6 de fev de 2013

O Lado Bom da Vida, de David O. Russell





Então vamos falar desse filme com o singelo nome de O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, no original). Fiquei sinceramente curiosa sobre como um filme com o Bradley Cooper e a Jennifer Lawrence e com esse título tinha recebido tantas indicações ao maior prêmio do cinema mundial, o Oscar. E lá fui eu assistir. 

Tem esse cara, o Pat Solitano (Cooper), que passou uma temporada numa clínica por conta de uma crise acentuada pela sua bipolaridade. Ele dá um jeito de sair da clínica, mesmo não estando equilibrado. Abraça uma filosofia de ser mais positivo, acreditando que se fizer tudo certo (o contrário do que acredita ter motivado a crise generalizada em sua vida), tudo vai voltar pro lugar, principalmente seu casamento. Mas, vejam bem, o estopim da crise dele foi justamente algo relacionado ao seu casamento, à esposa Nikki, que, digamos, não compartilha dos mesmos objetivos. Na sua busca pelo “lado bom da vida”, ele conhece Tiffany (Lawrence), uma mulher que também não é lá a rainha do equilíbrio, com quem consegue, exatamente por isso, estabelecer um diálogo. 


A storyline podia ser: homem arrasado e viúva arrasada tentam reconstruir suas vidas. 

Ou seja, pode passar a ideia de uma história bem dramática. Mas o drama não protagoniza a história, porque na verdade a história é uma comédia romântica com fundo dramático (teve até um crítico que disse que é uma dramédia. É por aí mesmo.) Vejam bem, há dois personagens saindo de significativas crises pessoais, mas são dois personagens jovens e bonitos. E a história já desde o título sugere que há “o lado bom da vida”. Inclusive o roteiro é todo escrito com viés cômico, pra soar e parecer engraçado, porém com aquela graça dúbia, escorada em algo que não é, por essência, engraçado. Iluminar a natureza tragicômica dos nossos dramas íntimos provavelmente é o maior mérito do filme (ou do livro, já que é uma adaptação da obra de Matthew Quick.)

Acusam o filme de ser uma produção pra Jennifer Lawrence, nova queridinha de Hollywood, ganhar um Oscar. Não sei. Acho que todo o elenco foi um acerto do filme, todos muito bem, mas acho que quem se destaca mesmo é o Bradley Cooper. Tinha uma certa resistência com ele porque nunca o tinha visto num papel relevante. Que eu me lembre, ele só fez filmes medianos, cujos personagens não exigiam grande coisa além da beleza que ele tem. Não sei se ele escolhia mal os seus papéis ou se era só o que aparecia, mesmo. Mas este papel exigia, e acho que ele se saiu muito bem. Ele não transformou seu Pat numa caricatura, que era o risco intrínseco. Encontrou o tom certo pra história, defendeu seu personagem com precisão. Enfim, convenceu, e mostrou que pode fazer mais do que o colocam pra fazer normalmente. Ouso dizer que está pronto pra papéis mais sérios e desafiadores. 


Como eu disse, todo o elenco está muito bem. Robert de Niro sempre excelente, e a Jennifer Lawrence também numa boa atuação, mas a verdade é que sua personagem não demanda tanto dela a ponto de ser considerada uma atuação maravilhosa ou surpreendente. O roteiro não a favorece, não favorece as sutilezas que poderiam dar à sua personagem uma outra estatura. Como eu não li o livro fico com receio de dizer que seja um problema específico do roteiro ou se já acontecia no livro. Mas o fato é que Tiffany não é uma personagem tão bem formatada quanto Pat. Sua história não é tão bem construída e falta uma certa consistência nela como um todo. Jennifer Lawrence está bem, mas como a personagem não é isso tudo, também não acho atuação pra Oscar. Mas como nunca se sabe o que esperar do homenzinho dourado, pode ser que ganhe mesmo assim. 

Gostei bastante do filme, reforço o time dos que o consideram cativante como uma silver lining, até porque ele usa aquele recurso que muitos de nós adoramos, que é o dos filmes de dança. Delícia ver referências à Dirty Dancing e Vem Dançar Comigo. Acho que é um filme que merece ser visto, que vai agradar muita gente, e que mereceu suas indicações ao homenzinho dourado. Só não acho que seja um filme tão bom pra ganhar.
Por Lya Quadros
Leandro Faria  
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