11 de mar de 2013

Charlotte Street, de Danny Wallace





Não há nada como um bom romance água com açúcar! Uma leitura escapista e leve pode fazer um bem enorme para a mente, que se projeta em uma historinha sutil e proporciona momentos de muita descontração. E, para mim, não há nada melhor na literatura desse tipo do que os autores ingleses e sua fina ironia e situações adoravelmente bobas. 

Prova disso é o sucesso recente de obras como O Diário de Bridget Jones, de Helen Fielding, e Um Dia, de David Nicholls. Charlotte Street, de Danny Wallace, poderia facilmente fazer parte desse rol de agradáveis livros, se não fosse por um pequeno detalhe: a história cansa em vários momentos e só começa a empolgar em seu quarto final. 

A premissa é mais do que interessante: Jason Priestley (sim, um homônimo do ator que deu vida a um dos principais personagens da clássica Barrados no Baile) leva uma vida de merda. Depois de terminar com sua namorada, se vê dividindo um apartamento mínimo com seu melhor amigo, Dev, sem um emprego decente ou qualquer perspectivas profissionais. Um belo dia, caminhando pela Charlotte Street do título, uma das principais ruas de Londres, ele esbarra literalmente em uma garota desconhecida. Desse "encontro" resta apenas uma câmera descartável perdida que Jason acaba revelando e uma busca por uma Garota que pode ser a salvação para seus problemas.

Parece um bom romance, não é mesmo? Seria, se esse fosse o foco. Romance mesmo, de verdade, é apenas insinuado. Charlotte Street é mais uma história de auto-conhecimento do personagem principal que, aos poucos, acaba sendo modificado pelas circuntâncias que o cercam. Porque, convenhamos, o Jason que conhecemos no início do livro é um babaca. 

Acomodado, Jason é um escritor de críticas para um jornal gratuito londrino, o London Now, e age exatamente como imaginamos que a maioria dos críticos faz: escreve baseado em impressões que não teve e inventa descaradamente informações sobre o que deveria avaliar. Além disso, Jason é chato demais! Praticamente todas as suas ações até o quarto final do livro são motivadas pelos demais personagens e não por ele mesmo. E apenas quando ele parece acordar para a vida é que a história passa a se tornar um pouco mais cativante. Pena que isso só aconteça bem perto do fim, quando você já pode ter criado uma antipatia irreversível para com aquela história.

Bem mais longo que o necessário em suas 399 páginas, o autor Danny Wallace perde a oportunidade de criar uma história envolvente em Charlotte Street e acaba se perdendo em seu projeto. O que era para ser uma declaração de amor à Londres, acaba se tornando um trabalho equivocadamente arrasatado e cansativo em muitas ocasiões. Com personagens mal desenvolvidos e sequer bem descritos, o livro promete muito e entrega quase nada em seu final.

Entretanto, Charlotte Street não é um desastre total. Para quem conhece Londres, será divertido "passear" pela cidade com os personagens, identificando aqui e ali, lugares que você mesmo pode conhecer. Para quem nunca foi à capital da Inglaterra, a leitura pode proporcionar uma diversão descompromissada, se encarada como frugal e levemente escapista.

Se Hellen Fielding e David Nicholls já apresentaram obras extremamente simpáticas como as que cito no início desse texto, ainda falta um pouco mais de cuidado e boa mão para que Danny Wallace chegue a esse patamar. 

Se vale a pena? Depende do seu gosto e do que espera de um romance água com açúcar.

Charlotte Street
Autor: Danny Wallace
Páginas: 399
Editora: Novo Conceito
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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