18 de mar de 2013

Cadê a Graça, Bial?






Cadê a graça, Bial? Lembro quando dezembro chegava em sua reta final e eu começava a contar os dias para chegar janeiro. Com o novo ano, também eram revelados os novos participantes do Big Brother Brasil. Além das novas caras, me perguntava quais novidades Boninho e sua turma trariam para o novo jogo. Mas, desde que foi exibida a épica décima edição, as coisas parecem a cada novo ano caírem no marasmo dos participantes. 

Lembro como se fosse ontem do primeiro BBB. Eu, como espectador, era totalmente inocente. Boninho, como diretor, nem tanto, mas estava descobrindo o mundo novo do reality show fora da selva. A graça do primeiro programa veio em pequenas doses de bebida liberada e através de Leka, André Gabeh e do jogador sem papas na língua, Adriano. Não posso esquecer dos barracos promovidos por Cris, Bruno e, mais uma vez, Leka. Mas, como bem disse, éramos inocentes. Estávamos descobrindo o que era aquele jogo e como deveria ser (ou não) jogado. Tanto é que a primeira vez que uma eliminação pareceu injusta e sem noção veio na segunda edição. Tina, a grande favorita do público surtou, mas não perdeu sua torcida com isso. O ano era 2002 e nós, aos poucos, íamos descobrindo que a pólvora de confinar pessoas diferentes realmente existia. E mesmo o favoritismo perante o público não garantia a permanência de um participante no jogo por muito tempo. 

O Big Brother Brasil 3 foi o primeiro em que vi alguém jogar claramente e vencer. Dhomini sabia que ser odiado dentro da casa não significava ser eliminado, contando que o público gostasse e, mais ainda, comprasse sua briga. Em meio ao clima de incertezas, o então jogador Dhomini foi mocinho e o vilão Jean Massumi acabou caindo em sua estratégia.

Entretanto, isso tudo foi servindo para que os espectadores ficassem espertos e não aceitassem, em algumas edições, o mais do mesmo. Se no terceiro ano o programa foi jogado e o público não percebeu, ou pareceu entender aquele tipo de “jogo”, o quarto ano foi de nitroglicerina pura. Primeiro veio a polêmica e o tiro no pé de sortear pessoas através de uma revista, para se juntar aos selecionados. Não sem antes o público decidir, em um programa especial exibido dias antes da estreia, outros candidatos que também entrariam na casa. Essa novidade, na verdade, foi uma prática que começou no ano anterior (quando Juliana entrou no BBB3 graças ao voto do público, o que durou só até o BBB4). Mas o que quero ressaltar aqui foi o festival de brigas promovido no quarto ano. No primeiro dia, poucas horas depois de entrarem, Tatiana Giordano e Juliana protagonizaram o primeiro e marcante barraco: “Eu, pro resto da minha vida vou ser a Tatiana Giordano e você, pro resto da sua vida vai ser a merda da Juliana.”. Além da festa Italiana onde Sol e Marcela perderam a compostura e se agrediram verbalmente. 

Mas ninguém estava preparado para o BBB5: 3 participantes x o resto da casa. Jean, Grazi e Pink foram os heróis versus comentários maldosos e combinações de votos dos “inacreditáveis”. O programa já fazia sucesso anos antes, mas a quinta edição veio com tudo. E, em minha opinião, superou qualquer edição anterior do programa. Não tivemos só vilões, mas jogo sobre jogo. Tudo bem que a produção deu uma mãozinha na prova do líder vencida por Jean, onde o tema foi o próprio programa ao redor do mundo, mas as interações ente os jogadores, mais uma vez, garantiu a boa audiência e o interesse do público pelo reality.


Mas o previsível marasmo veio na sexta edição. Ali existia tudo para se ter mais um belo programa, só que nada aconteceu. Nada, literalmente. Entre pequenos bons momentos e grandes marasmos, o segundo venceu. Pode perguntar para qualquer fã do programa qual foi até então a pior edição e muitos, até hoje, vão dizer que foi o fatídico sexto ano. 

Se um ano foi ruim, o próximo pode ser melhor. Para muitos, a salvação veio no ano seguinte: Fani, Alemão e Iris protagonizaram os momentos mais calientes da sétima edição e foi o primeiro trio romântico assumido do programa. Mas também não podemos esquecer o Cowboy Alberto, um dos vilões mais marcantes, após o Doutor Gê, da quinta edição. 

