4 de jul de 2013

Minha Mãe é Uma Peça, de André Pellenz





Que a comédia é um dos maiores pilares do atual cinema brasileiro não há dúvidas. As grandes bilheterias recentes do cinema nacional são uma prova de que o gênero é o preferido pelo público. Filmes como Os Penetras e De Pernas Pro Ar 2, por exemplo, são verdadeiros blockbusters nacionais, que atraem multidões e garantem a participação brasileira no mercado exibidor. Com a estreia avassaladora de Minha Mãe é Uma Peça  e seu mais de um milhão de espectadores no primeiro final de semana, mais um filme do gênero surge como fenômeno no país.

Baseado no sucesso teatral de mesmo nome e estrelado por Paulo Gustavo, Minha Mãe é Uma Peça acompanha o dia a dia de Dona Hermínia, uma mãe zelosa e meio louca, que vive às turras e amor com seus três filhos Marcelina, Juliano e Garib. Separada, um belo dia ouve um comentário dos filhos com o pai sobre ela e entra em crise, mudando-se provisoriamente para a casa de sua tia Zélia, onde relembra diversos momentos de sua vida ao lado dos filhos. 


Com um elenco afinado, as gargalhadas são garantidas. Paulo Gustavo, mesmo travestido, cria uma Dona Hermínia plausível, apesar do exagero das situações retratadas no longa. Quem conhece o ator, seja do teatro ou de seu programa 220 Volts, no Multishow, sabe que seus tipos são normalmente inspirados e divertidos. Dona Hermínia, entretanto, passa ao mesmo tempo a loucura de uma mãe protetora e a doçura que um personagem do tipo exige, sem cair na pieguice ou no humor barato.

Mas engana-se quem pensa que somente o protagonista brilha. Mariana Xavier, como Marcelina, rouba a cena diversas vezes como a filha gordinha de Dona Hermínia; o mesmo acontece com Rodrigo Pandolfo, que vive Juliano, o filho gay da protagonista. Ingrid Guimarães, Sueli Franco, Herson Capri, Mônica Martelli e Samantha Schmütz completam o elenco. 

Contando com um roteiro episódico, centrado em diversas esquetes que vão se desenrolando enquanto Hermínia relembra seu passado, é interessante notar que o recurso funciona bem no filme, que em momento algum parece um programa de televisão esticado. As piadas são boas, principalmente pela forma como a sucessão de situações nonsense vão sendo apresentadas. Além disso, a escolha de fixar a história em Niterói, fugindo do clichê cinematográfico Rio de Janeiro, é um acerto que garante de graça um riso inicial na apresentação da trama.


Leve e divertido, Minha Mãe é Uma Peça é o tipo de filme que faz bem ao humor, arrancando gargalhadas através da identificação. Afinal, toda mãe tem um pouco, em maior ou menor grau, de Dona Hermínia. Eu mesmo vi e me diverti com situações que poderiam muito bem ter sido vividas por minha mãe e eu. O que acaba sendo um grande trunfo da história, que faz com que o espectador se identifique com o filme e se veja retratado, mesmo que em pequena escala, na telona do cinema.

Destaque total para a última cena da história, quando vemos a verdadeira inspiração de Paulo Gustavo para criar Dona Hermínia e que, sem sombra de dúvidas, atesta todo o talento do ator em retratar um tipo tão simpático e real como sua própria mãe. Ela sim, pelo pouco visto no filme, um grande e divertida peça!
Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Paulo Adriano Rocha disse...

Eu só não entendi o "meio louca". Ela é louca totaaaaaal! Hahahaha!
Eu ri muito, viu? Mas também eu sou bestão e adoro rir, mas, pow, o filme é muito legal. Coitado do pobre primogênito (que nem lembro o nome) que é o único que não tem direito a nada (ser certinho é chato). Sem contar a mensagem "mãe é tudo", que passa no filme. As piadas são super encaixadas. E ela de bobis o tempo todo é um toque especial. O cara é muito bom!

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