8 de mar de 2013

Dezesseis Luas, de Richard LaGravenese






Dizem que Dezesseis Luas veio para substituir a Saga Crepúsculo – mas, a meu ver, não sei se chegará a tanto. Isso não quer dizer que o enredo seja ruim; simplesmente acredito que poderia ter uma pouco mais de ação na trama. O tempero é bom: bruxas, feitiços, amor, a luta do bem contra o mal. E quem já assistiu filmes como O Pacto e Harry Potter irá observar algumas semelhanças, tais como estar em contagem regressiva para ascender seus poderes aos dezesseis anos ou ser considerado um conjurador ao invés de bruxo.

A trama se passa em Gatlin, uma pequena cidade nos cafundós da Carolina do Sul, com uma população tipicamente religiosa e preconceituosa, onde nada passa despercebido a seus sábios moradores, motivo pelo qual temos uma leve pimenta na história. Nosso nobre mortal Ethan (Alden Ehrenreich), é o típico adolescente que não liga para muitas coisas, já que seu principal desejo é conhecer outros lugares e nunca mais voltar para a cidade natal. Isso acaba ficando de lado após a chegada de Lena (Alice Englert), a garota que já morou em vários lugares e chega para chacoalhar a estrutura pacata da cidade.

Outro ponto marcante é a rejeição imediata das “garotas populares” da escola a Lena, devido ao fato da jovem ser sobrinha do velho Ravenwood, um maluco egocêntrico e dono das terras da cidade, e por ter conquistado a atenção especial de Ethan. Lena tem um o temperamento explosivo e tem que aprender a lidar com toda a turbulência que lhe aparece, além do dilema de vencer a maldição que assola a família e não se tornar uma bruxa das trevas.


Quem teve a oportunidade de ler o livro antes de ver o filme ficará um pouco decepcionado, já que os pontos mais interessantes da história foram deixados de lado. No livro, Lena é uma moça de cabelos negros e brilhantes olhos verdes descritos como sendo de um tom completamente fora do normal; no filme acabou sendo uma jovem expressiva de cabelos ligeiramente avermelhados e nada dos fascinantes olhos verdes. Outro ponto interessante no livro é o fato de Ethan sonhar com Lena por vários meses antes de conhecê-la, ter uma música misteriosa em seu iPod que simplesmente desaparece quando ele tenta contar para alguém e, o mais interessante, eles conversam por telepatia. Essas pequenas sutilizas, ao meu ver, fizeram falta no filme.

Isso não quer dizer que o filme não é interessante. Não, naada disso, pois nesse caldeirão ainda fervem as complicações de Lena se apaixonar por um mortal e lidar com as intervenções familiares, sonhar com a possibilidade de viver como uma adolescente normal e, claro, driblar sua nobre mãe, a mais poderosa bruxa das trevas, que procura garantir a guerra de nervos por todos os lados e deixar bem claro seu total desprezo pelos humanos.

Como ponto positivo, temos o prazer de ver atuação de Emma Thompson (Sarafine, mãe de Lena), que encarnou com classe a bruxa sedenta por poder, e Jeremy Irons (tio Macon Ravewoods), que conduz seu personagem em cenas de comédia e drama com uma perfeição incrível, mantendo o suspense até o final.


O toque especial fica por conta da força do amor verdadeiro entre Ethan e Lena, colocando na balança até que ponto vale a pena lutar por um sentimento e abrir mão de sonhos e até mesmo de sua própria vida.

As tomadas externas são belíssimas e minhas preferidas são as da abertura do filme, quando Etham corre pela cidade, a vista da varanda da casa do tio Macon quando Lena está sentada no jardim, deixando bem claro que o filme foi rodado na região sul dos EUA. Vale dedicar também uma certa atenção para as cenas relacionadas a Guerra Civil, que são suavizadas por toques referentes ao filme ...E o Vento Levou, uma verdadeira jogada de mestre que serviu para intensificar mais a ainda a força do romance entre os personagens principais.

Agora vamos aguardar o restante da saga, pois uma coisa é certa: quando o amor e o poder estão em jogo, tudo é possível!

Leandro Faria  
Você curte cultura pop e também quer dividir suas impressões com o resto do mundo? Se gosta de escrever e está preparado para ser lido, entre em contado conosco através do email popdebotequim@gmail.com e teremos o maior prazer em publicar suas críticas e textos sobre o mundo pop. Não perca tempo e venha já fazer parte da nossa equipe!
FacebookTwitter
Para receber os artigos do PdB por email e ficar por dentro de tudo que rola em nosso botequim, basta inserir seu contato abaixo e, pronto! Os melhores artigos, servidos de bandeja para você, da maneira mais cômoda e prática da internet:




0 comentários:

Share