28 de mar de 2013

Os Croods, de Chris Sanders e Kirk DeMicco






Acho que há muito tempo os adultos deixaram de usar as crianças como desculpa para irem até os cinemas assistir a uma animação. Mais precisamente, desde que a Pixar revolucionou os filmes "infantis" com Toy Story e que a Dreamworks subverteu o gênero com o primeiro Shrek, é absolutamente normal que os mais velhos encham as salas de projeção e sejam brindados com tramas que podem até ser feitas para crianças, mas que não deixam de ser pensadas também para os adultos.

E se Detona Ralph ganhou os corações saudosistas com sua trama sobre o mundo dos videogames, esse Os Croods (The Croods, no original) parecia, pelo menos em seu trailer, mais uma boa produção voltada para a família se divertir nos cinemas. Pode ter sido aí o meu erro: esperar demais e me frustar com o que me foi oferecido.


Antes de avançar um pouco mais com minhas impressões, é interessante saber que os tais Croods que dão nome ao filme são uma família pré-histórica comandados pelo pai linha de ferro Grug e pela mãe Ugga. Juntamente com a vovó, vivem ainda os filhos do casal: a pequena Sandy, o atrapalhado Thunk e a jovem Eep. Com medo do mundo e seus perigos, a família vive enfurnada em uma caverna, saindo dela apenas para caçar e se alimentar. Até que em uma fuga noturna, a revoltadinha Eep conhece Guy e se dá conta que o mundo que conhece está chegando ao fim. Quando a caverna em que a família vive é destruída, assim como todo o mundo à sua volta, desbravar o desconhecido passa a ser necessário.

Como vimos nos quatro A Era do Gelo, é possível que uma animação retrate a pré-história e seja divertida. Mas, quando a plateia foi acostumada a uma boa história com um pouquinho de duplo sentido e piadas especialmente para adultos, ela fica mal acostumada.

O pecado de Os Croods reside em, desde o início, ele se apresentar como um filme cheio de lições de moral. Grug, o pai da família, é chato de doer com seus discursos sobre a importância do medo e de viverem todos unidos em sua caverna. Até mesmo a chegada de Guy é um cenário para, mais à frente na história, sermos bombardeados por mil lições e frases feitas que, sinceramente, dão um pouco de sono e servem apenas para o final redentor de um pai super-protetor. Zzzzzzzzz

Mas, não me entenda mal. Os Croods não é um filme de todo ruim. O tom tatibitati e o excesso de frases feitas e lições é que pode cansar alguns adultos que esperem um pouco mais da trama. Para as crianças, entretanto, a diversão será garantida. A sessão que assisti, por exemplo, estava lotada de crianças que gargalhavam das tiradas do filme e se surpreendiam com o visual apresentado na tela do cinema.


Visualmente arrebatador, com cores fortes e com uma fotografia deslumbrante, se a versão assistida for em 3D, prepare-se para um filme em que o uso da tecnologia é utilizado em favor do filme e não o contrário. Eu, que normalmente questiono o 3D gratuito, consegui me divertir com os efeitos do longa, nem mesmo me cansando dos óculos, o que normalmente acontece, durante todo o filme.

Aparentemente pensado para ser uma história de família para a família, Os Croods é uma boa diversão escapista que, se não marca época, também não é totalmente descartável. Se as piadinhas são bobas e não existem muitas referências significantes, os bons momentos e as gargalhadas das crianças menores certamente valem a pena.

Mas, não se iluda e use as crianças como desculpa para você mesmo se divertir com o filme. Sendo bem sincero, não tenha medo de passar essa bola para outro tio/tia ou apenas para os pais/irmãos. Não fará nenhuma falta em sua vida se deixar essa história para uma outra ocasião, como um domingo chuvoso em que não tenha mais nada de bom passando na televisão.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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