29 de mar de 2013

Catfish, de Ariel Schulman e Henry Hoost






Quando comecei a usar a internet com frequência, lá no início dos anos 2000, uma das coisas que mais me fascinavam na rede era a possibilidade de conhecer qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo, a um simples clique. Eu estava lá no interior do estado do Rio e, mesmo assim, podia conversar com pessoas tão fascinantes, iguais ou diferentes de mim, de qualquer lugar do planeta. Isso era insano. 

Com o passar do tempo, entretanto, vi que nem tudo que me falavam era verdade e que nem todo mundo era o que dizia ser. Uma história em específico, com alguém de nick Anjo Assassinado marcou a todo o meu grupo de amigos virtuais da época (basicamente, uma menina adolescente fingia-se de homem suicida e deixava todo mundo preocupado com suas crises e ameaças de morte). Por isso, foi com verdadeiro interesse que me deliciei com a história de Catfish, um maravilhoso documentário de 2010 que, graças ao comentário de uma amiga, acabei conhecendo somente agora.


A trama é surreal e eu não posso contar muito sem estragar nenhuma surpresa da história. Mas o básico é que Niv é um fotógrafo de Nova York que, dividindo um estúdio com o irmão cineasta Ariel Schulman, passa a ter a sua vida filmada por ele e seu amigo Henry Joost quando uma menina de 09 anos, Abby, o contata pela internet e apresenta seus trabalhos de pintura para o fotógrafo. Empolgado com o talento da criança, Niv acaba envolvido com toda a família de Abby e se encanta por uma das irmãs dela, Megan. Um romance virtual nasce daí e, quando ele decide conhecê-la pessoalmente, uma surpresa atrás da outra se descortina para ele. 

O que posso dizer é que é tudo surreal, no mínimo. Da forma como Niv se envolve com Megan de maneira descompromissada até isso virar uma paixão, da ternura do rapaz no início até sua gana em descobrir a verdade a partir do momento em que ele se vê preso em uma história completamente maluca. Catfish nos fisga de tal forma que mergulhamos naquela viagem absurdamente real e nem sentimos o tempo passar enquanto o documentário se desenrola.



O interessante do filme é que apesar de ser um documentário, do meio para seu final Catfish mais parece um suspense dos bons. Enquanto vamos acompanhando a saga de Niv chegando ao seu final e ele confrontando tudo que o levou até aquele ponto da história, é impossível não ficar de boca aberta e pensando em como as pessoas podem ser completamente doentes!

Como eu sei que tem muita gente que gosta de spoiler e vai ficar curioso para saber do que estou falando, conto o final aqui embaixo. Mas, para não estragar a surpresa de quem não gosta de saber nada do que vai assistir (como eu), quem quiser saber o desfecho dessa história vai ter que passar o cursor em cima do parágrafo seguinte para conseguir ler.

O básico do final de Catfish é o seguinte: apesar da pequena Abby existir, ela nunca pintou nada e tudo não passou de uma forma de sua mãe, Angela, contatar Niv. Angela, para fugir de sua vida infeliz de dona de casa, criou no mínimo 15 perfis no Facebook e mantinha todos atualizados, enganando diversas pessoas com quem mantinha contato. É bizarro lendo assim, mas no filme consegue ser ainda pior. Assista!

A impressão que fiquei ao terminar o filme foi de que ainda somos um tanto quanto ingênuos quando usamos a internet, esquecendo-nos de tomar os mais básicos cuidados. Porque, convenhamos, quase nunca tomamos nenhum cuidado quando conhecemos alguém online.

O sucesso do documentário gerou uma série para a MTV americana com a proposta de desmascarar fraudes virtuais. Eu ainda não vi mas, confesso, planejo fazer isso, tamanho o interesse que o filme me despertou.

Catfish é uma excelente diversão que, além de nos entreter, é capaz de nos fazer meditar e até mesmo pensar nos diversos tipos de pessoas que habitam esse mundo virtual de meu Deus e, mais profundamente, o que motiva cada um a estar (e a mentir) na rede. 

Afinal, se analisarmos bem, quem nunca caiu em uma história virtual? Ou, mais precisamente, quem é totalmente honesto virtualmente, sem nunca ter pregado uma mentirinha que fosse para um desconhecido que conheceu na internet? 

Anote aí, assista e leve a discussão adiante: Catfish é um documentário que merece a sua atenção!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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2 comentários:

Paulo Adriano Rocha disse...

Pois é, cara... e eu tava lembrando um dia desses do "Anjo Assassinado", foi um episódio realmente marcante.
Pior ainda é que, mesmo depois daquela história ainda tive problemas com outra pessoa, no orkut. Ou seja, não aprendi de primeira... Coisa altamente bizarra e, mesmo a pessoa sendo aqui de Recife e de termos amigos reais em comum, nunca cheguei a conhecer pessoalmente.
Em compensação,conheci outras pessoas reais (como tu e Plis, que dá pra ver na lista do e-mail corporativo. Hahaha) e boa parte da galera da máfia, que, mesmo eu nunca tendo visto, VOCÊS já se vêem e podem afirmar que são reais.
Tem muita coisa oculta na net, por isso é sempre bom se precaver, mas é o fato de ser tudo online já seduz tanto... rsrs.

Francine disse...

Ainda bem que não conheço esse tal anjo assassinado aí. Só sei que a máfia era cheia de gente muito legal, tanto online quanto ao vivo! Bons tempos...

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