27 de mai de 2013

Pop Séries: In The Flesh





Há muito que os seres fantásticos invadiram a televisão e o mundo das séries. O uso de criaturas sobrenaturais para chamar a atenção da audiência é antiga, mas a partir do estrondoso sucesso de séries mais recentes como True Blood e The Walking Dead, os seres das trevas são presença constante na televisão mundial. E se as duas séries americanas citadas acima usam e abusam dos seres fantásticos como um pretexto para uma crítica social, In The Flesh, excelente série britânica de apenas três episódios em sua primeira temporada, segue o mesmo caminho. E faz isso de forma magnífica.

Criada por Dominic Mitchell e situada em um mundo que viveu um apocalise zumbi, In The Flesh tem uma interessante premissa: o que aconteceria se os mortos-vivos pudessem ser curados e reinseridos à sociedade? Mesmo com o motivo da "ressurreição" desconhecida, os que retornaram da morte são diagnosticados com a chamada Síndrome da Morte Parcial e, com uma substância química, podem ser tratados e ter suas lembranças recuperadas. Junte a isso uma maquiagem para disfarçar o aspecto apodrecido natural dos zumbis e, pronto, eles já podem voltar ao meio humano. A convivência dos humanos vivos com esses seres que retornaram e causaram tantos problemas em seu estado não tratado é o foco da série.


Tendo como pano de fundo Roarton, uma cidadezinha no interior da Inglaterra, acompanhamos em In The Flesh a volta de Kieran (Luke Newberry), que havia se suicidado e retornou da morte na "ascensão" zumbi, ao convídio de sua família,  depois de ter realizado barbáries em seu estado não tratado. Como o instinto zumbi, como todos sabemos, é matar os humanos para se alimentar de seus cérebros (sempre me lembro de Plants Vs Zombies e seus zumbis dizendo: "Braaaaaains!!!"), é óbvio que os agora tratados da Síndrome da Morte Parcial são vistos como um perigo para os humanos em geral, principalmente em um lugarejo como Roarton, que montou uma unidade com uma espécie de milícia durante o ataque para exterminar os zumbis.

Usando os "zumbis tratados" claramente como uma alegoria para representar qualquer grupo de minorias atuais, a série tem um tom sério e conquista por nos fazer mergulhar no drama de seus personagens, sejam eles os que retornaram ou seus familiares e vizinhos. Fazendo um golaço ao humanizar os zumbis e, assim, criar uma grande empatia do público para com esses personagens, In The Flesh levanta questões importantes como (in)tolerância e preconceito, assuntos sempre em pauta nos dias atuais.

Além das claras referências aos problemas atuais, a série é corajosa por ser explícita em suas críticas. Sim, os zumbis podem representar determinados grupos e minorias que sofrem preconceito, mas In The Flesh não se furta, por exemplo, de deixar claro que o motivo que causou o suicídio de seu personagem principal foi a relação homossexual conturbada que ele vivia com o melhor amigo. O fanatismo religioso, que faz verdadeiras lavagens cerebrais em tantas pessoas, também é explicitado de forma pungente na série e levanta questões morais e éticas que as religiões sempre tentam encobrir, afinal, quantas barbaridades não são cometidas em nome da fé?


Com apenas três episódios nesse primeiro ano, a série constrói sua trama, amarra as pontas e, apesar de ter um final condizente com o que foi apresentado, deixa várias possibilidades para sua continuação. Um exemplo disso é o interessante mote levantado sobre o chamado "profeta morto-vivo", que teve uma participação um tanto quanto tímida na série, mas que pode render muito em um segundo ano.

E se os fãs dessa história estavam em suspense por não saber se haveria uma continuação, o canal britânico BBC3, responsável por In The Flesh, confirmou a renovação da mesma para uma segunda temporada, que deverá ter entre cinco ou seis episódios e será exibida em 2014.  

Dessa forma, permita-se viajar a um mundo apocalítico e fascinante, com personagens que, além de nos divertir, também nos fazem pensar. In The Flesh é obrigatória para os fãs de zumbis e, principalmente, para qualquer pessoa que aprecie uma boa história com qualidade e conteúdo narrativo. Não perca!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter
Para receber os artigos do PdB por email e ficar por dentro de tudo que rola em nosso boteco, basta inserir seu contato abaixo e, pronto! Os melhores artigos, servidos de bandeja para você, da maneira mais cômoda e prática da internet:



2 comentários:

paNdre disse...

Parece interessante. Assim que puder vou conferir

Júlia Cabrera Pagano disse...

É uma boa série pra quem gosta do assunto, e o melhor, segunda temporada confirmada!

Share