25 de mar de 2013

Vai Que Dá Certo, de Mauricio Farias





É impossível não admitir: o cinema brasileiro encontrou na comédia o seu maior filão atual. São elas, as comédias, que atraem multidões aos cinemas e conseguem quebrar a barreira do 1 milhão de espectadores que é um marco de sucesso para os filmes brasileiros (algumas delas, como Os Penetras e De Pernas Pro Ar 2 superam e muito esse número). Vai Que Dá Certo, do diretor Mauricio Farias e estrelado por uma penca de nomes do novo humor televisivo e da internet é mais uma aposta no gênero que, por seu pezinho no politicamente incorreto, acaba levando seus espectadores a agradáveis momentos de diversão. 

Centrada em um grupo de amigos de um lugar qualquer da periferia de São Paulo, somos apresentados a Rodrigo (Danton Mello), Amaral (Fábio Porchat), Tonico (Felipe Abib) e Vaguinho (Gregório Duvivier). Antigos colegas de colégio, eventualmente se reúnem para uma partida de futebol. Em comum, apenas a certeza de que a vida aos 30 esta muito diferente da que imaginaram um dia. Principalmente quando Rodrigo é expulso de casa pela namorada e recebe uma oferta tentadora do primo Danilo (Lúcio Mauro Filho): realizar um crime perfeito, assaltando os valores de um carro forte, graças a um plano que tem tudo pra dar errado certo. E não dá, claro!

Graças a uma conjunção de fatores e, principalmente, à extrema idiotice da trupe, o que deveria ser um crime bem orquestrado acaba deixando todos endividados e com uma missão praticamente impossível: se virarem em R$ 70 mil em poucos dias (e esse valor acaba aumentando devido a outras divertidas confusões). O resultado, claro, é para nos fazer dar boas gargalhadas.


Mauricio Farias, o diretor, é experiente em comédias, principalmente na televisão. Foi em sua mão que A Grande Família tornou-se uma das maiores audiências de sua faixa de horário na Globo e foi com ele que Tapas e Beijos ocupou esse lugar. Aqui, comandando uma trupe hilária e que poderia facilmente se inflar graças a seus egos humoristas, ele dá conta do recado e extrai de todos ótimas interpretações que fazem do filme uma excelente comédia besteirol nacional. 

E são eles, os atores, que brilham e roubam a cena. Danton Mello, como o "centrado" Rodrigo ficou com a ingrata missão de dar vida ao mais chatinho dos personagens e, com esse abacaxi em mãos, até que se sai bem, já que é ele também o fio condutor da história. Já Lúcio Mauro Filho, Felipe Abib, Gregório Duvivier e Fábio Porchat estão excelentes em seus papéis. Para quem já se habituou com os dois últimos apenas nos vídeos do Porta dos Fundos, é muito divertido tê-los durante todo o tempo de um filme, arrancando boas risadas com seus personagens surrealmente calcados no mundo real. Vale também ressaltar a participação de Bruno Mazzeo (onipresente nos filmes de comédia nacionais) e de Natalia Lage, a única mulher a fazer parte do grupo.

Porque sim, os personagens de Vai Que Dá Certo, por mais bizarros que possam parecer, poderiam facilmente ser reais. Quem não conhece pelo menos uns dois ou três tipos exatamente iguais aos personagens desse filme? Do adulto que é viciado em vídeo-games e trava conversas edificantes sobre quem é o mais foda, Batman ou James Bond, passando pelo amigo bobalhão que é um verdadeiro bobo da corte, todo mundo tem um, tenho certeza!


Fora que a composição dos personagens está muito boa. Cariocas em sua maioria, os atores conseguem tirar graça (para a plateia carioca, pelo menos) do sotaque paulista dos personagens, de uma forma caricata e hilária. Além do que, mesmo se passando em um local não identificado, a trama flui de maneira natural, sem que seja necessário nos localizarmos naquele espaço.

Fato interessante é que, apesar de termos plena consciência do absurdo daquela situação e de que os personagens estão fazendo algo totalmente fora da lei, torcemos por eles. Seja pela extrema estupidez de todos ou por uma certa Síndrome de Robin Hood, conseguimos ser empáticos aos atos que os personagens tentam a todo o custo realizar para saírem da cilada em que se meteram. 

Divertido e descompromissado, a premissa absurda de Vai Que Dá Certo nos faz crer que a máxima do "Vai que..." quase nunca é válida para a vida real e, nesse caso, nem para a ficção. Fica a certeza de que, dependendo do resultado do filme nas bilheterias, uma continuação é mais que certa, como bem mostrou o final em aberto do longa. 

Afinal, é sempre bom garantir, porque, vai que... Né?
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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