1 de ago de 2013

O Concurso, de Pedro Vasconcelos




Há muito que as comédias nacionais se tornaram um dos maiores filões brasileiros nas telonas. Filmes recentes e de sucesso como Minha Mãe é Uma Peça apenas atestam que o público brasileiro quer é rir nos cinemas e, exatamente por isso, o número de filmes nacionais do gênero se multiplica. O que nem sempre é uma boa ideia.

Como informam alguns letreiros logo nos minutos iniciais de O Concurso, longa metragem dirigido por Pedro Vasconcelos, milhares de brasileiros prestam, por ano, concursos públicos. E, entre os cargos mais almejados, o de juiz federal é um dos considerados mais difíceis de passar. Trazendo para a realidade nacional, e mais precisamente para o Rio de Janeiro, um humor à lá Se Beber, Não Case, o longa metragem O Concurso investe em algumas situações que precedem o tão esperado exame final de um grupo de quatro advogados que tentam essa vaga em um concurso específico. Entretanto, o resultado final dessa estreia de Pedro Vasconcelos na direção não o fariam figurar em nenhuma lista de aprovados entre os cineastas a realizar bons filmes no Brasil.



Em O Concurso acompanhamos as peripécias de do gaúcho Rogério Carlos (Fábio Porchat), do paulista Bernardinho (Rodrigo Pandolfo), do cearense Freitas (Anderson Di Rizzi) e do carioca Caio (Danton Mello). Os quatro foram aprovados em todas as etapas de um concurso para juiz federal, mas apenas um deles ganhará a tão sonhada vaga, depois de uma prova oral, a ser realizada no Rio de Janeiro. Na cidade para a prova, o grupo se envolverá em mil confusões que, claro, acabará fazendo que na hora do exame eles não estejam lá em condições muito propícias para serem avaliados.

O grande problema do filme, entretanto, é que ele não tem graça. O que, em uma comédia, é um erro mortal. Eu, que tinha assistido ao trailer (algumas vezes, diga-se de passagem) e achado graça das piadas vistas ali, me decepcionei muito. As poucas boas tiradas do longa estavam todas reunidas em suas propagandas, deixando para o filme, longo e arrastado, quase nenhum momento realmente divertido.

O surpreendente é que mesmo com um material bem do vagabundo, os atores até que dão conta do recado ao segurar o pouco de interesse que o filme desperta em seus espectadores. Fábio Porchat, vivendo um gaúcho enrustido, está muito bem, principalmente quando se traveste de drag queen. Anderson Di Rizzi está quase irreconhecível com uma prótese dentária que o deixou pra lá de esquisito, mas é um dos personagens que mais nos conquistam na história. Danton Mello, totalmente fora de forma, chama mais atenção pelo corpo roliço do que por seu personagem. E Rodrigo Pandolfo realmente diverte com a improvável dupla formada com a personagem de Sabrina Sato.




Esquemático e chato, O Concurso se perde ao apresentar uma série de situações absurdas, onde nenhuma pessoa com um mínimo de neurônios se veria envolvida. Assim, é praticamente impossível ser empático com personagens que, a priori deveriam ser inteligentes - afinal passaram para a última fase do concurso mais difícil do pais, cacete! -  mas que parecem apenas idiotas.

Com tantas boas opções nacionais chegando aos cinemas brasileiros, O Concurso é aquele tipo de projeto que tinha tudo para dar certo. Infelizmente, porém, ele não passa em uma prova simples: a de garantir a diversão de seus espectadores.

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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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6 comentários:

wair de paula disse...

juro que eu tentei ver até o fim, mas não tive 1)paciência 2)tempo 3)vontade muito chato, este é o problema.
abraços!!

Bell disse...

Não sei mesmo quem é que acha graça em Sabrina Sato ou em qualquer participante do pânico, então queriam o quê?

Raquel Pacheco disse...

vou concordar que o filme eh meio fraco mesmo

Lauro Bevitori disse...

Realmente é esquisito colocar na história FINALISTAS de um concurso pra JUIZ FEDERAL, mas que esses "futuros" juízes são no máximo uns idiotas, como o texto diz. Mas isso é o de menos. É um filme de comédia. Foi só um comentário que não resisti. Não vi o filme e nem vou ver. Só por causa da Sabrina Sato. Já gostei muito dela como humorista, hoje em dia acho a voz dela um saco. Jamais pagarei pra assistir SABRINA SATO nos cinemas.

Fábio Dos Anjos disse...

Quem não gostou, com certeza é Gaícho

Leonardo Santos disse...

"Tinha tudo para dar certo."
Sério...? Que parte de fazer uma versão tupiniquim de uma trilogia horrível de Hollywood pareceu uma boa ideia?
O primeiro Hangover só foi interessante porque ninguém estava acostumado com este tipo de humor, agora que já foi feito milhões de vezes, não tem mais graça.

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