Como fã, acredito realmente que as coisas começaram a mudar no oitavo ano. Tivemos inúmeros barracos e alguns protagonistas, mas foram as mulheres que roubaram a cena. Natália Casassola, por exemplo, foi quem fez as noites insones serem mais exóticas com seu jogo de perguntas sobre sexo. Seu jeito menina moleca e suas frases polêmicas, como “carinho você recebe de pai e mãe, de homem você quer porrada”, fizeram da sua participação uma das mais marcantes. Tudo bem que ela acabou não levando o prêmio, mas abriu portas para personagens mais polêmicas garantirem mais tempo no jogo no futuro. 

No nono ano quem não se lembra de Priscila? A primeira periguete a sobreviver ao primeiro paredão e ir até a final? Pois é. Lembro de vários acontecimentos dessa edição, começando pela primeira eliminação, que não foi a dela. Pela primeira vez desde sua estreia, uma personalidade polêmica foi ao primeiro paredão e não foi eliminada.. Isso, sem sombra de dúvidas, deu novo fôlego ao que se via. Afinal, a boa moça, modelo e sem sal, foi a eliminada. O público abraçou alguém sem problemas em assumir ser do jeito que bem entende. Até hoje não entendo Max vencer Priscila na grande final. Mentira, entendo sim. Apesar de evoluirmos ano após ano, casal sempre tem um apelo maior, mesmo quando é fake

Só que um twist promovido por Boninho na décima edição acabou dando um novo gás que ninguém imaginava. Se o quarto, quinto e nono ano eram os mais marcantes pra mim, nada se compara, até hoje, ao Big Brother Brasil 10

Quem nunca sonhou com um Big Brother All Stars? Favoritos do público e de várias edições concorrendo novamente ao prêmio? Pois é, mas isso ainda não aconteceu. O que vimos foi o retorno de odiados, queridos e samambaias. A ideia era simples: um grupo (a casa foi dividida por grupos) receberia um ex-BBB após vencer a prova de resistência e esse BBB poderia trazer outro ex-BBB para o jogo. E foi assim que Joseane se tornou líder e levou Dourado para a casa do BBB10. Nem preciso dizer que até hoje o programa conseguiu reunir em uma só edição elementos que deram certo nos anos anteriores, além de criar sua própria dinâmica. A surpresa do retorno de ex-participantes levou por terra possíveis personagens criados antecipadamente pelos novatos. Com a chegada dos antigos, vimos candidatos “sem máscaras”, o que deu um tempero todo especial à edição.


O que vem após um bom ano é a expectativa para o próximo. Todo mundo pensou que o BBB11 fosse repetir a fórmula do ano anterior (que Boninho anunciou previamente: seria uma edição sem ex-BBBs) e cair nas graças do público, mas isso não aconteceu. Apesar das inovações e uma mulher com características exibidas por Fani, Natália e Priscila ter vencido o jogo. A décima primeira edição começou a apresentar um cansaço na fórmula original apresentada dez anos antes. 

Ano passado, polêmicas existiram, mas aos poucos o que senti no BBB12, foi Boninho largando o programa de mão. Tivemos uma edição morna, sem grandes novidades e sem sal. O retorno ao básico da primeira edição só mostrou o que havíamos visto após o décimo programa. Isso foi tão notório que uma das mudanças previamente anunciadas e acertadas antes mesmo de ser encerrado o BBB12, foi que para a 13º edição o retorno de veteranos estaria garantido.

E qual foi o grande problema desse ano? O que houve para o programa “não acontecer?”. Bem, vamos aos fatos. O retorno de favoritos do público mostrou que existe uma armadilha. Natália, que já citei lá em cima, por exemplo, era uma das mais lembradas da oitava edição e com carinho pelo público. Com medo de se queimar ou que suas atitudes não agradassem “quem deixou aqui fora”, ela se isolou e tornou-se um ser insosso e à parte dos grandes e pequenos acontecimentos da casa, aparecendo só nas festas e após beber enlouquecidamente. 

Mas não foram só simples ex-BBBs que retornaram. Boninho trouxe dois vencedores. Bambam, da época em que éramos inocentes e Dhomini, jogador queridinho do público. Mas o que aconteceu? Eles se garantiram no que fizeram lá atrás e decidiram não viver o agora. É como se não fosse preciso jogar no BBB13, já que cada um fez isso, à sua maneira, na primeira passagem pela casa.

