20 de jul de 2013

Bilionários Por Acaso – A Criação do Facebook, de Ben Mezrich






Em outubro de 2003, ao conhecer Mark Zuckerberg na Universidade de Harvard, o brasileiro Eduardo Saverin não devia fazer idéia de como sua vida mudaria a partir dali. De um encontro casual para uma amizade fraterna, os então dois jovens foram os responsáveis pelo surgimento do Facebook, a rede social mais conhecida do planeta, atualmente com mais de 1 bilhão de usuários ativos no mundo. Bilionários Por Acaso, do americano Ben Mezrich, tenta mostrar os bastidores dessa história, mas o acaba fazendo de uma forma unilateral, já que Mark Zuckerberg, o grande ‘personagem’ disso tudo, se recusou a participar com depoimentos dando a sua versão do que efetivamente aconteceu. 

Bilionários Por Acaso é também o livro que inspirou o aclamado sucesso de David Fincher no cinema em 2010, A Rede Social. Entretanto, apesar de muitos fatos mostrados no filme estarem também no livro, muito da versão cinematográfica não existe no papel. O que é natural, já que uma obra difere da outra e são feitas para mídias diferentes. Mas não deixa de ser interessante comparar as duas histórias, ao mesmo tempo em que se pergunta: quão reais são ambas? 

A obra de Ben Mezrich surgiu a partir de vários depoimentos do brasileiro Eduardo Saverin e dos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, personagens importantíssimos para o nascimento do Facebook. Anos mais tarde, todos entrariam com ações judicias contra Mark Zuckerberg reclamando direitos sobre a rede social. Com base nesses depoimentos, Ben Mezrich cria uma história baseada em situações ficcionais em cima de fatos reais: reproduz diálogos, encontros, mensagens e até mesmo reprojeta pensamentos desses personagens. O resultado é uma prosa deliciosa para uma história cativante, daquelas que você não consegue largar as páginas e deseja saber sempre mais e mais.

É interessante notar que, assim como no filme de 2010, Mark Zuckerberg é, por vezes, retratado como um grande vilão narcisista nessa história toda. Mas como tudo tem três lados e o jovem dono do Facebook não deu a sua versão da história, é certo que as coisas não são somente como contadas em Bilionários Por Acaso.

Com personagens marcantes que parecem talhados para uma história cinematográfica (o que o sucesso do filme A Rede Social só confirma), não há como não vibrar a cada página de Bilionários Por Acaso. A inabilidade social de Mark Suckerberg, a passividade irritante de Eduardo Saverin, o magnetismo dos gêmeos Winklevoss e o aparente mau-caratismo de Sean Parker, tudo isso salta das páginas e nos acompanha depois que fechamos o livro.

Real ou não, Bilionários Por Acaso é daqueles livros que merecem ser lidos, já que conta uma história fascinante sobre algo que todos estamos familiarizados. E chega a ser irônico que a criação da maior rede social da história tenha causado tantas baixas de amizade na vida de seus criadores.
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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