, semanalmente, relembra algumas séries de sucesso, canceladas ou ainda nos ar, que merecem a sua atenção, seja para matar a saudade ou para que entre na sua lista de séries a serem conferidas. Não perca!

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