13 de out de 2013

Glee - 05x03 - The Quarterback





“The Show must go… All over the place… Or something”

Faz parte do ciclo. Nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e, uma hora, infelizmente, morremos. O estranho é quando esse ciclo é interrompido prematuramente. Porque não, não é normal que um jovem morra tão cedo e não viva plenamente a sua existência. Por isso, é sempre um choque quando alguém, em plena flor da juventude, morre e, de uma hora para outra, não faz mais parte do mundo como o conhecemos.

Cory Monteith morreu no dia 13 de julho de 2013 de uma maneira estúpida: overdose. É incrível como tantos jovens arruinam suas vidas promissoras devido ao uso de substâncias ilícitas e que cada dia mais ceifam vidas. Era conhecida a batalha do ator contra as drogas e bastante triste e sintomático que no final das contas ele não tenha conseguido sair dessa de maneira digna. E foi assim, através de notícias que correram o mundo contando que seu corpo havia sido encontrado num quarto de hotel em Vancouver, que lamentamos a morte do ator.



Um dos protagonistas de Glee, era esperado que a série encerrasse a participação do personagem. Uma viagem inesperada, um sumiço inexplicável (a série é expert nesse tipo de coisa) ou alguma artimanha para que o roteiro se adequasse à realidade: o ator não poderia mais interpretar o papel. Corajosamente, entretanto, os criadores da série, encabeçados por Ryan Murphy, decidiram matar Finn. É a ficção imitando a vida real.

Assim, The Quarterback, o terceiro episódio do quinto e último ano da série, foi um tributo. Depois de dois episódios temáticos sobre os Beatles, era a hora de tocar na ferida da realidade e de Glee dar o seu adeus a Finn Hudson. E, preciso confessar, desde que foi liberada a lista de músicas a serem apresentadas no programa e vi a promo do episódio, eu já sabia: seria difícil segurar a emoção.

Finn, apesar de seus defeitos, sempre foi um cara gente boa. Incoerente como todo ser humano, o personagem era o típico líder torto dos gleeks do New Directions e, mesmo não se dando conta disso, influenciou os amigos, muitas vezes sendo o equilíbrio de um grupo tão díspar. Mesmo formado, ele deu o seu jeito de continuar próximo ao McKinley e seria natural que ocupasse o lugar de Mr. Schuester como professor e treinador do coral. Infelizmente, não foi o que aconteceu.



Finn morreu. E o que assistimos em The Quarterback foi a como seu grupo de amigos e mentores lidavam com o luto três semanas depois que isso aconteceu. De maneira admirável, Glee não deu uma explicação e nem mesmo nos contou o que causou a morte do personagem. No fim das contas, isso não era relevante. Acontece o tempo todo, as pessoas morrem. E somos nós, os vivos, quem temos de lidar com esse triste fato do fim da vida.

Emocionante é uma boa palavra para descrever o episódio. Com uma seleção incrível de músicas e certamente servindo como uma catarse para o elenco, que perdeu um amigo, foi difícil conter as lágrimas em vários momentos da história. Afinal, como não sentir a dor daqueles personagens, principalmente ao saber que aquela também era a dor dos próprios atores?

Cada um tentava lidar com o que havia acontecido à sua própria maneira. E assim, cena a cena, íamos desmontando com o apresentado. A dor de Carol, a mãe de Finn, em seu desabafo com Burt e Kurt sobre a perda de um filho. Puck totalmente perdido e sem sabe como reagir com a triste realidade de que seu melhor amigo não mais existia. Santana e seu desespero ao se dar conta de que todos somos finitos e que aquele com quem ela adorava implicar morreu de forma tão abrupta (e a forma como a personagem interpretou If I Die Young foi tocante). Mr. Schuester e sua dificuldade de chorar e colocar para fora toda a dor presa em seu coração.

Além de Rachel, é claro. Vale lembrar que, na vida real, Lea Michele e Cory Monteith eram namorados (apesar dos infinitos boatos de que tudo não passava de fachada) e, por isso, imagino quão complexo deve ter sido para a atriz ter de reviver sua dor também diante das câmeras. Para mim, Make You Feel My Love já é uma das mais emocionantes apresentações da série e foi impossível segurar as lágrimas durante a cena.



Entretanto, com dor ou não, a vida segue seu curso. Por mais difícil que possa parecer, a gente quase sempre supera essa dor e segue em frente. Um dia após o outro, com o tempo dando o seu remédio para acalmar o nosso coração, ele, o tempo, sempre ele, faz direitinho o seu papel. O tributo foi feito, as lágrimas derramadas, mas sabemos que o show deve continuar. E a vida, esse grande show onde cada um de nós tem o seu papel, nunca termina.

Agora Glee entra num pequeno hiato, mas retorna para episódios inéditos no dia 07/11/2013, com o episódio A Katy or A Gaga, que trará uma disputa entre fãs de duas das maiores cantoras da atualidade. É como o próprio Finn deixou para a posteridade, meus caros: o show tem que continuar, sempre!

E você, curtiu o Pop de Botequim e quer colaborar com a gente? Se gosta de cultura pop, aprecia escrever e quer ser lido, não perca tempo e mande já um email pra gente! Vai ser um prazer ter você em nosso botequim! Entre em contato já e saiba como participar! Aguardamos seu contato através do nosso email: popdebotequim@gmail.com

Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
FacebookTwitter

1 comentários:

Serginho Tavares disse...

Diálogos perfeitos, emocionante do começo ao fim! Com certeza, havia muito mais dos atores do que de seus personagens já que a dor apresentada ali era real.
Um verdadeiro tributo.


Share