11 de jun de 2013

O Grande Gatsby, de Baz Luhrmann





Baseado no clássico americano de F. Scott Fitzgerald, a mais recente adaptação de O Grande Gatsby (The Great Gatsby, no original) chegou com estardalhaço aos cinemas mundiais. Aguardado por público e crítica, entretanto, a obra causou indiferença e críticas negativas ao trabalho do diretor Baz Luhrmann assim que estreou no Festival de Cannes 2013. Não sei efetivamente o que se esperava do longa, mas achei a crítica um tanto quanto exigente demais. Quem conhece (e aprecia) o trabalho de Baz Luhrmann certamente vai se encantar com a sua visão da aclamada história de Gatsby que, nas mãos do diretor, ganhou toda uma cor e opulência que, sinceramente, cairam como uma luva na trama que envolvem.

Nunca li o livro de F. Scott Fitzgerald e, por isso, cheguei sem nenhuma noção do que efetivamente iria assistir no cinema. Baseado no que pesquisei em uma sinopse simples,  esperava acompanhar apenas os excessos de um milionário excêntrico que, durante os anos 20, fazia de tudo pelo amor de uma mulher. É mais ou menos isso, só que com bem mais profundidade. Na trama, narrada por um onipresente Nick Carraway, vizinho de Gatsby, acompanhamos os passos do protagonista em busca da reconquista de Daisy, a jovem por quem sempre foi apaixonado, mas que agora encontra-se casada e em dúvidas sobre o que fazer de sua vida. 

Embalando tudo isso e como pano de fundo, temos os anos 20 e sua efervescência financeira, anos antes da crise de 1929. Em um Estados Unidos se firmando como grande potência e com novos ricos surgindo a todo instante, os excessos de Gatsby e a origem de sua fortuna acabam sendo apenas mais uma característica que completam a aura de mistério do personagem.



Visualmente arrebatador, O Grande Gatsby é mais uma prova do cuidado das produções de Baz Luhrmann. Colorido e vibrante, toda a produção evoca uma velocidade e beleza que enchem os olhos da plateia, mesmo que o esplendor das festas oferecidas por Gatsby sejam um tanto quanto parecidas com as que já vimos nas obras anteriores do diretor como, por exemplo, Romeu + Julieta e, claro, Moulin Rouge. O que não é, de forma alguma, um problema nesse caso, já que os excessos de luz e cor não fazem nenhum mal ao resultado final da nova obra.

O único senão, para mim, fica no uso de 3D. Há muito questiono da "necessidade" ou não da tecnologia para se contar uma boa história. Aqui, apesar das cores vibrantes e dos efeitos de câmera, o 3D é praticamente desnecessário. Para quem, como eu, acha o uso dos óculos um problema desconfortável, o 3D sem motivos como acontece nesse caso é apenas um recurso para que o cinema cobre mais no preço dos ingressos. 

Em contrapartida, Baz Luhrmann extrai o melhor dos atores, em alguns casos chegando próximo à excelência. Leonardo DiCaprio, dando vida ao protagonista Jay Gastsby está em plena forma e mostrando que há muito se tornou um dos dos melhores atores de sua geração. Em seus ternos bem cortados e mesclando toda a ironia que o personagem pede, a ponto de não sabermos nunca quando está dizendo a verdade ou apenas enfeitando uma vida irreal, Gatsby consegue a proeza de gerar empatia com o público, mesmo aparecendo pela primeira vez quando uma boa parte da história já estava em andamento. 

Enquanto isso, Tobey Maguire apresenta mais um papel em que parece interpretar a si mesmo, o que no caso de Nick Carraway não é um grande problema, já que o ar abobado do ator funciona muito bem também para o personagem. E apesar das críticas, Carey Mulligan não compromete como Daisy, a infeliz mocinha que não sabe o quer realmente deseja para sua vida.



Contando com uma trilha sonora soberba, Baz Luhrmann mais uma vez se mostra um craque na hora de misturar canções anacrônicas para embalar histórias de época. Se em Romeu + Julieta e em Moulin Rouge deu mais do que certo levar músicas atuais como tema de outras épocas, por que não fazer o mesmo em O Grande Gatsby?

Dessa forma, nossos ouvidos são brindados durante todo o filme com versões belíssimas de canções para lá de conhecidas. Destaque mais do que especial para Crazy in Love, na voz de Emeli Sandré; A Little Party Never Kiled Nobody, cantada por Fergie; e uma inspirada versão de Back to Black, feita por Beyoncé e André 3000. Dá até pra relevar a inserção descabida de Jay-Z e Jack White na história que, se não acrescentam nada, também não destoam demais do universo apresentado por Luhrmann.


Com bom ritmo (que nem nos faz perceber as bem mais de duas horas de filme) e atores à vontade em seus papeis, O Grande Gatsby surpreende positivamente ao nos fazer mergulhar na história de seu protagonista de forma a nos importarmos com suas ações e destino. E se o final do longa pode ser um tanto quanto melancólico, é interessante notar que toda a ironia e cinismo que parecem ser a tônica da obra de F. Scott Fitzgerald mantém-se intacta no resultado final aqui apresentado.

O Grande Gatsby é, no fim das contas, diversão da melhor qualidade e um convite à idealização de uma era de ouro de história americana e que merece ser conhecida por todos aqueles que se permitirem aceitar o convite de Baz Luhrmann para conhecer toda a história por traz de um homem chamado Gatsby. E essa história pode surpreender e emocionar, dependendo da sua disposição em embarcar ou não em uma grande viagem orquestrada pelo diretor.

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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