5 de ago. de 2013

Uma Leve Simetria, de Rafael Bán Jacobsen



Em 2009, quando eu ainda morava em Porto Alegre, foi lançado um livro, Uma Leve Simetria, de um jovem escritor local. O autor era Rafael Bán Jacobsen, meu conterrâneo, nascido em 1981, como eu, físico, professor, pianista e escritor. Um verdadeiro prodígio.

Ao ler a primeira crítica, na época de seu lançamento, tive um interesse imediato na história. Na contra-capa, um comentário do saudoso Moacyr Scliar e a história em si, foram para mim qualquer coisa de muito interessante. Era sobre o amor de dois adolescentes judeus, Daniel e Pedro, em paralelo a outro amor dos tempos bíblicos, o de Davi e Jonatã. Logo de cara senti que não era simplesmente mais um romance da chamada "literatura gay" (isso existe?). Tinha algo de muito mais profundo ali e eu precisava mergulhar nesse universo o mais rápido possível.

Estranhamente, logo depois do lançamento da obra, não ouvi falar mais nada sobre ela. O Rio Grande do Sul é um celeiro de grandes escritores e os gaúchos, mais do que ninguém, divulgam maciçamente seus artistas locais. Não foi o caso de Uma Leve Simetria, que pareceu ter passado batido pelas livrarias e pelos leitores. O que me fez até pensar que o livro não merecesse mesmo grandes atenções, sendo apenas mais um lançado, dentre tantos por aí, que não dizem nada.

Acontece que o livro não saiu da minha cabeça. A capa era tão linda e ainda falava de uma história bíblica tão intrigante e controversa, de um amor que não ousa dizer seu nome nas páginas do livro sagrado. O tempo passou. Mudei-me pra São Paulo, voltei pro RS e retornei à São Paulo. Em janeiro último, exatos quatro anos depois de ter sido lançado, comprei Uma Leve Simetria, mas por motivos de ter mil coisas da faculdade pra ler e mais um livro de 400 páginas que comprei junto com ele, porque era o livro do momento, consegui concluir sua leitura apenas há poucas semanas.E quero coroar o término dessa belíssima obra deixando registrado aqui, pra que todos tenham acesso à essa preciosidade da nossa literatura.

O romance de Rafael Bán Jacobsen trata com toda a delicadeza do mundo um assunto espinhoso e desconfortante, o amor entre dois rapazes dentro de uma comunidade judaica. O solitário Daniel, órfão de pai e mãe e de apenas 15 anos é o narrador de uma história sensível, cujo centro dramático é seu amor por Pedro. Um amor que nasce à sombra da sinagoga e alcança momentos sublimes, sem jamais resvalar nesse terreno perigoso, onde a caricatura e o maniqueísmo são ameaças constantes.

Seguro de seu ofício e demonstrando um domínio absoluto da linguagem - imagens poéticas, cuidado com as frases e acurado desvelo com a palavra - Rafael narra os desencontros, as dificuldades, mas, sobretudo, a paixão entre os dois jovens.

Uma história linda e emocionante! Eu realmente não perdi por esperar!

Uma Leve Simetria
Autor: Rafael Bán Jacobsen
Páginas: 224
Editora: Não Editora
E você, curtiu o Pop de Botequim e quer colaborar com a gente? Se gosta de cultura pop, aprecia escrever e quer ser lido, não perca tempo e mande já um email pra gente! Vai ser um prazer ter você em nosso botequim! Entre em contato já e saiba como participar! Aguardamos seu contato através do nosso email: popdebotequim@gmail.com

Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter

Um comentário:

Leo Natura disse...

Por sinal, a homossexualidade no atual mundo judaico é algo muito complexo. Os atuais judeus brasileiros seguem uma espécie de lema não-escrito: ´´Nós não nos metemos no assunto ´homossexualidade`, desde que não seja conosco``.
Ou seja, se um não-judeu que eles conhecem é gay, eles não dão a mínima pra isso. Mas se alguém que faz parte do grupo deles resolve sair do armário, provoca algumas vezes uma guerra na comunidade!
Achei interessante o livro abordar um tema que, dentro da comunidade judaica, é tratado de forma tão ´oito ou oitenta`, dependendo de um judeu estar envolvido nisso ou não. Legal!

Share