Bambam, percebendo que as coisas poderiam fugir ao seu controle, assim como fez na primeira edição, pediu para sair. Diferente do que rolou em 2002, Boninho não segurou a onda do moço e deixou que fosse embora. É aí que as possibilidades se mostraram interessantes. Sem o ex-campeão, quem poderia retornar e dar ritmo ao jogo e talvez mudar um pouco os acontecimentos? Yuri, do sem sal Big Brother 12. Sim, menos de um ano e retornando ao confinamento. O que poderia ser positivo para ele e para o jogo, entretanto, acabou não sendo. De imediato, até que tudo se tornou favorável para o lutador. Mas, com o passar dos dias, Yuri caiu no grande pecado que é a soberba perante os companheiros, por acreditar que o público era seu grande aliado. Ele não estava sonhando, mas decidiu se exibir na semana errada, justo na época que seu favoritismo caia no esquecimento. E foi também assim com Dhomi, Maroca, Eliéser e, por último, Fani.


O que esses ex-Big Brothers fizeram de errado? Nada. Todos acreditavam que o que se passou com Dourado fosse se repetir com cada um. O que se esqueceram é que cada edição vai se montando com o passar dos dias, dos paredões e dos acontecimentos. Lá atrás, em 2010, a entrada de Dourado gerou nos outros participantes a sensação de estarem diante de alguém que sabia jogar, era desagradável e, por isso, precisava sair logo. O público, por sua vez, foi se apegando aquele cara que foi escorraçado uma vez, no BBB4, e que se mostrava frágil à sua maneira. Não vou dizer que ele não jogou, mas a forma com que conduzia os acontecimentos acabou levando boa parte do público junto com ele. Assim como aconteceu com Maroca ao receber a falsa eliminação, Dourado ganhou o poder supremo e se tirou do paredão. O público (o grande jogador) foi dando elementos para a dinâmica acontecer, assim como a produção foi acrescentando pequenas reviravoltas e os participantes, sem perceber, se jogaram de cabeça e sem personagens montados. 

Nesse ano de 2013, o programa começou de forma segura. Boninho tentou inovar em alguns momentos e até conseguiu isso com sua primeira ideia de eliminar alguém e dar 24 horas de áudio e vídeo para que essa pessoa tentasse descobrir o que rolava na casa e, assim, no seu retorno, gerar atrito. Outra ideia, o “Parece Mas Não É” acabou sendo um tiro no pé. Sentimos dó de Fani ao se envolver com o ator argentino e, sejamos honestos, ele não provocou nenhuma mudança significativa no jogo.

A graça do Big Brother está em ser diferente. Talvez no próximo ano, somente com ex-BBBs competindo seja uma boa ideia. Agora que o público sabe como é ter dois tipos de ex-participantes, a forma de selecionar quem deve ou não retornar pode ser diferente e surpreender. Além, é claro, de ser preciso uma seleção mais afiada de futuros novatos para o programa. Esses dois elementos combinados são a salvação do reality. Independente do retorno de Fani, Anamara, Eliéser, Dhomini, Natália, Yuri e Bambam, os novos morados conseguiram ganhar espaço. Aline, Kamila, Nasser e Fernanda, por exemplo, são os mais marcantes desse ano e, assim como aconteceu com Anamara – novata no BBB10 e veterana no BBB13 – eles podem retornar no futuro para jogar mais uma vez. 

Dependendo do formato que seja adotado no próximo ano, muita coisa pode acontecer. Ainda acredito que exista uma vida longa ao programa, mas tudo vai depender de quem estiver jogando dentro e fora da casa. Porque somente assim, Bial, a graça do programa vai continuar!

Leandro Faria  
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4 comentários:

Shirley disse...

muito bom esse flashback dos bbbs passados, escrita impecavel e conseguiu me fazer revirar os olhos pra tentar lembrar dos personagens, das polêmicas... rs. parabéns, abraço! ;-)

campanha Dilma presidente disse...

CARA VAI PROCURAR UMA MULHER
UM SER HUMANO QUE ESCREVE SOBRE BBB
É DEPRIMENTE

Daniel disse...

Você contava os dias em dezembro??
nossa hein.....
MAN GET A LIFE!!!!!!!!!

Andréa Tavares disse...

o engraçado é quem ta aqui criticando o post.. clicou sabendo que era assunto do bbb, leu o texto inteiro e agora quer criticar..aff... falta do que fazer é de vcs..

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