26 de jan de 2013

Fringe: Uma História de Amor Com a Série





Confesso que não me apaixonei por Fringe à primeira vista. Mas foi, definitivamente, um amor daqueles que a gente constrói devagar e que, depois, não consegue mais imaginar a vida sem ele... A série, que surgiu super badalada, poderia nos lembrar da máxima de que toda grande promessa pode também acabar se tornando uma grande frustração. Felizmente, posso dizer que a série teve um final digno. Não foi perfeita o tempo todo, mas nenhum amor é; a gente é que aprende a conviver com os problemas inerentes a ele.

E Fringe foi assim. Mas me divertiu, me fez companhia, me fez sentir durante seus 5 anos de duração. Nesse tempo eu mudei, muita coisa aconteceu, mas meu amor pela série só cresceu. Como a série chegou ao seu fim na sexta-feira, 11/01/2013, o que me resta são as lembranças de Fringe.

Ao fim do último episódio, chorei por um tempo; sofri a dor de quem perde um amor, os amigos, os companheiros desses últimos 5 anos. Mas chorei também pelas cenas que vi, pela delicadeza de como o final foi escrito, pelo cuidado nos detalhes e por ver os personagens sofrendo. O triunfo veio junto com uma dor profunda..

A quinta temporada marcou o fim desta trajetória, mas de alguma forma foi também um recomeço. Muita gente reclamou que a série em nada lembrava os primeiros quatro anos, que a mudança de tempo fez a série perder o fio condutor. Mas acredito que quem diga isso não viu a mesma série que eu vi, onde estava tudo ali amarradinho, conectado, uma história lindamente traçada pra um fim digno. 

Fringe foi uma série de sci-fi com eventos extraordinários, mas foi também uma série sobre as relações, sobre o amor de pai e filho, sobre amizade, sobre companheirismo e isso fez o caminho todo ser mais gostoso; e é disso que vou sentir falta.. Do doce Walter meio avoado, da fiel escudeira Astrid (ou Astro para os íntimos), da bravura de Olivia, e do jeito meio torto, meio explosivo do Peter que, certamente, foi o personagem que mais amadureceu nesses anos...

Além do belo enredos, Fringe tinha um grande elenco.. Alguém me explica como John Noble não ganhou nenhum prêmio depois da sua interpretação impecável por cinco temporadas? Do doce Walter, ao amargurado e megalomaníaco Walternat. Seria impossível escolher o melhor momento, mas John Noble nos proporcionou momentos inesquecíveis, com uma atuação na medida. Ele foi perfeito do começo ao fim e, definitivamente, mostrou toda a sua versatilidade. 

Destaco também Anna Torv. No início da série ouvia muitos comentários de que ela era insossa e não se esforçava. Mas, ao longo das temporadas, a atriz mostrou que essas eram características da personagem meio fria e distante que interpretava e que foi se tornando mais humana, mais forte e mais interessante com o tempo. Seu talento foi especialmente evidenciado quando ela tinha que ser a Olivia nos 2 mundos, se revezava entre as duas personagens e era clara a diferença entre as duas. Anna Torv foi também, equivocadamente, ignorada pelas premiações.


Mas estou aqui pra falar do fim desta jornada. Na primeira parte Liberty não aconteceu muita coisa.. Mas foi muito legal ver como estava o mundo alternativo. Que saudade que eu estava do pessoal do lado de lá! E só por isso amei o episódio. A trama em si foi bem simples: o menino precisava ser resgatado, estava super protegido na sede do Departamento de defesa na Liberty Island, e a maneira mais “fácil” de regastá-lo era com Olívia chegando ao local pelo universo alternativo. Eu digo “fácil” pois isso exigia que ela tomasse uma quantidade enorme de cortexiphan pra cruzar para o outro universo, colocando sua vida em risco, sem contar que as travessias de um universo pra o outro são sempre complexas.

Chegando lá, Olívia foi amparada pelos membros da equipe Fringe do mundo paralelo até o Departamento de Defesa na Liberty Island, para regastar o Michael. E, basicamente, foi isso que aconteceu. Foi até meio morno, mas só de ver o mundo de lá fiquei bem satisfeita com o episódio.

