23 de abr de 2013

#BaúPop: Laços de Ternura, de James L. Brooks



Demorei um bom tempo para assistir a Laços de Ternura (Terms of Endearment, no original) do começo ao fim. E um dos motivos disso é que se trata de um dramalhão com um tema espinhoso, que me fazia fugir e perder o interesse na maior parte das vezes em que considerava assistí-lo. Até que um dia resolvi deixar minhas barreiras de lado e encarar de frente essa falha na minha formação cinematográfica. Afinal, tratava-se de um filme com grandes astros e estrelas, vencedor de alguns Oscars. Ou seja, o que eu poderia estar perdendo? 

Desafio encarado, vamos ao filme. Laços de Ternura é um clássico de 1983 e um verdadeiro exemplo do que grandes atores são capazes de fazer quando possuem um bom diretor para orientá-los. É fato: o filme é mesmo um grande dramalhão, mas Shirley MacLaine e Jack Nicholson, em papéis que nas mãos de atores medianos descambaria para o ridículo, salvam a obra, já que este é realmente um grande exemplo de filme cebola. 


Ok, não posso ser injusto com o restante do elenco: eles fazem sua parte com justiça e ajudam a salvar o longa-metragem, mas é com certeza o humor ácido de Nicholson e um certo tom de deboche que aparece nos momentos certos na personagem ranzinza de MacLaine, que fazem com que ele seja o mais humano possível, diminuindo assim todo aquele vale de lágrimas que o diretor, James L. Brooks, a todo custo tenta evitar, mas que o roteiro (baseado em um livro Larry McMurtry) torna um tanto quanto difícil. 

Para quem não tem a menor ideia do que estou escrevendo, eis a sinopse: Aurora (Shirley McLaine) e Emma (Debra Winger) são uma mãe e filha que vivem às turras até que a filha se casa e vai viver longe da mãe. O casamento que parecia perfeito, vai de mal a pior, já que ela enfrenta problemas financeiros e matrimoniais. Como se isso não bastasse, descobre que tem um câncer incurável. 


O filme foi concebido para fazer chorar e consegue isso com mérito. Na época, o início dos anos 80, havia uma onda de filmes melodramáticos/familiares (vide Kramer vs Kramer e Gente como a Gente, todos por sinal vencedores do Oscar de Melhor Filme). Com Laços de Ternura, nem o mais insensível dos mortais não resiste aos dramas da pobre Emma, interpretada por Debra Winger em um papel que seria de Sissi Spacek, mas que acabou desistindo do longa. E essa identificação acontece, porque tudo que vemos neste filme poderia acontecer com a vizinha do lado, ou com você mesmo. 

Shirley MacLaine, Jack Nicholson e James L. Brooks venceram merecidamente o Oscar por suas atuações, assim como Laços de Ternura também levou o prêmio máximo de Melhor Filme aquele ano. Anos depois, em 1996, a trama ganhou uma continuação, O Entardecer de Uma Estrela (Evening Star, no original). Mas isso já é uma outra história...
Serginho Tavares  
Serginho Tavares, apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), de TV e literatura. Adora escrever. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência e com os pés bem firmes na terra.
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