22 de mai de 2013

Proteja-Me, de Juliette Fay






Algumas vezes a vida prega peças e todas as suas certezas vão pelo ralo. Aquilo tudo em que você acreditava, de repente, deixa de fazer sentido e você perde o rumo. A vida, sempre ela, arranca suas bases e, de uma hora para outra, o mundo desaba. É duro, dói e, nessas ocasiões, fechar-se como uma ostra pode ser nossa vontade, mas, como fazer isso se a própria vida continua seguindo seu rumo, sem dar tempo para que você cole os seus cacos? 

Proteja-Me, livro de estreia da americana Juliette Fay e publicado no Brasil pela editora Novo Conceito trata de perdas mas, acima de tudo, de recomeços. E de como podemos nem nos dar conta de que aquilo tudo que realmente precisamos pode estar à nossa volta enquanto nos recusamos a enxergar a verdade. 

Narrando o cotidiano de Janie LaMarche pouco tempo depois da morte abrupta de seu marido, Proteja-Me mostra como é difícil superar a perda de um ente querido que, sem nenhum aviso, simplesmente pode partir a qualquer momento. Fala sobre a dor e a raiva acumulada, sobre autopiedade e depreciação. Janie vive tudo isso, encarando cada dia como um novo tormento, enquanto tem de cuidar dos dois filhos pequenos e tentar colocar sua vida nos trilhos. 

É nesse contexto, enquanto Janie luta cada dia como se fosse uma batalha, que surge Tug Malinowski, um empreiteiro contratado pelo falecido marido de Janie que, antes da tragédia, havia encomendado um presente para sua esposa: uma varanda. Nasce então uma relação complexa entre os personagens que nos guiará pelas páginas da história de Juliette Fay com interesse e empatia.

Com personagens complexos e bem construídos, Juliette Fay conquista nossa atenção logo nas primeiras páginas. Se o drama de Janie pode ser pesado, as pessoas à sua volta nos fazem perceber que nós mesmos podemos não estar dando valor aos bons amigos que temos em nossa vida. Seja pela tia Jude sempre presente, pela vizinha intrometida e mão-de-ferro ou pelo padre (que é bem mais que apenas um homem de batina), Janie não está sozinha em seu drama e, página a página, veremos como ela aprenderá a lidar com seu luto e seus fantasmas interiores.

Dona de um estilo envolvente de escrita, Juliette Fay mostra porque Proteja-Me foi escolhido o Livro do Ano em 2009 na Massachusetts Book Award. E se comecei a leitura com alguma desconfiança, por achar que o "gênero" e o assunto abordado talvez não fossem para mim, me surpreendi a cada linha dessa história que fala tanto sobre o ser humano e seus sentimentos e motivações.

Proteja-Me não é um romance água com açúcar ou uma história bobinha como tantas que lotam as prateleiras das livrarias. Pelo contrário, é uma história que pode falar com cada um de seus leitores, enternecendo cada um deles com pequenas lágrimas e alguns sorrisos. 

Mais que tudo, é um livro para ser lido e apreciado e, porque não, guardado na lembrança naquele cantinho que reservamos a tudo aquilo que nos faz bem e agrada à alma.

Proteja-Me
Autor: Juliette Fay
Páginas: 448
Editora: Novo Conceito
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter
Para receber os artigos do PdB por email e ficar por dentro de tudo que rola em nosso boteco, basta inserir seu contato abaixo e, pronto! Os melhores artigos, servidos de bandeja para você, da maneira mais cômoda e prática da internet:



0 comentários:

Share