7 de fev de 2013

#DocPop: Bette Davis, Uma das Grandes Divas de Hollywood






Impossível falar de clássicos sem citar uma das maiores estrelas de todos os tempos, Bette Davis. A grande diva de Hollywood era perfeita em fazer com que os diálogos de suas personagens se tornassem eternos. Talvez porque os filmes eram feitos sob medida para ela. Dizia que “antigamente primeiro escolhiam o elenco e depois faziam o roteiro”

Dona de um olhar inconfundível e de uma presença em cena assustadora, atribuía a si mesma a autoria do nome do prêmio da Academia, ao dizer que ele se parecia com as costas de seu então marido, Oscar, mas isto é mesmo uma lenda e nunca saberemos se é verdade. O certo é que Betty foi a primeira estrela a enfrentar um grande estúdio cinematográfico, a primeira mulher a ser presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, a primeira mulher a receber um prêmio pelo conjunto da obra do American Film Institute. 


Sem papas na língua, dizia o que pensava com exatidão: "Havia melhores interpretações nas festas de Hollywood do que jamais houve nas telas de cinema." Seus filmes se tornaram clássicos apenas por causa dela e ajudou a definir o conceito de mito da sétima arte .

Bette Davis nasceu Ruth Elizabeth Davis. Após trabalhar na Broadway, tentou carreira no cinema, mas o começo não foi muito simples. Apenas em 1932, quando assinou com a Warner Bros, a atriz deslanchou. Perfeccionista e sempre com um cigarro na mão, tinha um temperamento forte e, até o final dos anos 40, era o para o mundo o que Meryl Streep é hoje. Ou talvez, até mais.

Seu primeiro sucesso nas telas foi Escravos do Desejo, ao lado de Leslie Howard com quem filmaria depois outro sucesso, Floresta Petrificada. Seu primeiro Oscar aconteceu por Perigosa, onde vivia uma atriz alcóolatra. Em seguida iniciou uma batalha com a Warner porque achou que estava sendo desprestigiada. O caso foi parar nos tribunais e, mesmo perdendo, acabou sendo ótimo porque ela ficou em alta até mesmo com o então poderoso presidente do estúdio, Jack Warner, justamente por desafiá-lo. 

Em 1937 ela brilhou em Mulher Marcada e, em 1938, no filme que a consolidou de fato no cinema, Jezebel. Dizem que ganhou este papel como consolação por ter sido preterida para o papel de Scarlet O'Hara em E O vento Levou, pelo produtor David O. Selznick, que não queria nenhuma estrela para a personagem, de qualquer forma, lhe valeu o seu segundo Oscar. Em Jezebel brilhou ao lado de Henry Fonda, no papel de uma aristocrata mimada, sendo dirigida pelo mestre William Wyler, o homem que ela mais amou na vida, segundo disse posteriormente. 

Bette Davis e Henry Fonda em cena de Jezebel, de 1937


Neste período, separou-se do seu marido, que acreditava que ela estava tendo um caso com o multimilionário Howard Hugues. Em contra partida recebeu nos anos anteriores cinco indicações consecutivas ao prêmio máximo da Academia e se tornou uma das dez estrelas mais bem pagas de Hollywood. Foi nesta época que brilhou em Meu Reino por Amor, onde vivia a monarca britânica Elizabeth I em seu primeiro filme a cores, Vitória Amarga, A Carta e Pérfida.

Em 1942 brilhou mais uma vez em Estranha Passageira, ao lado de Claude Rains que, mais tarde, disse ter sido seu parceiro preferido nas telas. Neste filme, vivia uma solteirona dominada pela mãe autoritária que dá a volta por cima. Uma curiosidade é que parte da história se passa no Brasil, justamente os momentos mais idílicos do filme, entretanto, Bette Davis não precisou vir aqui para filmar nenhuma delas. 

Em 1944 estrelou Vaidosa e deu muita dor de cabeça ao diretor Vincent Sherman e ao elenco que chegou a castigá-la devido ao seu temperamento em cena. Mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, foi indicada ao Oscar.

