19 de jun de 2013

Bruxos e Bruxas, de James Patterson



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Confesso que fiquei intrigado. Um de meus autores favoritos, das clássicas séries Alex Cross e Clube das Mulheres Contra o Crime, agora na literatura infanto-juvenil - que, confesso, também adoro. Enfim, achei que fazia parte do contrato dele fazer um livro a cada 26 horas e 31 minutos, devido à quantidade de seus lançamentos, agora em vários gêneros (ele chega a "brigar" com o não menos competidor de lançamento de livros chamado Nicholas Sparks. Sim, se você não sabe, James Patterson lançou O Diário de Suzana para Nicolas! E nem é o Sparks... Piada idiota! Enfim...). 

Talvez por conhecer bem o autor das séries policiais já citadas, além de Private, fiquei com um pé atrás com relação a Bruxos e Bruxas, seu livro de estreia na fantasia adolescente, junto com Gabrielle Charbonnet. Aliás, livro de estreia mesmo, da série inclusive, porque em fevereiro foi lançado nos EUA o 4º livro da saga de Whisty e Whit, que chega somente agora ao Brasil através da Editora Novo Conceito, em lançamento oficial no próximo dia 22/06. Mas quem são esses Whisty e Whit mesmo? Já explico...

A estória é mais do que interessante. Dois irmãos adolescentes, de 15 e quase 18 anos chamados Whinsteria e Whitford Allgood (lindos nomes, não?), bem mais conhecidos como Whisty e Whit, são sequestrados de sua casa durante a noite. Mas não se trata de um sequestro qualquer. Os sequestradores são de uma tropa oficial do governo que está no poder, conhecido como a Nova Ordem (N.O.). Levados para a prisão acusados de bruxaria e conspiração, os irmãos percebem que não são os únicos jovens nessa situação. Mas, para seu espanto, eles vão descobrir que são a principal ameaça ao ditador, líder, opressor e bruxo que lidera a Nova Ordem, O Único que É O Único. Estranho nome? Não! Todos os líderes da N.O. são únicos. O Único que Julga, O Único que Fuzila, O Único que Enforca... São vários únicos!

A Nova Ordem é uma espécie de ditadura bem similiar àquelas que vemos ou vimos em muitos países. Censura, opressão, mortes... Normal. E caberá aos irmãos "bruxos" salvar o mundo - e os jovens - desse poder que parece ser bem maior do que é demonstrado. O único detalhe disso é que, na verdade, Whit e Whisty não sabem que são bruxos.

A realidade vivida no livro é perturbadora, para dizer o mínimo. E o desenrolar dos capítulos vai mostrando o quanto o enredo pode ser aproximar da nossa sociedade em muitos momentos. Podemos dizer que Bruxos e Bruxas é uma mistura interessante e bem feita de Jogos Vorazes com Harry Potter. Aliás, esse último é um dos livros abolidos pela Nova Ordem. Não com esse nome, é claro...

James Patterson tenta aproximar ao máximo a estória da vida real e utiliza, para isso, livros, bandas e pintores históricos. Mas o modo James Patterson de escrever é dúbio quando nos aprofundamos na análise do livro. São capítulos curtíssimos, de uma ou duas páginas, sempre na visão hora de Whisty, hora de Whit. Essa agilidade proporciona boa dinâmica à leitura - e alguns momentos flashbacks, para ter certeza de quem está "narrando" -, mas também não permite um maior aprofundamento nos personagens. Até porque o livro é pequeno, se compararmos com o potencial do enredo. Certamente, só com esse livro, Manoel Carlos faria uma novela de 300 capítulos ou 3 filmes estilo O Senhor dos Anéis.

O fato é que aguardo ansiosamente pelo segundo livro, originalmente chamado Witch & Wizard - The Gift. Até lá, ficarei relembrando alguns pontos desse primeiro livro e, cada vez mais, tendo certeza que James Patterson acertou mais uma vez. Pra quem é recordista na venda de livros, ele mostra que qualidade ainda é um ponto importante.

A série tem tudo para se tornar febre aqui no Brasil. Não faltam potencial e carisma aos irmãos bruxos. E não falta criatividade para James Patterson e seus 489 "ajudantes". Enfim, Bruxos e Bruxas é imperdível. Da opressão à caça às bruxas, uma estória que tenta fazer história. Ou seria o contrário?

Bruxos e Bruxas
Autor: James Patterson e Gabrielle Charbonnet
Páginas: 288
Editora: Novo Conceito


Bruno Schmidt  
Bruno Schmidt, vascaíno fanático, cinéfilo, devorador de livros, viciado em TV e internet - no celular. Redator publicitário, marquetista - não marqueteiro -, marrento e... petropolitano. Com ele o papo é sobre cinema, livros e TV. Mas sem cerveja, ok?!
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