18 de out de 2013

Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades, de Paulo Henrique Brazão





Qual o tamanho (em número de caracteres) de uma boa história? Em minha opinião, uma boa trama não precisa de um tamanho específico. Assim, um romance pode ser encantador (ou totalmente descartável) com suas centenas de páginas, assim como um conto pode ser excelente e extremamente bem sucedido com um número de caracteres bem inferior. O que importa não é a prolixidade de um autor e sim a sua capacidade de desenvolver um bom enredo, seja em um conto ou em um romance.

Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades, de Paulo Henrique Brazão, é um bom exemplo de um conjunto de contos bem amarrados e publicados em forma de livro. Entretanto, antes de prosseguir, me obrigo a informá-los que conheço o autor da obra. Paulo Henrique é um amigo querido e eu poderia muito bem estar escrevendo essa resenha apenas para ser simpático. Se eu fosse outra pessoa, né? Já fui apresentado a trabalhos diversos (peças, livros) de amigos, que odiei miseravelmente (os trabalhos, não os amigos). Para não perder a amizade, preferi me omitir e não dei nenhuma opinião pública sobre eles. Entretanto, quando algo é bom, por que não me manifestar? É o caso dessa coletânea de contos.

Contando com um timing sarcástico excelente, os contos de Paulo Henrique são quase sempre curtos e envolventes. São o tipo de história que nos pega na leitura, envolvendo-nos até seu final. Para mim, que leio bastante enquanto utilizo os transportes públicos do Rio de Janeiro, é um sério problema largar o capítulo de um livro pela metade quando chego em meus destinos finais. Com os contos de Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades eu não tinha esse problema, pois lia três ou quatro a cada trajeto que fazia, vejam que perfeito.

Contando com 20 contos, todos escritos (ou iniciados) entre os 18 e 20 anos de Paulo Henrique, essa coletânea fala de assuntos cotidianos com uma pitada de humor e ironia envolventes e que nos deixam curiosos em ler outros trabalhos de seu autor.

Como toda coletânea, entretanto, o livro tem altos e baixos, com momentos mais ou menos inspirados. O interessante é que o trabalho possui uma coerência invejável, mesmo composta por histórias tão díspares. Mas cito os contos Vistoria, Como Tudo Começou, Homofobia e Dois e Setenta e Cinco como os meus preferidos e aqueles que, certamente, indico para qualquer amigo que queira conhecer o trabalho de Paulo Henrique.

Simples, bem escritos e com ideias bastante originais, os contos de Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades são imperdíveis para os fãs de boa literatura e das famosas short stories. Fora que dá um prazer enorme ver que jovens autores como Paulo Henrique vão, mesmo que aos poucos, conseguindo chegar a públicos maiores, oxigenando a nossa tão "viciada" literatura nacional.

Por isso, não perca tempo: permita-se conhecer um novo jovem autor e delicie-se com seu talento. Os contos de Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades serão como pílulas do mais puro entretenimento literário e você não há de se arrepender!

Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades
Autor: Paulo Henrique Brazão
Páginas: 126
Editora: Faces
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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