3 de abr de 2013

#BaúPop: Piratas do Vale do Silício, de Martyn Burke


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A morte de Steve Jobs em 5 de outubro de 2011 me afetou sim. Sobretudo quando dei por mim e percebi que estava com meu iPhone na mão, meu Mac ligado e rodeado de alguns dos meus aparelhos que são fruto do gênio da maçã e, por consequência, me culpei por achar que sou fã do Bill Gates de forma nada intencional.

Mas a morte de Steve Jobs não me deixou de todo indiferente. Seja porque o cara era um gênio, ou porque fosse um líder como poucos e com um espírito inconformista que muito admiro. Sua vida e espírito empreendedor é um verdadeiro contraste com quem acha que nunca pode mudar o mundo, postura que me causa sempre alguma estranheza. Foi com esse sentimento que fui ver um filme de 1999 que ainda não tinha visto, chamado Piratas do Vale do Silício (Pirates of Silicon Valley, no original).

O filme, feito para a televisão e dirigido por Martyn Burke, conta a história de dois jovens completamente anônimos, um com o nome de Steve Jobs (Noah Wyle) e outro chamado Bill Gates (Anthony Michael Hall). E mostra como sairam de seus quartos impenetráveis e das garagens improvisadas para criarem duas das maiores empresas de todos os tempos, a Apple e a Microsoft.


Em Piratas do Vale do Silício, Steve Jobs é o hippie com a “panca” da espiritualidade e dos ácidos, que não reconhece tecnologia mas sim arte, o que o leva também a ser demasiado exigente com os “artistas” que contrata para “mudar o mundo”. Bill Gates já é o típico nerd que, em frente a uma stripper só consegue pensar em computadores, que sabe como manter os seus inimigos junto a si e obter deles as informações necessárias para os superar, de forma mais ou menos “bonita”.

O filme mostra-nos também como a capacidade de visão pode fazer a diferença. Uma visão que a IBM e a HP não possuiam na época, mas que não fatlava a Steve Jobs e a Bill Gates. A Apple acaba por “levar” os conceitos criados pela Xerox e Bill Gates faz o mesmo, além de persuadir Jobs não só a mostrar-lhe o Macintosh como a dar-lhe alguns modelos num gesto de cooperação, a partir dos quais Gates tomou posse dos conceitos e os incluiu no primeiro Windows.

Sobre o filme em si, não posso dizer que o achei propriamente uma obra prima , mas, o mesmo tem uma trilha sonora bacana até demais (e adequada para a época retratada). O que torna-se realmente interessante é comparar essa obra para a TV de 1999, com outro sucesso do "gênero" feito anos depois, A Rede Social, onde acompanhamos outro geek chamado Mark Zuckerberg também passando do anonimato ao topo do mundo com manobras um pouco menos bonitas (que surpresa). Assim, as questões levantadas pelos filmes acabam sendo quase que um fator em comum: será que para ser gênio é preciso ser excêntrico, solitário, obcecado, vigarista, ladrão e traidor?
Fernando Santos  
Fernando Santos, mineiro nascido no dia do amigo/dia da amizade (20 de julho). Publicitário, se vê como uma mistura da cultura pop emanada dos meios de comunicação em uma tentativa de dialogar e tomar da fonte de todas as mídias.
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