8 de out de 2012

Sessão de Terapia: Primeiras Impressões





Estreia da semana passada na GNT, esperei que todos os cinco primeiros episódios de Sessão de Terapia tivessem sido exibidos para escrever um Primeiras Impressões mais completo, baseado no que pude observar do apresentado pelos pacientes do psicanalista Theo e sua interação com cada um deles. Passada uma semana, posso afirmar que a versão brasileira da original israelense BeTipul (e que teve na versão americana, In Treatment, um grande sucesso de crítica e público, além de grande visibilidade) é muito bem feita e merece sua atenção.

Dirigida por Selton Mello, Sessão de Terapia é uma série diferente, já que seu formato acompanha uma sessão de análise de cada um de quatro pacientes de Theo, enquanto na sexta-feira ele mesmo se consulta com sua mentora. Assim, segunda temos a anestesista Julia e sua transferância erótica para o analista; terça vemos Breno, um atirador de elite que disfarça a culpa pela morte de uma criança; quarta é o dia de Nina, uma jovem ginasta com tendências suicidas; e na quinta acompanhamos a terapia de casal de Ana e João. Na sexta, Theo, visivelmente desiquilibrado apesar de tentar manter as aparências para seus pacientes, volta a se consultar com Dora, sua supervisora de anos atrás. 

Com episódios diários de aproximadamente 30 minutos, Sessão de Terapia é um filé que precisa ser apreciado aos poucos. Sem grandes efeitos e contando apenas com um cenário simples e os embates terapeuta-paciente, é na força de seu roteiro e no desempenho de seus atores que a série se sobressai. A direção segura de Selton Mello apenas embrulha tudo num pacote excelente e interessante, fazendo o que muitos chamam de teatro dentro da televisão.


Aliás, são os atores um dos grandes charmes da série. Mesclando nomes conhecidos com outros pouco vistos na televisão, Sessão de Terapia é uma grata surpresa em meio a elencos pra lá de repetitivos das produções televisivas nacionais. Vivendo o protagonista Theo, Zécarlos Machado construiu um analista intenso, que demonstra para o público, através de um olhar, seu desconforto em algumas situações. Maria Fernanda Cândido se saiu muito bem vivendo Julia, a personagem apaixonada pelo analista e que, em sua primeira sessão acompanhada por nós, falou pelos cotovelos, inclusive verbalizando termos chulos e comuns no dia a dia e pouco ouvidos na televisão. Como Breno, o atirador de elite com mil conflitos internos, Sérgio Guizé é uma excelente surpresa e que tem tudo para alçar vôos em maiores produções da televisão (tenho certeza que a Globo logo vai captar o rapaz para seu casting, duvidam?). À Bianca Muller cabe a difícil tarefa de viver a adolescente problemática Nina e suas multifacetas, o que ela parece estar encarando muito bom, vide o excelente episódio de apresentação da personagem e seus dramas que envolvem suicídio, relação paternal complexa e, até mesmo, abusos sexuais. Já o casal Ana e João é vivido por Mariana Lima e André Frateschi, que fizeram um excelente bate bola com Zé Carlos Machado na primeira terapia de casal que acompanhamos, em que os três tiveram oportunidades de se destacar. Selma Egrei dá vida à Dora, a terapeuta do terapeuta, no que promete ser o meu dia preferido da semana. Completando o elenco, mas que ainda não deu as caras nos episódios exibidos até agora, Maria Luiza Mendonça viverá Clarice, a esposa de Theo.

Os ingredientes estão todos lá e parecem muito bem dosados pelo mostrado até agora. E se numa primeira semana, que serviu de apresentação dos personagens, já tivemos tão bons momentos, fico aguardando o que Sessão de Terapia poderá oferecer a seu público.


Eu, que assisti à primeira temporada da versão americana da história e sou fã de In Treatment, não consigo assistir e não comparar. O interessante é que Sessão de Terapia não empalidece perto da versão americana, o que já é por si só um grande mérito. Apesar de ter achado que os roteiristas praticamente traduziram os textos da versão americana para a brasileira no caso de alguns personagens (como com a Júlia de Maria Fernanda Cândido), alguma adaptações foram excelentes. O caso de Breno (que na versão americana se chamava Alex, era fuzileiro naval e, numa ação nos subúrbios de Bagdá acabou matando dezesseis crianças), por exemplo, ficou excelente com a transposição para o Brasil, onde o personagem virou um atirador de elite que numa ação em Heliópolis acabou matando uma criança com um tiro endereçado a um traficante que ricochetou na parede a atingiu um outro alvo. 

Exibida num horário interessante na GNT, o das 22:30h de segunda à sexta, Sessão de Terapia pode tornar-se uma opção excelente para aqueles que procuram por dramaturgia de qualidade na televisão e que insistem em depreciar as produções nacionais. 

Eu já anotei na minha agenda, marquei minhas consultas e virei paciente de tabela do analista Theo. Sou daqueles que deixam gravando o programa quando não estou em casa na hora da exibição para poder apreciar a série no horário mais conveniente.

E você, o que está achando de Sessão de Terapia?

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1 comentários:

Bárbara Veloso disse...

Estou amando. O melhor dia é a sexta feira. Dia 12 foi um embate maravilhoso. Vale conferir

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