13 de abr de 2013

Glee - 04x18 - Shooting Star





Em suas quatro temporadas, Glee, apesar de ser uma série musical, já tratou de diversos assuntos sérios, algumas vezes fazendo isso muito bem. Popularidade à qualquer custo, homofobia, bulimia, suicídio adolescente, morte e tantos outros assuntos polêmicos já fizeram parte do enredo de Glee, prendendo a atenção da audiência, embalando isso em uma versão pop e consumível para seus telespectadores. 

Entretanto, durante todo o tempo no ar, nunca um episódio me pareceu tão bem feito quanto Shooting Star, principalmente por me surpreender, já que não esperava que os rumos da história fossem se enveredar para onde acabaram indo. Eu, que não havia lido nenhum spoiler e achei que o foco da história seria o meteoro que Brittany cismou que cairia em Lima, fui surpreendido ao ver o que acabou acontecendo aqui e, sinceramente, em alguns momentos fiquei com os olhos marejados de emoção.

Já algum tempo que os atiradores em escolas são um fantasma americano. Claro que um problema tão crônico quanto esse para os EUA acabaria refletido na produção cultural do país, com resultados diversos, mas que servem como espelho dos medos da população. Assim, sucessos de obras como Precisamos Falar Sobre o Kevin (livro e filme), Tiros em Columbine e Elephant, acabam atraindo a atenção exatamente por representarem na ficção um problema real que apavora os americanos. 

A própria televisão já tratou do problema algumas vezes. Um dos mais emocionantes e memoráveis episódios de One Tree Hill falava exatamente sobre um atirador dentro de uma escola, numa trama que mudou os rumos da série, tornando-se um dos episódios sempre lembrados por seus fãs. O próprio Ryan Murphy, criador de Glee, também se debruçou sobre o tema na primeira temporada de American Horror Story, quando um dos principais personagens era exatamente um jovem atirador que dizimou dezenas de vítimas em uma escola.


Mas, em Glee, precisamente nesse Shooting Star, tudo parecia normal, com os gleeks se preparando para as Regionais, Ryder buscando a misteriosa garota com quem tecla anonimamente e descobrindo que caiu em uma cilada à la Catfish e Brittany anunciando que um meteoro cairia e acabaria com o mundo. Um pouco de (boa) música, com Your Song e More Than Words e tudo não passaria de mais um típico episódio da série. Até que dois disparos mudaram o rumo da trama e o que poderíamos esperar dela.

Os momentos de tensão dentro da sala de coral, com ninguém sabendo o que estava acontecendo e com uma possível morte rondando do lado de fora das portas, foi devastador. Me imaginei no lugar de cada um dos personagens, com medo de morrer ou de não rever os amigos que não estavam na "segurança" da sala de coral. 

E ali, vivendo um momento de escuridão referente ao futuro, verdades foram ditas e sentimentos extravasados. No limite, os personagens deixaram suas amarras de lado e foram eles mesmos com uma possível iminência da morte. Claro que Glee é uma série leve e que nada efetivamente sério iria acontecer ali, como a morte de algum personagem ou algo do tipo. Mas o alerta foi dado e de forma bem impactante.

O que poderia ter sido tratado de maneira tola, com Sue assumindo o "erro" e tirando todo o peso da situação, acabou por surpreender ao nos ser revelado os verdadeiros motivos que levaram Sue a assumir essa culpa. Mais uma vez a treinadora mostrou que é um ser humano que se importa com algumas pessoas e o sacrifício que fez para proteger uma desesperada Becky foi bastante interessante. 


Depois de um hiato de três semanas, Glee voltou com um de seus melhores episodios já apresentados. E fez isso focado unicamente no McKinley High School e nos personagens que ainda permanecem por lá. Eu, apaixonado que sou por Rachel, Kurt e Santana, nem mesmo senti a falta deles, tamanha a tensão que dominou todo o episódio. Ponto para a equipe de roteiristas, que capricharam e merecem todo e qualquer elogio.

Faltando quatro episódios para o final dessa temporada, é provável que os ecos desse susto ainda pairem sobre os personagens até lá. Fora que os desdobramentos da demissão de Sue devem ser explorados, porque um assunto como esses ainda tem muito o que render. 

Fora isso, temos as Regionais, os dramas de Nova York e o mistério sobre quem será a "Kate" de Ryder. Ufa! Não sei vocês, mas estou completamente viciado nessa temporada e apaixonado por essa história!

Até a próxima semana, pop gleeks! Nos encontramos por aqui! ;-)
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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3 comentários:

Mike disse...

eu não sou todo elogios para Glee, na verdade, tenho mais críticas do que qualquer coisa, mas esse episódio foi impecável.
adorei a forma como eles abordaram o tema.
essa tensão de estar com eles na sala sem saber o que está acontecendo foi incrível.
isso só prova mais uma vez que os responsáveis por Glee sabem o que fazer, só tem preguiça as vezes.

Felipe Souza disse...

UAU
Como comentar esse episodio????
Sue?
Becky?
Cometa / gato / fim do mundo?
Disparos?
Fica bem dificil definir o que foram aqueles 8 minutos apos os 2 tiros.
mas uma coisa muito bem elaborada foi o temporizador do piano, com badaladas perfeitas, criou o clima perfeito.
Glee, sendo leve como voce mesmo disse, com esse episodio atingiu o patamar de drama que muita serie atual tem buscado.
Nao espero que se perca a leveza da serie, mas que sao necessarios momentos como esse, ah isso sim...
Adorei.
E Leandro, PARABENS pelo post, muitissimo bem escrito...
Aguardando muuuuuuito pelos 4 ultimos...

Serginho Tavares disse...

talvez um dos melhores episódios de todos os tempos não apenas de Glee mas de toda a tv americana
exemplo perfeito de como construir um roteiro sem entregar nada dele e mais ainda sendo forte e sublime com um tema tao difícil!

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