13 de fev de 2013

Max e os Felinos, de Moacyr Scliar





Outro dia fui ao cinema assistir As Aventuras de Pi (Life of Pi, no original). O filme ressuscitou a controvérsia sobre o suposto plágio do autor canadense Yann Martel, que escreveu o livro que deu origem ao filme. A história de Life of Pi teria sido "inspirada", conforme o autor canadense disse após a celeuma, no livro Max e os Felinos, de Moacyr Scliar. Fiquei curioso para comparar as histórias, e fui procurar o livro. 

Apesar de toda a comoção a respeito do plágio, o livro brasileiro não é fácil de ser encontrado. Tive que esperar quase duas semanas para receber meu exemplar, uma edição de bolso da L&PM. Essa edição contém, além da obra original, um artigo de Moacyr Scliar falando sobre a disputa em relação à originalidade da história, e um artigo de Zilá Bernd sobre as interpretações para os acontecimentos em Max e os Felinos e Life of Pi. Os dois textos são interessantes, contextualizando a história principal. Entretanto, recomendo, para os que não gostam de spoilers, deixar o artigo sobre as interpretações e comparações entre as duas tramas para ser lido depois, porque ele resume toda a história, inclusive seu final. 

Max e os Felinos em si é uma história curtinha. Divide-se em três partes, cada uma dedicada a um felino específico, representativo de uma fase da vida do personagem principal, Max. A primeira parte é dominada por um tigre e remonta à infância de Max, sua educação, sua personalidade. Nessa primeira parte são lançados os acontecimentos que levarão Max a fazer sua longa jornada, fugindo do nazismo na Alemanha, saindo do porto de Hamburgo em direção ao sul do Brasil. 

Viajando em um navio que sofre um naufrágio, Max acaba preso em um bote salva-vidas com um jaguar. A segunda parte, exatamente a que gerou as comparações com o livro de Yann Martel, trata do tempo em que Max fica preso no bote com o jaguar, o felino representativo desse período. Para quem conhece a história de Life of Pi, não há como não fazer comparações. As situações colocadas por Scliar são muito mais simples e diretas que as existentes na história de Martel, possivelmente pelo próprio tamanho da obra: o livro Max e os Felinos, em sua edição de bolso, tem cerca de 80 páginas dedicadas à trama em si, enquanto As Aventuras de Pi, tradução da editora Nova Fronteira da obra de Yann Martel, tem 424 páginas. Assim, a luta de Max para sobreviver junto com o jaguar em um bote salva-vidas é descrita sem a riqueza de situações da obra canadense; pelo contrário, Max praticamente cai numa rotina para sobreviver com o jaguar, até ser salvo por um navio brasileiro. Essa segunda seção conta ainda a adaptação de Max em solo brasileiro: sua adequação e integração à sociedade, suas dificuldades e conquistas. 

A terceira parte narra o estabelecimento definitivo de Max no país. Aqui, Max enfrenta a onça-pintada das terras brasileiras. Uma breve pesquisa na Wikipedia permite ao leitor verificar que um jaguar e uma onça-pintada são o mesmo animal; não sei se o detalhe escapou ao autor ou se era realmente seu objetivo usar o mesmo felino em duas situações, apenas com nomes diferentes, já que jaguar nao é um nome comumente utilizado no Brasil, e sim no exterior, enquanto a onça pintada faz parte do imaginário brasileiro. 

Em todas as três partes, os felinos (ou o que Max imagina que eles representam) são os grandes opositores do personagem principal: são a representação do que oprime Max, do que lhe traz angústia. O livro conta, portanto, a luta de Max para derrotar ou, no mínimo, se ver livre dos felinos do título, e o final da história é bastante de acordo com a linha da obra. 

Max e os Felinos é um livro de leitura rápida e fácil. Sua história, em comparação com o espetáculo visual do filme Life of Pi, fica um pouco apagada, e mesmo como obra individual apresenta algumas inconsistências e um ritmo que, na minha opinião, tornam a leitura menos agradável do que poderia ser. 

Certamente não é o melhor livro de Moacyr Scliar, mas ainda assim um livro interessante.

Por A. Santos
Leandro Faria  
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