15 de jun de 2012

Deus da Carnificina, de Roman Polanski


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Em nossas relações cotidianas somos obrigados, pelos bons hábitos de relacionamento, a vestir diversas máscaras sociais. Sorrir quando muitas vezes não queremos, ser simpáticos quando não estamos num bom dia, tudo em prol da boa convivência e da civilidade. Mas, quão civilizados somos? Melhor: qual é o exato momento em que deixamos nossos papéis sociais de lado e mostramos aos outros aquilo que de pior podemos ser? 

É um pouco sobre isso que trata o novo filme do diretor Roman Polanski, Deus da Carnificina (Carnage, no original), baseado na peça de mesmo nome da Yasmina Reza, a autora teatral mais aclamada da atualidade. Concentrando-se no talento de seus quatro atores principais (Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly), Polanski entrega um filme magnífico, com um quê teatral que pode não agradar a todos mas que, para os que embarcam na proposta, é uma diversão imperdível.

O ponto de partida é simples: num incidente num parque, o filho de Nancy (Kate Winslet) e Alan (Christoph Waltz) atinge o filho de Penelope (Jodie Foster) e Michael (John C. Reilly) com um pau, quebrando dois dentes do jovem. Dias depois, Penelope e Michael convidam Nancy e Alan para uma visita a fim de conversarem sobre o ocorrido entre seus filhos. E o que seria um simples encontro cordial entre pais transforma-se numa divertida e tensa batalha entre pessoas que, se a princípio fazem de tudo para manter as aparências cordiais, logo se mostram ferinas e agressivas.

Deixando toda a história correr dentro do apartamento de Penelope e Michael (e redondezas, como o hall do elevador ou a cozinha e o banheiro), Polanski deixa clara sua intenção de nos fazer vivenciar a mesma experiência que seus personagens. Assim, é com um desconforto crescente que acompanhamos a trama e os diálogos de dois casais que lutam para se manterem simpáticos, quando na verdade não o são. O clima de claustrofobia impera e aumenta a cada momento, sem que isso nos faça perder o interesse pela história que se desenrola.


Os atores, claro, são um show à parte. John C. Reilly parece se especializar em criar o típico marido omisso (vide seu desempenho no recente Precisamos Falar Sobre o Kevin) e faz de seu Michael um tipo bonachão que, quando confrontado, mostra uma personalidade bem diferente da aparente. O Alan de Chrisoph Waltz é o típico workaholic que negligencia a tudo pelo trabalho, incluindo a esposa e os filhos e que, sinceramente, consegue irritar inclusive os espectadores a cada vez que atende seu celular. Jodie Foster tem a tarefa de defender a personagem mais chata dos quatro, mas faz sua Penelope de maneira esplêndida, com seu moralismo politicamente correto e pseudo-preocupação. Já Kate Winslet é novamente brilhante com sua Nancy, que vai ficando cada vez mais divertida enquanto o seu nível alcóolico vai subindo (e vive uma situação nojenta e grotesca envolvendo uma cena de vômito, mas que é totalmente coerente com o filme).

Mostrando-se um verdadeiro estudo sobre o comportamento humano, Deus da Carnificina é daqueles filmes incômodos, que você tem até dificuldade de decidir se gostou ou não ao chegar ao final, que acontece de maneira abrupta e sem uma resolução clara. Mais que isso, levanta questões sobre nosso próprio comportamento que ficam em nossas cabeças mesmo depois que as luzes se acendem e a vida cotidiana segue seu fluxo. 

Em minha humilde opinião, é um filmaço!

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