5 de nov de 2012

Weekend, de Andrew Haigh




Tratando de um encontro casual de dois dias que se torna intenso e, a partir daí discutindo relacionamentos a partir da ótica de dois homens, Weekend apresenta-se como uma obra única e que, mais do que entreter, provoca reflexões. Um trabalho que merece ser conferido e que se torna, desde já, uma pequena obra prima do cinema britânico.

Dirigido por Andrew Haigh, Weekend acompanha o tímido Russel que, ao sair da casa do melhor amigo hetero em um fim de semana, desvia-se do seu destino (sua casa) e decide entrar em um bar gay. É ali que ele conhece Glen, com quem passa a noite de forma casual, mas cuja relação acaba se transformando em algo libertador para ambos.

Apesar da aparente frieza de um sexo casual, a relação dos dois personagens cresce e ganha intimidade com o passar da projeção. A partir de um depoimento de Russel para um trabalho artístico de Glen, a discussão sobre sexo e vida homossexual ganha a tela, sem que isso soe como uma propaganda gay ou algo do tipo.


Vividos com propriedade pelos atores Tom Cullen e Chris New, Russel e Glen fogem do estereótipo gay presente no imaginário popular. Ambos são homens e que vivem suas vidas, apesar de se relacionarem com outros homens. E os dramas dos personagens, apesar de retratarem os gays, são universais e que podem ter eco na vida de qualquer espectador do filme.

Sem levantar bandeiras explícitas, mas já o fazendo de algum jeito, por mais incoerente que possa parecer, já que cada um dos personagens apresenta suas próprias visões sobre o que é ser gay comparado a ser hetero, o diretor Andrew Haigh mostra-se competente em captar o clima exigido por seu longa. Com uma câmera que nos coloca na intimidade do casal Russel e Glen, além de enquadramentos belíssimos e de uma fotografia que nos transporta para o universo proposto, Weekend é um filme singelo e que nunca cai na mesmice.

Fugindo de um final clichê, o que seria uma pena depois de tudo apresentado durante o longa, Weekend torna-se mais um filme sobre descobertas pessoais do que um romance qualquer. Ao longo das horas que passam juntos em um único fim de semana, Russel e Glen crescem e descobrem-se enquanto conversam sobre assuntos diversos e discursos inflamados.

Weekend, no fim das contas, permanece com você mesmo depois que os créditos sobem e a sua própria vida continua. E qualquer filme que consiga essa proeza nos dias atuais merece a sua atenção.

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1 comentários:

sofia martínez disse...

Não é a grande história, mas vale a pena. A estréia da série Looking 2 levou-me a aprender mais propostas sobre filme gay e eu realmente têm sido agradáveis surpresas.

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