20 de fev de 2013

A Hora Mais Escura, de Kathryn Bigelow



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A caçada ao maior terrorista de todos os tempos é o pano de fundo de A Hora Mais Escura, novo filme da vencedora do Oscar Kathryn Bigelow. Um filme de ficção, com toques documentais, sobre os anos pós-11 de setembro, culminando na operação de captura e morte de Osama Bin Laden, em 2011.

No filme, vemos todos os detalhes da busca ao terrorista e seus comparsas. O mais interessante é ver uma CIA real, que erra demais, que comete alguns equívocos graves, mas que tem em seus profissionais o real intuito de livrar o mundo desse terrorista que destruiu milhares de vidas no 11 de setembro. Aliás, o atentado que matou mais de 3 mil pessoas é o ponto de início do filme, através de áudios reais do momento da tragédia.

É exatamente uma dessas profissionais, Maya, vivida por Jessica Chastain, o grande ícone do filme. Inicialmente, vemos uma jovem agente que acabou de chegar a uma prisão secreta da CIA e que até se comove com as torturas sofridas pelos presos. Mas, com o tempo, vemos a evolução de uma mulher, que se torna dura, fria e obcecada pela captura de Bin Laden. E que também é a principal responsável pelo sucesso da empreitada - apesar de ninguém, além dela, ter certeza da presença do terrorista na casa invadida na sequência final do longa. Aliás, longa sequência final do longa, que dura quase 50 minutos - o mesmo que durou a operação real.


Kathryn Bigelow fez um filme tenso e real, com excelente trabalho de fotografia, edição primorosa e um roteiro inteligente. Em muitos momentos, parecia que eu estava assisitindo a uma reportagem, a invasão do Complexo do Alemão, por exemplo. E isso é bom. Muito bom. O grande mérito do filme é expor algumas verdades sobre a caçada a Bin Laden somente mostrando os fatos, jogando na tela, sem tomar partido de A ou B. Vemos tudo de fora, podendo, assim, escolher o que achamos certo ou errado. A tortura era necessária? A própria morte de Osama era necessária? O filme não tem respostas. Cabe a cada um chegar às conclusões.

E para completar a obra, Jessica Chastain tem, talvez, a melhor atuação de sua carreira. Sem ela, o filme não teria o mesmo impacto.

Enfim, A Hora Mais Escura vale ser visto e revisto. Mais do que um excelente filme, temos na tela um pedaço da história mundial recente.
Bruno Schmidt  
Bruno Schmidt, vascaíno fanático, cinéfilo, devorador de livros, viciado em TV e internet - no celular. Redator publicitário, marquestista - não marqueteiro -, marrento e... petropolitano. Com ele o papo é sobre cinema, livros e TV. Mas sem cerveja, ok?!
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