7 de mar de 2013

A Busca, de Luciano Moura





Dois gêneros muito conhecidos do cinema são os road movies e os dramas familiares. Novidade é quando um único filme mistura os dois gêneros, caso desse A Busca, do diretor estreante Luciano Moura, estrelado por Wagner Moura e Mariana Lima, com participação especial de Lima Duarte. E se a intenção do diretor era entregar ao público um filme controverso, ele conseguiu seu objetivo. Porque eu, ao sair da exibição de uma das pré-estreias cariocas do longa, ainda não sabia se tinha gostado ou não do que vi. E vou explicar os motivos disso no decorrer dessa resenha.

A trama acompanha a jornada do médico Theo que, devido a uma crise em seu casamento com Branca, acaba tendo sua relação com o filho Pedro um tanto quanto prejudicada. Depois de uma grande discussão familiar entre os três, o jovem Pedro simplesmente some e o pai parte em busca do filho, seguindo pistas avulsas e contando com a boa vontade das pessoas que cruzaram o caminho do garoto. Durante essa busca, o próprio Theo passará a enxergar a vida e o filho de maneira diferentes e mais "madura".

Um dos problemas do filme, para mim, é que ele demora muito a engrenar. O início é arrastado e, por vezes, chato demais. Parece que o diretor Luciano Moura quis fazer um grande prólogo que mais parece um vídeoclipe estilizado, o que soa cansativo no início. Comecei a me interessar pela história apenas depois que Pedro já havia sumido e os pais do garoto descobrem que ele estava viajando para algum lugar na companhia de um cavalo. Sim, você leu certo: um cavalo.


Além disso, não sei o que o roteiro queria enfatizar ao cercar Theo de pessoas totalmente alheias à sua dor de pai em busca do filho. Que pessoa, em sã consciência, ouviria a história daquele pai e continuaria tocando a vida, sem ao menos dar um pouco de atenção para aquele homem? Pode ser que a resposta esteja na condição financeira discrepante entre os personagens, talvez querendo mostrar que para pessoas pobres e com outros mil problemas a dor de um homem rico não importa tanto quanto a deles próprios, mas soou bem esquisito na tela.

Outro problema para mim foi a escalação do elenco de apoio. Que atores ruins cercam Wagner Moura na história! A cara de paisagem das pessoas e um texto praticamente lido por alguns personagens não me faziam ficar conectado de forma alguma com os personagens e, como eles apenas passavam pelo Theo de Wagner Moura, eu só queria que ele saísse logo de algumas situações e continuasse sua busca para longe daquelas pessoas.

Em compensação, Wagner Moura mostra bem porque é um dos melhores atores atualmente no Brasil. O Theo construído por ele em nada lembra seus outros papéis no cinema e é fácil acreditar naquele homem, apesar de suas atitudes um tanto quanto incoerentes para um pai que tem um filho desaparecido (e isso é culpa do roteiro, não do ator). Mariana Lima também está bem como a mãe que aguarda o retorno do filho e do marido e Lima Duarte faz uma participação luminosa na história. Já Brás Moreau Antunes, estreante que vive o jovem Pedro, é ruim de doer; ainda bem que ele aparece pouco na história.


Contando com poucos momentos inspirados e outros muitos longos e arrastados, A Busca poderia ser um filme bem melhor se contasse com um roteiro mais bem acabado e uma direção mais experiente. O que vale é o bom trabalho de Wagner Moura que, como sempre, não decepciona.

No fim das contas, enquanto os créditos finais iam sendo apresentados, eu só pensava em uma coisa: se eu fosse Theo e tivesse um filho como esse tal de Pedro, ele não iria deixar de receber umas boas porradas e um bom castigo. Mas, pode ser por isso que eu não tenha filhos e não tenha entendido muito bem o "lirismo" apresentado em A Busca que, par mim, soou despropositado e, por vezes, inocente em todo o filme, principalmente em seu final. 

Ou seja, durante a busca pelo filho de Theo, encontrei apenas muito tédio e poucos momentos inspirados. Para mim essa viagem não foi tão boa quanto poderia ter sido.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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