14 de nov de 2012

Os Seis Imperadores do Apocalypse: A Espada de Jhoriun, de Daniel Deschamps




Os livros de fantasia são um grande filão que sempre teve público. Com histórias diversas, que transportam os leitores para novos universos ou idealizações do nosso próprio mundo, quando bem escritos esses livros podem ser ótimas companhias que proporcionam momentos agradáveis de leitura. Dos internacionais O Senhor dos Anéis, de Tolkien, e Harry Potter, de J. K. Rowling, por exemplo; ou do brasileiríssimo e excelente A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Sphor, ou qualquer um dos livros de André Vianco, o gênero se renova sempre que um bom autor se aventura por ele criando algo único e que mantenha o nosso interesse. O que não é o caso desse Os Seis Imperadores do Apocalypse.

Livro de estreia do carioca Daniel Deschamps, acompanhamos em Os Seis Imperadores do Apocalypse: A Espada de Jhoriun o início do que se pretende uma série literária nacional, focada na história, é claro, dos ditos seis imperadores do apocalipse (em português é com com I mesmo, não com Y como aparece no título do livro), cada livro baseado em uma dessas entidades. Assim, os acontecimentos narrados em A Espada de Jhoriun são quase que totalmente passados na Terra da Violência, dimensão do "imperador" Ognus, dono do lugar.

Na história, um grupo patético de amigos de uma cidadezinha do interior do Rio de Janeiro encontra um velho diário de um cidadão americano denominado Kurt Kerrick. A partir dos fatos narrados no diário de Kurt adentramos na história do missionário americano que, durante um trabalho de alfabetização indígena na Amazônia acaba caindo em uma outra dimensão onde lutar pela própria vida é o objetivo principal no reino dominado pela entidade responsável pela violência do mundo. 

Leram bem a pequena sinopse da história acima? Acharam ruim? Então, sinto informar, mas o livro é MUITO pior do que pode parecer a princípio. 

Os problemas são muitos no livro e é até difícil definir o que é pior. Da falta de pesquisa básica (como afirmar sobre a enorme quantidade de shopping centers de Nova York em determinada passagem, quando quem conhece um pouco da cidade sabe que não existem shoppings lá) à pura invencionice tosca do autor (sério, além das outras dimensões idiotas criadas - o que até daria para engolir -, ele criou uma tribo de índios chamada Payuçassi e que se comunica com um verdadeiro "uga uga" das cavernas), é complicado dizer se o livro é só ruim ou se a boba premissa poderia render mais em mãos mais experientes.

Com uma narrativa extremamente cansativa/chata (demorei três meses para ler o livro todo, algo impensável para mim, acostumado a devorar qualquer livro que me interesse) e personagens desinteressantes e bobos, fica complicado se apegar a qualquer coisa na trama criada por Daniel Deschamps. Em alguns momentos da leitura, eu tinha uma vontade incontrolável de entrar naquela dimensão patética e acabar eu mesmo com a vida dos protagonistas, vilões e entidades fantásticas criadas pelo autor, porque, sério, que gente idiota!

Além disso, pelo menos para mim, fica complicado me dedicar a uma leitura supostamente "refinada", que esconde apenas uma história com mais furos que um queijo suiço. A impressão que tive é que o autor escrevia a história consultando o dicionário a cada 250 palavras, para poder inserir gratuitamente um sinônimo "difícil" de outra usada comumente no cotidiano. Com isso e diálogos risíveis e expositivos dos personagens principais, eu sempre me pegava prestando atenção a qualquer coisa durante a leitura, menos à história propriamente dita.

Para não ser totalmente injusto com a trama do livro, devo dizer que a partir do momento em que me obriguei a terminar a leitura (lá pela página 270 de um total de 303) e que passei a encarar a trama como um LONGO episódio bobo dos Power Ranger, até que a coisa deixou de ser tão ruim. Quando comecei a rir da situação e a imaginar uma comédia ao invés de um livro de ficção pretensioso e que pretendia inclusive apresentar uma justificava ficcional para todo o mal que assola o mundo (me dá sono só de lembrar), consegui entubar toda a besteira envolvida e finalmente terminei a "obra"! 

Com um gancho para a continuação da história em mais cinco livros (que não pretendo ler), cada um baseado em um outro imperador do apocalipse (Destruição, Vício, Miséria, Preconceito e Luxúria), o livro termina de modo abrupto, visando despertar o interesse do leitor pelo que há de vir a partir da mente do autor. Assim, acho conveniente reproduzir uma frase do livro que acredito ser bem interessante para definí-lo como um todo:
"Nem nos livros de ficção mais absurdos poderia imaginar algo tão fantasioso e coerente ao mesmo tempo."
Troque a palavra COERENTE por IDIOTA da frase acima e, pronto! Temos a definição de Os Seis Imperadores do Apocalypse, quase que escrito pelas mãos de seu autor.

No fim das contas, quando terminei de ler o livro e pensava em como poderia escrever qualquer coisa sobre ele, somente dois sentimentos tomavam conta de mim. Vergonha alheia, pelo autor da obra; e pena, de quem por sorte ou azar acabe tendo essa história nas mãos e decida lê-la.

Mas, como acredito que toda experiência é válida (incluindo as piores delas), quem quiser conferir a história de Os Seis Imperadores do Apocalypse, fique à vontade. Mas por sua conta e risco!

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