16 de abr de 2013

#BaúPop: Elefante, de Gus Van Sant






Motivado pelo controverso episódio Shooting Star, de Glee, resolvi assistir a Elefante, obra de Gus Van Sant que, apesar de ter sido lançado no já distante ano de 2003, ainda é muito atual. Na tela, um problema crônico americano: adolescentes com armas na mão causando o maior dos terrores dentro de uma escola do ensino médio.

Principalmente nos anos 90, mas com ecos até mesmo nos dias atuais (como nos esquecer do recente massacre na Sandy Hook Elementary Schook, em Newton, Connecticut, que em dezembro de 2012 matou mais de 20 pessoas?), a presença de atiradores dentro de estabelecimentos de ensino gerou tragédias que marcaram a vida nos EUA. Dentre os casos mais conhecidos, a tragédia de Columbine talvez seja a mais lembrada, já tendo ganhado, inclusive, um aclamado documentário dirigido por Michael Moore, Tiros em Columbine. Com Elefante (Elephant, no original), foi a vez de Gus Van Sant dar a sua visão sobre o problema. 

Focado em uma aparentemente manhã comum dentro de uma escola de ensino médio americana, a câmera de Van Sant acompanha o vai e vem pelos corredores, fragmentos de aulas, conversas aleatórias e personagens quaisquer. Brincando com a noção de tempo, indo e vindo nas horas dentro daquele ambiente, somos apresentados a diversos personagens de maneira não linear, acompanhando a fatídica manhã em que a trama se desenrola. Assim, sem dar destaque a ninguém em especial ao mesmo tempo em que coloca todos nos holofotes, o roteiro nos prende, já que um personagem que passa rapidamente por outro em uma cena, pode ser o "personagem" principal de um outro bloco da história e que passará por aquele mesmo momento tempos depois. Pode parecer confuso dito dessa maneira, mas a trama é muito bem amarrada e é fácil montar tudo que aconteceu cronologicamente depois que o filme se encerra.


Dessa forma, conhecemos personagens tão diversos quanto o jovem com problemas familiares, o fotógrafo indie, as populares bulímicas, a nerd esquisita, o casal sensação, os sofredores de bullying e vários outros que circulam pela tela. Com o recurso utilizado pelo diretor, de colocar a câmera como que seguindo os personagens, muitas vezes temos a impressão de estarmos acompanhando um documentário, com um certo distanciamento, ao mesmo tempo em que nos colocamos dentro da história. E, apesar de sabermos que algo muito ruim vai acontecer naquele ambiente, não ter a certeza de quem será o responsável por isso também contribui para manter a nossa atenção durante todo o longa.

Sensação no Festival de Cannes 2003, o filme surpreendeu ao levar a Palma de Ouro na competição, muito devido à forma em que o diretor Gus Van Sant trabalhou sua filmagem. Os "atores" vistos na tela não são profissionais. Foram todos selecionados em uma verdadeira high school americana e usam no filme seus nomes verdadeiros para batizar os personagens, o que confere uma certa realidade a essa obra de ficção. Além disso, os longos planos sequência que acompanhamos, belamente ensaiados e realizados sem cortes, favorecem a trama e devem ter dado um puta trabalho para o diretor.


Em Elefante (que ganhou esse nome como uma homenagem a um filme homônimo do cineasta inglês Alan Clarke sobre violência religiosa na Irlanda e que remetia à expressão "um elefante na sala de estar", usada para definir coisas incômodas que normalmente procuramos ignorar), Gus Van Sant levanta um problema crônico, mas não dá respostas práticas para ele. O final, em aberto e abrupto, é de uma inquietação incrível e que nos faz ficar com a obra na cabeça horas depois de tê-la assistido. É um filme que nos marca e nos deixa apreensivos, afinal, uma situação daquelas pode acontecer em qualquer lugar, a qualquer momento.

No fim das contas, quando finalmente descobrimos quem são os dois jovens assassinos, o que interessa não são os motivos que os levaram a isso. Na realidade, vendo tudo que acontece no filme, somos obrigados a nos perguntar: existe realmente um motivo?
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter
Para receber os artigos do PdB por email e ficar por dentro de tudo que rola em nosso boteco, basta inserir seu contato abaixo e, pronto! Os melhores artigos, servidos de bandeja para você, da maneira mais cômoda e prática da internet:



4 comentários:

Alexandre Lavrador disse...

Você gostaria de receber milhares de visitas no seu Blog ou Site todos os dias?
Conheça WWW.DIVULGABLOGSITE.COM
Uma ideia simples porém genial!
Um muro onde você cola nele o Banner do seu Blog
ou
Cola o nosso Banner na sua área de parceiros e aparece de graça automaticamente listado em

uma página segundaria (a segunda página de maior visita do site)
Recebemos uma média de 7 milhões de visitas diárias no muro!
Mais de 400 Blogs já colaram nosso Banner, grave sua marca neste muro e faça parte da

história da internet brasileira.




Would you like to receive thousands of hits on your blog or website every day?
Meet WWW.DIVULGABLOGSITE.COM
A simple but brilliant idea!
A wall where you paste it to your Blog Banner


O único site totalmente gratuito especializado em promover encontros infiéis entre casados

Trair.tk , apoia esta ideia.

Anna Costa disse...

Oi Leandro! Assisti esse filme no ano passado, mas sem saber do que se tratava, então fiquei um pouco confusa até mais ou menos metade da trama. É um filme muito forte, e as longas cenas sem cortes são maravilhosas. Você postou muitas curiosidades que eu não sabia!
Parabéns pelo post!

Lorena de Sousa disse...

No youtube tem o video real da camera do refeitorio. Mostra os meninos atirando em todo mundo, eh uma cena bem chocante...

Gory disse...

Assista também o ótimo filme POLITECNICA - A história de um dia fatídico contada através do olhar de dois estudantes, Valérie e Jean-François. Suas vidas mudam drasticamente quando um jovem entra na Escola Politécnica de Montreal com uma única ideia na cabeça: se matar e levar o maior número de mulheres com ele. Baseado nos eventos reais ocorridos no dia 6 de dezembro de 1989.

Share