Agora, o episódio final me lembrou porque amo tanto essa série e os motivos que me farão sentir tanta falta desse universo que acompanhei por cinco temporadas. Tudo nesse series finale mostrou o que Fringe tinha de melhor. Me emocionei, derramei muitas lágrimas e passei quase o tempo todo com o coração apertado.

O plano elaborado por Walter e Donald (September) foi colocado em ação.. Mas preciso confessar que o ponto alto do episódio foram as despedidas. Além disos, confesso que o diálogo de Walter com sua companheira Astrid foi o que mais me emocionou. A conversa foi perfeita e sintetizou toda a relação e cumplicidade dos dois. Ai, e ainda teve a Eugene – a vaca mais amada da história das séries - muito amor <3. Preciso dizer que os olhos marejados da Astro foi o estopim para as minhas lágrimas começaram a jorrar?




A despedida de Peter e Walter foi bem emocionante. Esse pai alucinado que fez loucuras para manter o filho vivo e perto dele, foi tudo lindo! Por fim, Walter teve sua conversa definitiva com Donald, que pelo mesmo amor que motivou as ações de Walter, decide acompanhar Michael na execução do planejado, mostrando que os planos podem ser alterados, que nossos destinos podem ser reescritos (Fringe também é filosofia!).

A partir daí o plano foi colocado em prática: Donald viajaria no tempo com Michael para mostrar que não era preciso abdicar dos sentimentos para serem inteligentes e, dessa forma, o tempo seria reiniciado, sem os observadores, salvando o universo. Mas, para desfazer o paradoxo, eles seriam apagados nessa linha do tempo que seria reiniciada.

Eu achei super cool a Olívia e o Peter “criando” eventos Fringe e resgatando o Broyles. A resistência, Walter e Cia entraram em confronto com os observadores e seus aliados, foi tudo muito rápido. E eis que Donald é assassinado e Michael senta-se ao lado do pai inconsolável. Walter não hesitou em completar o plano, mesmo que isso significasse ficar longe dos que amava. Pegou o menino e seguiu para salvar a humanidade dos observadores, reiniciando o tempo, não sem antes dar um último adeus ao filho, um olhar doído, triste, mas de quem sabe que o que deve ser feito. Com Walter de mãos dadas com o menino, mudando o curso do universo, eu já não tinha mais lágrimas. Foi quando surgiram Peter, Olivia e Etta no dia que havia ocorrido a invasão, juntos e felizes, provando que o plano de Walter havia dado certo!

Mas o melhor desses minutos finais foi a carta com a tulipa branca (a tulipa que, para Walter significava o perdão de Deus pelas atrocidades que ele havia cometido no passado) que Peter recebeu pelo correio. Foi lindo e deixou no ar se Peter sabia o significado daquilo ou se estava apenas intrigado. Mesmo nos segundos finais da série, os roteiristas souberam deixar dúvidas no ar e, ainda assim, dar um fim digno para série.

Como disse no início, aprendi a amar essa série, me emocionei e fico feliz de ter um fim digno. Mas, definitivamente, Fringe vai fazer muita falta. E se por um acaso você, leitor, não acompanhou a série, não perca tempo e vá logo se deliciar, garanto que não se arrependerá. 

Enquanto isso, eu fico aqui com a minha saudade. Acho que ainda é muito cedo para procurar (e encontrar) um novo amor...

Leandro Faria  
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1 comentários:

Gustavo disse...

Foi tudo lindo. Chorei muito com Peter vendo o vídeo do pai explicando o que ele faria para salvar o mundo. E com Walter ao seu lado. Chorei coma despedida deles, com Walter decidido e sabendo o que deveria fazer. Mas confesso, que chorei muito, muito mais, com a linda e terna cena do Walter com a Astrid (minha personagem preferida =P) "It's a beautiful name!" =~ Tive que pausar o episódio em todos esses momentos, porque nem mais enxergava o que se passava. Tb gostei dos eventos Fringe (revisitandoa s temporadas anteriores) para salvarem o Broyles... Fringe é mais uma das minhas amadas séries, que chega ao fim e que vai deixar muita saudade! Value a pena!

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