No fim dos anos 40 Bette Davis teve sua primeira filha, Barbara, e foi enfim liberada de seu contrato com a Warner. No ano seguinte esteve naquele que é considerado por muitos o seu maior sucesso de crítica e público, A Malvada, onde novamente brilhou e, desta vez ao lado de outras divas como Anne Baxter e Marilyn Monroe, bem no comecinho de sua carreira. Bette Davis defendeu com unhas e dentes Margo Channing, que assim como ela, é uma grande atriz de teatro, que acolhe uma fã, Eve Harrington. O problema é que a fã é invejosa e quer ocupar o lugar de seu ídolo a qualquer custo. Com catorze indicações ao Oscar, venceu apenas seis. Ironicamente, é o filme com maior numero de indicações na categoria de atriz e nenhuma delas venceu. E mesmo Bette Davis sendo sempre cultuada por sua participação neste filme de grande sucesso, não levou o Oscar e passou o resto dos anos 50 sem nenhum outro grande filme de sucesso no currículo. A partir daí começou a rarear sua presença no cinemascope.

Eis que em 1962 ela aparece no cultuado O Que Terá Acontecido a Baby Jane?. Dirigido por Robert Aldrich, ela está ao lado da rival Joan Crawford e as duas não se odiavam apenas na tela, era sabido o quanto elas se odiavam em vida e o quanto se odiaram durante a realização do longa metragem. Grande parte do ódio visto em cena é motivado por tudo o que uma desejava de fato a outra. Bette Davis recebeu aquela que seria sua ultima indicação ao Oscar e só não ganhou porque Joan Crawford fez campanha contra ela e a favor de Anne Bancroft. 

Bette Davis em cena de O Que Terá Acontecido a Baby Jane?, de 1962


Em 1964 voltou a trabalhar com Robert Aldrich em Com a Maldade na Alma. O diretor queria repetir a parceria com Joan Crawford, mas esta alegou problemas de saúde. No seu lugar entrou Olivia de Havilland, por sinal, amiga de Bette Davis, o que fez com que as filmagens fossem sossegadas para todos os envolvidos no filme.

Em 1978 esteve em Morte no Nilo, uma das melhores adaptações de um romance de Agatha Christie para o cinema. Ganhou um Emmy no ano seguinte por sua atuação no telefilme Strangers: The Story of a Mother and Daughter.

Nos anos 80 foi diagnosticada com câncer de mama, mas teve força para estrelar o drama As Baleias de Agosto, ao lado de outra veterana atriz, Lillian Gish, em mais uma interpretação soberba.

Em 1989 quando estava para ser homenageada no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, Espanha, adoeceu e foi levada para França, onde faleceu. Em sua sepultura está escrito: 

Em português, algo como Ela fez do jeito mais difícil



Espero que tenham gostado deste pequeno resumo da carreira de um dos maiores mitos de Hollywood e, quem sabe, feito aguçar a vontade de assistir alguns de seus filmes. Eles não são difíceis de serem encontrados e, com certeza, fáceis de serem apreciados.
Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema, para ele um lugar mágico e sagrado, de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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7 comentários:

Mr. TV disse...

Muito bom :)

Mr. TV disse...

Muito bom :)

Alan Raspante disse...

Uma das maiores e melhores atrizes de todos os tempos. Com certeza! Adoro ela em "A Malvada" e "Uma Estranha Passageira". Falar do quanto "O Que terá Acontecido a Baby Jane?" chega a ser clichê, rs

Excelente texto. Muito bom mesmo!

Wanderley Elian Lima disse...

Parabéns Serginho pelo texto. Muito bom, completo.
Bjux

David Ramos disse...

Serginho vc foi muito feliz no seu texto... parabens!
Gostei muito!
Gosto de Bette por demais!
Bjs

Day Louredo disse...

Rapaz, eu tenho um pouco de preguiça de comentar, mas seu post foi ótimo, boa escrita e riqueza nos detalhes, meus parabéns, continue evoluindo!

Marcos Eduardo Nascimento disse...

irmão,

SOBERBOS são o seu amor por nossa Bette e seu português corretíssimo.

Três vivas!!!

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