18 de abr de 2013

Chamada de Emergência, de Brad Anderson





Como conseguir estragar algo que tinha tudo para ser bom, mas que no final das contas, fica totalmente perdido e incoerente? É impossível não sair do cinema com essa pergunta na cabeça ao final de Chamada de Emergência (The Call, no original), que tinha tudo para ser um filme excelente mas que, em sua meia hora final acaba jogando tudo que havia construído até ali pelo buraco e tornando-se uma filme medíocre e totalmente esquecível.

Dirigido com competência por Brad Anderson, o filme acompanha a atendente Jordan que, trabalhando no 911, o sistema de emergência da polícia americana, um dia atende uma ligação de uma jovem que se vê acuada em casa quando um homem tenta invadir a residência. Devido a um erro de Jordan, o homem acaba conseguindo sequestrar e matar a jovem, deixando a atendente traumatizada com o ocorrido. Meses depois, um novo caso, agora com a jovem Casey sequestrada, coloca Jordan enfrentando seus medos ao tentar ajudar, via telefone, a nova sequestrada.

Claro veículo para Halle Berry, que vive a atendente do 911 Jordan, o filme é excelente em seus dois primeiros terços. Construindo a tensão baseado no que a jovem Casey  (Abigail Breslin, a eterna Pequena Miss Sunshine, agora uma adolescente) vive dentro de um porta-malas enquanto é sequestrada por um serial killer vivido por Michael Eklund e se comunica com Jordan por celular, a trama conquista ao nos deixar preocupados com o que pode acontecer com Casey e vidrados com as ações de Jordan que, ao mesmo tempo em que ajuda a jovem, enfrenta o trauma de estar novamente em uma situação limite. 


E se o vilão Michael Foster, de Michael Eklund, é desde já um dos serial killers mais idiotas do planeta (seja por sequestrar uma jovem em plena luz do dia, deixá-la com um celular no bolso, não ver que a refém destrói o porta-malas do carro onde está presa ou por matar um homem numa via pública, enquanto é perseguido por helicópteros), a tensão orquestrada pelo bom (até o momento) roteiro e pela direção de Brad Anderson compensa os furos ao nos fazer embarcar nessa história. Afinal, cinema é escapismo e, uma vez que você se permite acreditar em universos fantásticos em outras tramas, por que não abstrair um ou outro furo de uma boa história quando isso vale a pena?

É então que o filme chega em seu terço final e tudo muda de figura. E quando eu digo tudo, quero dizer TUDO MESMO! A impressão que tive é que o roteirista Richard D'Ovidio (o único creditado) teve um grande branco criativo e, sem saber para onde levar a história, deu a trama para outra pessoa com sérios problemas mentais terminar. Só isso para explicar o que acontece quando o contato telefônico entre Jordan e Casey é interrompido e parece que passamos a acompanhar outro filme (ruim, diga-se de passagem).

As personagens, até então com personalidades bem delineadas, mudam completamente. O longa, um thriller de suspense bem construído, vira um filme de ação bobo e ridículo. E o final, que deveria ser surpreendente, soa apenas como um absurdo anticlímax, deixando a plateia com cara de idiota e pensando: "jura que vai terminar assim?".


No fim das contas, parece que o diretor Brad Anderson fez um trabalho excelente com o que tinha em mãos, sendo obrigado por contrato a realizar um filme bom de final medíocre. Ou pode ser que tivesse em mãos algo medíocre e transformou em palpável em seu início, sem conseguir fugir do final pedante e patético que o roteiro exigia. 

Uma pena, de qualquer forma. Chamada de Emergência tinha tudo para ser um excelente thriller de suspense. Graças ao final tosco e sem imaginação, entretanto, é apenas mais um filme esquecível e que entra para o rol de algo que poderia ter sido, mas acabou não sendo. Como uma ligação interrompida e facilmente esquecida.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Alexandre Lavrador disse...

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