19 de fev de 2013

Mainstream, Underground e a Babaquice!






Com mais uma edição do Rock in Rio à vista, aquela velha discussão sobre as atrações não baterem com o nome do evento voltaram a pipocar nas redes sociais. Mais especificamente depois de confirmarem Beyoncé como uma das atrações é que se gerou a gritaria e confusão. Mas ei, por quê isso de novo? A Ke$ha estava lá em 2011 e a Claudia Leitte também, voando até.

Provavelmente todo mundo sabe que o Rock in Rio é sim um festival de música pop. O que deve doer é ouvir a palavra "Rock" vinculada à essas atrações, mas vejam só vocês, temos também a palavra "Rio" e o evento acontece em outras cidades, como Lisboa e Madrid. Por que será que não vejo ninguém reclamando disso? ))):

"Tô revolucionando daqui de cima, gente???"


Se não quer sua imagem vinculada à um festival que "de rock não tem nada", simplesmente não compre o ingresso. Agora, se uma banda da qual você goste muito estiver no line-up e você deixar de ir, desculpe o tom da palavra, mas você é um(a) grande babaca.

Para início de conversa, se sua banda favorita tivesse a mesma ideologia que você, de não se "sujar" aparecendo em eventos como esse, eles não o fariam. Money talks e, assim como todos nós, músicos querem ganhar o seu e esperam que seus fãs estejam lá para prestigiá-los. Isso entra no mesmo rol de discussões como aquela de "um fã deixar de ser fã porque a banda/cantor(a) passou a ser popular, tocar no rádio, aparecer na televisão". Eis a chamada Síndrome do Underground.

A Síndrome do Underground pode se manifestar em qualquer pessoa. Os sintomas são: incapacidade de ver e ouvir sua banda favorita na mídia de massa, irritabilidade com pseudo-fãs, alergia à festivais (que seu ídolo está confirmado como atração) com bandas/cantores de outros estilos e por aí vai. O único tratamento é aceitar mentalmente que algo que você acha muito bom, eventualmente poderá ser considerado como algo muito bom por outras pessoas. Caso não seja um(a) retardado(a), essa síndrome passa naturalmente e você continua a acompanhar o trabalho do artista como um bom fã deve fazer.

"Eu vi primeiro!!!!!!"
Obviamente é ~maneiríssimo~ gostar de algo que não é tão popular assim, te faz sentir um tanto especial por ter tido o trabalho (ou sorte) de achar algo que você se identifica. Mas não é ainda melhor quando a sua banda favorita tem demanda o suficiente pra visitar o seu país/cidade/ilha/planeta? Sim, essa é a grande vantagem quando aquele grupo indie enigmático que mistura experimental com eletrônico de algum buraco sujo de Nova York que você tanto gosta ganha fãs e reconhecimento: eles podem fazer shows onde você mora!!!!!!!!!!!!!! 

Não é proibido ser cool e estar mais atualizado do que a maioria; ter um gosto musical diferente é um direito seu. O chato mesmo é menosprezar o mainstream que, querendo ou não, todos fazemos parte. Isso mesmo, pegue um copo d'agua pra ajudar na digestão. You're not that cool ):

Há quem faça o impossível pra parecer o mais descolado da gangue: não assistir o Big Brother, ouvir músicas desconhecidas, ter uma religião muito louca criada por aliens ou coisa do tipo, se vestir como mendigo porque está in, entre outras coisas... Mas a grande verdade é que você ainda tem que acessar a internet, ir ao mercado, andar nas ruas, falar com pessoas "normais" e usar o Instagram em seu novíssimo iPhone 5. Coisas assim meio mainstream, sabe?
Vitor Gomes  
Vitor Gomes, 20 anos, paulistano que agora mora no litoral, está cursando o último ano de Design Gráfico e trabalha como Diretor de Arte. É apaixonado por música antiga, fotografia, design (sério?), café, séries, baladas e barzinhos. Já torceu o nariz para o mainstream, mas perdeu a chatice pela rua. Acha que todo e qualquer momento merece uma trilha sonora e uma foto, talvez por isso não largue do celular.
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