25 de mar de 2013

Pop Séries: Sai de Baixo





Gênero bastante comum nos EUA, as sitcoms são, provavelmente, o tipo mais apreciado de séries, até mesmo aqui no Brasil, onde as comédias de situação remontam ao início da própria televisão. Com o passar do tempo, porém, programas de humor que enfileiravam uma série de esquetes tornaram-se mais comuns e “apreciados” pelo público brasileiro. Assim, criada em 1996 por Luis Gustavo e Daniel Filho, Sai de Baixo entrou no ar nas noites de domingo, num horário considerado por muitos como difícil, após o Fantástico, sem muita expectativa. A sitcom brasileira, entretanto, acabou surpreendendo com um inesperado sucesso graças à sua forma debochada e eficiente.

Gravado em um teatro com plateia, Sai de Baixo possuía um formato há muito não utilizado no Brasil, mas que durante muitos anos foi consagrado na televisão nacional, inspirando-se claramente no clássico brasileiro dos anos 60, Família Trapo. Escrito por um grupo de roteiristas capitaneados por Miguel Falabella, Rosana Hermann, Maria Carmem Barbosa e Euclydes Marinho, a série centrava-se na vida de uma típica família de classe média de São Paulo que vivia no Largo do Arouche. Depois de uma auditoria da Receita Federal nas contas pessoais de Caco Antibes (Miguel Falabella), o picareta tem de se mudar com a esposa burra Magda (Marisa Orth) e a sogra Cassandra (Aracy Balabanian) para o apartamento onde vive Vavá (Luis Gustavo), tio da mulher. Completando o elenco havia a empregada de Vavá, Edileuza (Claudia Jimenez) e seu namorado, o porteiro Ribamar (Tom Cavalcante), que viviam tentando infernizar a vida dos novos moradores do apartamento para que eles não se alojassem definitivamente ali.


Apesar de seu sucesso de público, o programa enfrentou algumas turbulências em seus bastidores. Reza a lenda que a guerra de egos dos atores era tamanha que por diversas vezes a continuidade do programa esteve ameaçada. A primeira baixa de elenco aconteceu logo no segundo ano: Claudia Jimenez saiu por causa de diversas brigas com diretores e roteiristas, que insistiam em inserir no texto piadas sobre o peso da atriz. Em seu lugar deveria entrar a atriz Ilana Kaplan, vivendo Lucinete, mas devido à rejeição do público, a personagem durou apenas quatro episódios, sendo substituída por Neide Aparecida, vivida por Márcia Cabrita, que ficou no elenco até o final da quinta temporada. A partir de então o papel de empregada da família foi vivido por Cláudia Rodrigues, que deu vida à Sirene, quase num laboratório do que seria a sua diarista Marinete.

Outro desfalque no elenco aconteceu com a saída de Tom Cavalcante, que havia pedido um tempo fora do programa para se dedicar a um projeto piloto de um futuro programa. Com o desejo atendido, Tom Cavalcante surpreendeu a todos ao final de uma gravação com um discurso de despedida antecipado, o que ocasionou uma suspensão e logo em seguida seu afastamento definitivo do programa.


Outros atores acabaram ganhando papéis fixos em Sai de Baixo com o passar dos anos, como foi o caso de Ary Fontoura (Pereira, marido de Cassandra), Luiz Carlos Tourinho (Ataíde, novo porteiro do prédio) e Lucas Hornos (Caco Jr., filho crescido de Caco Antibes e Magda).

Cancelada em 2002 devido à audiência que estava em queda livre, Sai de Baixo deixou de ir ao ar, mas ficou na memória do público que durante anos repetiu seus muitos bordões (como o famoso “Oooohhhhhhh!”, de Edileuza e Caco Antibes) e foi dormir mais tarde e leve na noite de domingo, depois de gargalhar de forma tão despretensiosa com uma excelente série nacional.

A reprise do programa no canal por assinatura Viva, entretanto, fez o público matar a saudade e, de quebra, ganhar um brinde: uma minitemporada em quatro episódios  especiais está sendo preparada e deve ir ao ar ainda em 2013 na TV por assinatura, juntando uma parte do elenco original de Sai de Baixo. É tudo que os fãs querem para matar a saudade desse já clássico da TV nacional, não é mesmo?
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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