9 de out de 2013

#DocPop: Brittany Murphy, Uma Estrela Cadente




Em uma de suas tantas lindas canções, Renato Russo já constatava "é tão estranho, os bons morrem jovens...", em um dos versos de Love in the Afternoon. Foi assim com a graciosa atriz americana Brittany Murphy, que morreu aos 32 anos de idade, cedo demais!

Às vésperas do Natal de 2009, no dia 20 de dezembro, Brittany Anne Murphy-Monjack, foi encontrada morta pela mãe em sua residência, em Los Angeles. Ela estava inconsciente no chuveiro. Segundo a mãe, Brittany passara o dia inteiro no quarto, indo toda hora ao banheiro vomitar e que ela estava se achando mais magra do que pretendia.

Após o anúncio de sua morte, ficamos sabendo que Brittany era mais uma dentre tantas estrelas de Hollywood dependente de remédios. Porém, sua mãe duvidava que a filha havia morrido por overdose de remédios. Os bombeiros tentaram reanimá-la no local, mas ao dar entrada no hospital foi declarada morta.

Brittany deixou viúvo o marido, Simon Monjack, com quem se casou em maio de 2007, que oito meses depois também veio a falecer no mesmo local que a esposa, em decorrência de uma pneumonia e anemia aguda. Eu, romântico que sou, prefiro acreditar que ele definhou de tristeza pela perda da mulher amada. Antes de Monjack, seu romance mais famoso foi com o ator-fofo Ashton Kutcher, em 2002, seu par na comédia-romântica Recém-Casados (2003).


Brittany morava com a mãe e o marido em uma bela propriedade em Hollywood Hills, nos arredores de L.A. Tinha cachorro, uma carreira promissora e aparente harmonia familiar. Então, por que a dependência de remédios e um descontrole tamanho que a levou a uma morte banal e tão prematura? Era o que me perguntava, enquanto caía em prantos naquela tarde de quase verão, ao ouvir a chocante notícia de quatro anos atrás.

O tempo passou e os questionamentos passaram junto com ele, afinal, independente da trajetória que se faz pra chegar ao resultado final, tendo uma vida louca ou certinha, os motivos são quase sempre os mesmos: depressão, pressão, solidão, traumas, insatisfação e muito dinheiro pra anestesiar tudo isso com grandes doses de consolo letal.

O que fez tudo parecer surpreendentemente chocante era que Brittany Murphy fazia o estilo menina-doce-meiga-romântica-engraçada, imagem reforçada por seus papéis em filmes leves/água com açúcar como As Patricinhas de Beverly Hills (1995), seu primeiro papel de destaque nos cinemas, onde fez Tai, uma adolescente sem vaidade que se torna a melhor amiga das patricinhas do colégio. Ou Grande Menina, Pequena Mulher (2003) onde, no auge de sua beleza, divide a cena com a pequena grande atriz Dakota Fanning, numa dobradinha imbatível e emocionante. Também em A Agenda Secreta do Meu Namorado (2004), ela se mete nas maiores confusões pra descobrir o passado amoroso de seu amado, nos fazendo rir e ter mais vontade de correr atrás dos nossos sonhos. E ainda o cult e adorável Amor e Outros Desastres (2006) onde, na pele de Jacks, linda e morena, ela busca encontrar pares perfeitos para seus melhores amigos, mas nunca encontra pra si mesma. Foram todos esses filmes que me fizeram um apaixonado por Brittany.


Mas nem só de comédias românticas se fez sua carreira. Apesar de jovem, Brittany começou cedo, aos nove anos, quando conseguiu uma vaga no musical Os Miseráveis e, aos 13, já tinha seu próprio empresário. Com 14 anos fez seu primeiro trabalho em Hollywood, num seriado chamado Drexell's Class (1991-1992) e seu currículo é extenso. Dentre os papéis dramáticos que interpretou, estão personagens com fortes problemas psicológicos. Em Refém do Silêncio (2001) fez Elizabeth Burrows, jovem em estado catatônico prestes a ser enviada para um manicômio, dividindo a cena com Michael Douglas. Foi Daisy, uma sociopata, em Garota Interrompida (1999), ao lado de Winona Ryder e Angelina Jolie. E, em Flashes de uma Psicose (2009), deu vida a Alice, uma escritora que se recupera de uma crise mental em uma sombria casa no campo.

Além de atuar, Brittany também flertou com a música gravando o single Faster Kill Pussycat, com o dj inglês Paul Oakenfold e o resultado ficou bem legal. A canção tornou-se um êxito nas boates estadunidenses, atingindo a primeira posição na parada Hot Dance Club Songs da revista Billboard. Também cantou na animação Happy Feet (2006), interpretando a canção Somebody to Love, do Queen, e Boogie Wonderland do Earth, Wind e Fire. Nesta animação ela dublou a voz da pinguim Glória. Também estrelou videoclipes das bandas Wheatus, Tears for Fears e Lucious Jackson. Ela também participou de projetos humanitários, gravando músicas de artistas consagrados como Avril Lavigne na coletânea Peace Songs.

Em 2010 foi lançado Busca Alucinante, o penúltimo filme de Brittany Murphy e nesse ano estava prevista a estreia de seu derradeiro filme Something Wicked (2013), ambos thrillers psicológicos cheios de suspense e com pitadas de loucura. Parece que antes de partir Brittany estava completamente envolvida em projetos cinematográficos de uma densidade psíquica que podem tê-la levado a mergulhar fundo demais em suas composições, mas enfim, são só conjecturas e uma vontade imensa de tentar entender e justificar uma perda tão prematura e sentida. Quem sabe se ela estivesse gravando aquelas deliciosas comédias românticas, um vulto de alegria, fé e esperança não estivesse pairando sobre seu coração? Quem sabe...

Sinto muitas saudades de Brittany Murphy e seus filmes, daquele olhar brilhante, matreiro e cheio de vida. E pra finalizar transcrevo as palavras da atriz e amiga Rose McGowan:
"Brittany era como champanhe - brilhante e borbulhante. Sempre que eu a via, eram sempre muitas risadas. Felizmente, seu sorriso estará sempre preservado nos filmes." 
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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4 comentários:

Serginho Tavares disse...

Interessante que em "As Patricinhas de Beverly Hills" ela tinha o personagem mais difícil. Poderia ter ficado mega caricato, mas ela deu humanidade de tal forma que se observarmos sua carreira ela foi do elenco de patricinhas a quem se deu melhor!
Uma grande perda!

Carlos Moura disse...

também sou apaixonado por Brittany. Vi pela primeira vez em "8 mile", contracenando com Eminem, depois assisti seus filmes sem exceção, não acreditando naquela notícia de 20 de dezembro. Lindíssima em "Sin City" e poética em "Sabor de uma paixão". Foi embora cedo demais...

Manoella disse...

Se tu tivesse te informado bem, saberia que ela morreu por causa de um fungo que estava nas paredes da casa dela...e o marido morreu pelo mesmo fator...

Esdras disse...

Olá Manoella, se vc pudesse me passar a fonte de onde tirou essa informação gostaria de lê-la, pois em todas as minhas pesquisas a causa-mortis deveu-se por causa de pneumonia, anemia por deficiência de ferro e intoxicação por várias drogas.

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