24 de out de 2013

Contrações, com Débora Falabella e Yara de Novaes




Como, além de pops, os leitores do PdB também são muito cults, a dica de hoje é teatral. Contrações, do dramaturgo inglês Mike Bartlett, ganhou uma montagem brasileira pelo Grupo 3 de Teatro. O espetáculo é a continuidade do trabalho de pesquisa de um grupo que trabalha a inovação e o compartilhamento de suas experiências desde sua formação. Buscando sempre escancarar relações afetivas e sexuais com caligrafias diferentes, o grupo já montou Nelson Rodrigues, em A Serpente, passando pelo chileno Marco Antonio de La Parra, em O Continente Negro e chegando a Murilo Rubião, em O Amor e Outros Estranhos Rumores.

Essa semana tive a oportunidade de prestigiar a montagem que estreou dia 19/10 no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) aqui em São Paulo, dirigida por Grace Passô e encenada por duas atrizes sensacionais, a global Débora Falabella, que dispensa apresentações, e a desconhecida do grande público das telinhas, mas não menos excelente, Yara de Novaes.

No palco de Contrações o que se vê é uma guerra de nervos. As relações, que nos espetáculos anteriores tinham suas raízes dentro do ambiente doméstico, entre os casais, nas famílias, atrás das cortinas de janelas, ganha um novo contorno, tendo como cenário o mordaz cotidiano de um ambiente de trabalho.


Toda a trama se passa dentro do escritório de uma grande corporação. Nela, uma gerente (Yara de Novaes) submete sua funcionária, Emma (Débora Falabella), a uma série de provocações. Usando seu poder corporativo, a gerente manipula e inferniza a vida de Emma, que a tudo resiste em nome do seu emprego. A situação se degringola quando Emma se envolve com um colega de trabalho, burlando assim uma cláusula de contrato que proíbe as relações sentimentais ou sexuais entre os empregados.

Numa abordagem cruel e repleta de humor negro sobre a invasão da vida corporativa nas vidas pessoais, ficamos angustiados, quase sufocados, ao vermos a forma fria e calculista como a gerente conduz os acontecimentos, levando Emma ao seu limite para não perder o emprego. Com situações um tanto quanto exageradas, mas não muito longe da realidade, a peça nos faz refletir sobre nós mesmos, até onde somos capazes de abrir mão de nossos desejos e ideais por um emprego estável, por medo ou covardia, qual é o nosso limite?

Em certos momentos parecia que a plateia estava em um stand up, tamanha eram as gargalhadas; teve gente que até perdeu o fôlego de tanto rir, afinal nada melhor do que rir da desgraça alheia, mas eu não achei graça, saí do teatro com um nó na garganta, um incômodo, algo excelente, porque teatro é isso, se não remexe alguma coisa dentro de você, pro bem ou pro mal, de nada vale. E a maior prova de que presenciei um belíssimo espetáculo foi a saraivada de aplausos que quase botou o teatro abaixo ao término da sessão.

Peça: Contrações
De 19/10 a 09/12 
Sábados (20h) / Domingos (18h) / Segundas (20h)
R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
CCBB, em São Paulo 
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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