7 de mai de 2013

Somos Tão Jovens, de Antonio Carlos da Fontoura





Quase uma instituição nacional, a Legião Urbana, comandada por Renato Russo, é um ícone do rock brasileiro, que vem embalando diferentes gerações, desde que foi criada na década de 80. Não importa a sua idade, é praticamente impossível não conhecer o som de Renato Russo e sua trupe e não se identificar com algumas de suas músicas que, apesar do tempo em que foram compostas, continuam atemporais. Somos Tão Jovens, longa de Antonio Carlos da Fontoura, é um filme que não se predispoe a explicar o fenômeno, mas sim nos convidar a fazer uma viagem no tempo e acompanhar o início de um sonho que se tornou de milhares de pessoas. 

Afinal, para muitos nascidos na década de 80 (meu caso), a Legião Urbana sempre foi a Legião Urbana. Quando o grupo explodiu nas paradas de sucesso do país, logo em seu primeiro álbum, em 1985, eu tinha 4 anos e nem imaginava que na minha adolescência (e vida adulta), muitos anos depois, ouviria e cantaria a plenos pulmões músicas que pareciam ter sido escritas para mim e para o momento em que eu estava vivendo; que escreveria as letras em cadernos e tentaria decorá-las para cantar junto nas rodinhas de violão, saboreando as histórias que Renato contava e que poderiam ser a de qualquer um dos meus amigos.



Na história de Somos Tão Jovens, fazemos uma viagem no tempo e conhecemos o jovem Renato Manfredini Jr., bem antes de se tornar o conhecido Renato Russo. Adolescente de Brasília, Renato nunca foi lá muito " normal", a começar por uma doença óssea que, durante o tratamento, o fez se aproximar e se encantar pelo som do punky rock que acontecia na Europa e nos EUA. Apaixonado por música, não demorou muito para que ele levasse suas influências aos amigos e, juntos, formassem o Aborto Elétrico, no que seria um "ensaio" para a Legião que surgiria tempos depois.

Roteirizado por Marcos Bernstein (de Central do Brasil e Chico Xavier, entre outros) a história de Somos Tão Jovens encanta exatamente por retratar um período tão efervescente culturalmente (os anos 80, o fim da ditadura) e tão complicado para todos nós (a adolescência). Assim, o que vemos em tela não é o ícone Renato Russo e sim um jovem complexo, confuso e, muitas vezes, chato pra cacete. Mas que, apesar de suas incoerências, encanta por ser exatamente do jeito que é e pelo que viria a se tornar.

A Brasília dos anos 80 retratada pelo diretor Antonio Carlos da Fontoura é quase poética. Entre os filhinhos de papai vistos na tela e sua rotina de festas estranhas, gente esquisita e muito punky rock, acompanhamos o surgimento de pessoas e bandas que estariam na estrada e nos palcos até os dias atuais. É interessante observar como um som praticamente regional influenciou a formação do rock nacional ao se juntar com seus expoentes no Rio de Janeiro e São Paulo, transformando-se no que conhecemos até os dias de hoje. 



Contando com um elenco inspirado em seus papéis, com nomes como Sandra Coverloni, Marcos Breda e Bianca Comparato desfilando pela tela, o que realmente chama atenção é o desempenho de Thiago Mendonça como Renato Russo. O jovem ator convence de tal forma que, em vários momentos, eu realmente via o passado de Renato na tela, tamanha a entrega de Thiago. Sem contar que, além de interpretar, as performances que acompanhamos no longa foram captadas "ao vivo", com os atores realmente cantando e tocando. 

Outro destaque é Laia Zaid, como Aninha, amiga de Renato. A boa química entre os atores transborda na tela e a amizade retratada é daquelas que te fazem sorrir, principalmente por ser tão desinteressada. Quem teve um(a) melhor amigo(a) entenderá a a intimidade e o carinho de ambos, inclusive suas crises e brigas.

Despretensioso e envolvente, Somos Tão Jovens é o típico filme que agradará a quem for assistí-lo desarmado e sem expectativas. Por isso, não se engane: o longa não é uma cinebiografia da Legião Urbana. O que vemos (e que faz justiça ao título escolhido para o longa) é a juventude  e a gênese daquele que se tornou para toda uma geração (e as demais vindas depois dela) uma voz que cantava as dores e as delícias de um mundo tão estranho. 

Quem nunca foi jovem (e esquisito) que atire a primeira pedra!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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