11 de jul de 2012

E Aí... Comeu?, de Felipe Joffily


-->

Eis um fato inegável: coloque um grupo de amigos numa mesa de bar e, pode ter certeza, os assuntos mais baixos virão à tona. Não tem jeito. Um pouco de amizade regada com chopp tem esse efeito, principalmente nos homens (mas não excluo as mulheres, porque já vi mesas femininas com assuntos de deixar qualquer homem vermelho de vergonha). É utilizando esse mote que E aí... Comeu? desenvolve a sua história. E, se eu tinha lá meus receios com o filme (provavelmente traumatizado com outra "comédia" nacional em que criei expectativa, Billi Pig), bastou alguns minutos da história para ela me ganhar de jeito. 

A trama gira em torno de três amigos que se reúnem num bar qualquer do Rio de Janeiro para falar sobre o universo masculino e suas próprias vidas. Mas não se deixem enganar pelo jeitão carioca e machão dos rapazes, já que fora do bar eles levam suas vidas, cada um com seus próprios problemas.

Fernando (Bruno Mazzeo) é o recém separado do grupo, que não se conforma em ter levado o fora da ex-esposa (Tainá Muller). Honório (Marcos Palmeira) é o jornalista casado com Leila (Dira Paes) e pai de três meninas, mas que tem a ligeira desconfiança de que a mulher o trai com outro. Já Afonsinho (Emilio Orciollo Netto) é o escritor frustrado que não consegue terminar seu livro; o solteiro do grupo, vive de relacionamentos com prostitutas e mulheres casadas, fugindo de um relacionamento sério.


Assim, entre um chopp e outro servido por um garçon que é a cara do Seu Jorge (ele mesmo no papel) no bar que é quase a segunda casa dos rapazes, vamos acompanhando suas aventuras e desventuras amorosas, ao mesmo tempo em que gargalhamos com suas conversas insanas de mesa de bar e nos identificamos em frases feitas e comportamentos padrão. Quem nunca, não é mesmo?

Baseado na peça homônima de Marcelo Rubens Paiva, o filme tem roteiro do autor, o que pode ter contribuído bastante para a fluidez da história. Meu medo, ao ver o nome de Bruno Mazzeo em um projeto, é que o ator-produtor-roteirista-whatever tem uma mania de dar um ar episódico aos filmes que participa que eu, particularmente, não acho a menor graça. Deixando o trabalho de transpor a própria peça para o cinema nas mãos de Marcelo Rubens Paiva, o filme ganhou mais dinâmica e Bruno pode exercitar seu lado ator, sem se preocupar com outras funções. O público agradece, Bruno! #FicaDica

Aliás, Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emilio Orciollo Netto controem bem seus personagens que, apesar de tão diferentes uns dos outros, são quase que complementares. Ouso dizer que em qualquer bar carioca (ou brasileiro) e fácil de encontrar figuras como os três amigos retratados tão bem pelos atores.


Mantendo a comédia mais nas tiradas dos personagens do que naquele humor bobo baseado em gags físicas ou em escatologias, E Aí... Comeu? conquista o público mesmo com seu vocabulário cheio de termos chulos, mas que são exatamente os mesmos usados no dia a dia e, principalmente, numa mesa de bar. Ao "exagerar" nos palavrões na boca dos personagens, o filme ganhou um ar natural de conversa cotidiana que acabou o aproximando de seus espectadores, sejam eles homens ou mulheres. 

E se muitos dizem que o filme é machista, devo discordar dessa afirmação, devido ao único porém que enxergo no longa: seu final bobo e manjado, que transforma qualquer discurso revolucionário visto antes em balela, ao colocar a felicidade dos homens no típico "e viveram felizes para sempre" de qualquer comédia romântica bobinha. Entretanto, a diversão compensa e o final nem é tão traumatizante assim. No contexto apresentado, acaba até que sendo minimamente aceito, apesar de que um pouco mais de ousadia seria bem vindo.

E Aí... Comeu? vem fazendo bonito nas bilheterias brasileiras, mas é também um bom exemplar de cinemão comercial nacional, mas que cumpre o que promete e dá a seu público o que ele espera: diversão descompromissada.

Para ficar atualizado com todas as novidades do PdB, curta nossa página no Facebook (clicando aqui) e nos siga no Twitter (clicando aqui). É fácil, rápido e super prático!

Sigam-nos os bons!

-->

1 comentários:

Ariadny Theodoro disse...

Leco, adorei. Confesso que tenho um preconceito bobo com filmes nacionais, poucos são capazes de arrancar meus elogios mas estou até pensando em assistir o filme (juro que não é pelo Seu Jorge).

Enfim, parabéns pela crítica.
Um beijo

Share