25 de fev de 2013

Argo, de Ben Affleck






Oscar, muito marketing, mil indicados e especulações e me dei conta, um pouco antes da cerimônia, que não havia assistido àquele que era apontado por muitos como o grande vencedor de Melhor Filme nesse ano. Argo, dirigido por Ben Affleck, realmente levou o Oscar, e eu consegui assistí-lo dois dias antes de sua consagração. E, apesar de apaixonado por Django Livre e As Aventuras de Pi, consigo entender bem os motivos que levaram a Academia a considerá-lo o melhor filme do ano passado.

Baseado em uma história real que somente veio à público em 1997, quando o então presidente americano Bill Clinton tirou a Operação Argo da confidenciabilidade, a trama do filme é cinematográfica por natureza, em todos os sentidos. Em 1979, quando o então Xá Reza Pahlavi do Irã foi tirado no poder do país, os EUA concederam asilo ao ex-governante, provocando a fúria da população local que, em represália, acabou invadindo a embaixada americana em Teerã e fazendo todos os diplomatas reféns. Na confusão, seis diplomatas conseguiram escapar e se esconderam na casa do cônsul canadense de Teerã, sob a possibilidade de, se presos, serem acusados de espionagem e acabarem mortos. A Operação Argo baseou-se em um plano mirabolante para resgatar esses seis diplomatas do Irã para os EUA.

Vejam bem o absurdo: com os americanos proibidos de entrarem no Irã, o agente da CIA Tony Mendes teve a brilhante ideia de criar um filme de ficção científica (o Argo que dá título também a essa agora Oscarizada obra) que, sendo uma produção canadense com filmagens em Teerã, possibilitaria o resgate dos seis diplomatas que fugiriam como se trabalhassem na produção do filme, com vistos e passaportes do Canadá, graças a uma operação conjunta do país com a CIA. Tinha tudo para dar errado, né?


Com uma trama envolvente, o filme de Ben Affleck é muito bem realizado. Tomando para si o papel de Tony Mendes, Affleck deu brilhantemente conta do recado nas duas funções e fez um filme que conquista de cara o espectador graças à engenhosidade do plano que move a ação. Misturando a CIA, Hollywood e uma situação real, Affleck conseguiu deixar todo mundo grudado na tela, querendo saber como aquela história aparentemente absurda iria acabar.

É aí que mora um dos maiores mistérios do Oscar desse ano. Agraciado como Melhor Filme, a não indicação de Ben Affleck como Diretor causou uma certa saia justa, inclusive para Ang Lee, que levou o prêmio por seu belíssimo trabalho em As Aventuras de Pi. Se Argo é excelente, muito se deve ao primoroso trabalho de seu diretor, que fez um filme passado no início dos anos 80 ser totalmente plausível para as plateias de 2012/2013.

Visualmente retrô, assistir a Argo é como voltar no tempo. Estão na tela os bigodes dos homens, os cortes estranhos nos cabelos das mulheres e as roupas horrorosas que ditaram a moda nos anos 80. Aliado a isso, uma fotografia mais granulada, como os filmes realizados no período, dão todo um charme extra à produção.


Com personagens carismáticos vivendo uma situação limite e muitas cenas de ação que nos fazem torcer para que o plano dê certo, Argo é cinema em sua melhor forma. A fuga de Teerã em si, que começa quando Tony Mendes e os seis diplomatas chegam enfim ao aeroporto da cidade, é longa e de uma adrenalina sem fim. Ao final da cena dá quase vontade de bater palmas, tamanho o nosso envolvimento com o drama daqueles "personagens".

Eleito pelo Oscar o Melhor Filme de 2012 (coroando nossa aposta antes do prêmio, diga-se de passagem), Argo é um filmaço! Aproveite o burburinho em cima do filme graças ao careca dourado, que deve fazer voltá-lo a ser exibido nos cinemas, e dê uma chance a esse primoroso trabalho de Ben Affleck. Você não irá se arrepender e poderá até entender o que é que tanta gente viu em Argo, essa história absurdamente baseada em fatos reais. 

Afinal, algumas vezes, a própria vida daria um bom roteiro, não é mesmo?

De certeza, apenas uma coisa: nós do PdB continuamos por aqui, vendo de tudo um pouco e comentando com todos vocês! Até a próxima!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

vitor vasiunas disse...

Direção fraca de Ben Affleck, filme muito massante, com um roteiro desse poderia ter colocado um pouco de humor em certas partes, as que tentou errou. Não foi digno da premiação de melhor filme ainda mais pela direção que tornou a história lenta e sem climax em boa parte do filme

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