18 de nov de 2013

Impressões: 21º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade




Ontem,17/11, foi encerrado o 21º Festival Mix Brasil aqui em Sampa, e mesmo com atraso, pois iniciou-se no dia 07/11, consegui selecionar umas coisas muito legais pra assistir. Tenho certeza que minhas escolhas deixaram muita coisa boa de fora, mas não assisti absolutamente nada de que não gostado bastante.

Como o Mix Brasil terminou aqui, mas ainda acontece no Rio desde o dia 14/11 estendendo-se até 21/11, acho que vale a pena apresentar minhas impressões, que foram as melhores possíveis!

Já lia e ouvia muito sobre esse Festival da Diversidade desde que morava em Porto Alegre, mas pude prestigiá-lo pela primeira vez apenas em 2011, na sua 19º edição, com um único filme chamado Verão em Los Angeles. No ano seguinte não assisti nada da programação, mas sempre tive muita vontade de ver o Show do Gongo, concurso hilário de vídeos amadores apresentado pela não menos hilária Marisa Orth. Ainda não consegui fazer parte da animadíssima plateia de Marisa, mas ano que vem eles não perdem por esperar.

Mesmo sem o Show do Gongo, os três dias de programação que reservei para o Festival me renderam maravilhas, muita gargalhada e muito lágrima. Uma catarse emocional sem precedentes.

Comecei na quinta-feira (14) à noite com o longa finlandês Eu Vou Lhe Dizer Tudo, exibido no Cine Sesc da Augusta. O drama do diretor Simo Halinen narra a estória de Maarit, uma assistente social transgênero que trabalha como faxineira porque ninguém a emprega em sua área de formação. É numa de suas faxinas no consultório de uma terapeuta que ela é confundida por um paciente e resolve ouvir o desabafo do bonito homem que a atrai. Extremamente sincera, logo após a conversa Maarit desfaz o mal entendido e ambos acabam se envolvendo mais do que podiam imaginar. Maarit cativa com seu olhar profundo sempre melancólico e a honestidade com que expõe sua verdade, mostrando que quando se trata da realidade de uma pessoa transgênero há muito mais envolvido do que supõe nossa vã filosofia. Belíssimo filme que merece muito ser visto.

Eu Vou Lhe Dizer Tudo - divulgação

No feriado, sexta (15), fiz uma pequena maratona no CCSP (Centro Cultural São Paulo). Comecei no final da tarde assistindo 12 curtas-metragem. Seis da "Competitiva 1" que incluíram: 24 Horas com Carolina, um draminha meio hipster de 11 minutos do diretor Eduardo Wannmacher, nada demais, mas um visual bacana; Aja por Instinto, comédia divertidíssima de 15 minutos, com final fofo e inesperado, dirigido por Paulo de Tarso Disca; O Amor Que Não Ousa Dizer Seu Nome, de 15 minutos, onde uma cabeleireira e sua cliente travesti se apaixonam, com direção de Bárbara Ramos; O Melhor Amigo, drama previsível do diretor Allan Deberton, mas com ótima atuação de Jesuíta Barbosa, que compensa o péssimo Victor Sousa, seu parceiro de cena, 17 minutos; O Pacote, em que Leandro é aluno novo na escola de Jeferson, e os adolescentes ficam a fim um do outro, mas Jeferson é HIV positivo e surge a pergunta se Leandro vai segurar a barra de um relacionamento com Jeferson, drama de 18 minutos do diretor Rafael Aidar; e o profundo e intenso Os Sobreviventes, baseado em texto de Caio Fernando Abreu, o curta de Daniel Nolasco e Marcelo Coppo é daqueles de dar um nó na garganta e deixar pensando e remoendo cada diálogo, cada palavra e cada suspiro por horas e dias e semanas..., mesmo com seus 15 minutos de duração. 

Na "Competitiva 2" vi mais seis curtas: o curtíssimo Fragrância, de 9 minutos, da diretora Clarissa Rebouças; Laio, revoltante e real, baseado no episódio do ataque homofóbico, onde garotos foram atingidos por lâmpada fluorescente na Paulista, em 2010, trilha vibrante de Gal Costa, direção de Daniel Grinspum, 16 minutos; Linda, Uma História Horrível, uma linda história horrível, também baseada em conto de Caio Fernando Abreu, maternal, emocional e silenciosamente dilacerante, do diretor Bruno Gularte Barreto, 21 minutos; Maremoto, de Daniel Arantagy, conta em 8 minutos uma história amarga; Retrato Invisível, subjetivo demais, foi o que menos me agradou, até agora não entendi bem do que se trata, e olha que eu adoro uma subjetividade, trilha empolgante de Karina Buhr, direção de Denise Soares, 17 minutos; por fim Rótulo, o melhor dessa segunda parte, dirigido e protagonizado por Felipe Cabral, o super engraçado curta de 12 minutos discute de forma leve e escancarada a questão dos rótulos. 

Pra terminar a noite, um espetáculo cheio de beleza e poesia, em Um Porto Para Elizabeth Bishop, com Regina Braga divando ao nos apresentar um pedacinho da vida da poetisa americana, no período em que ela viveu no Brasil ao lado de Lota Macedo Soares. Com um tremendo domínio de cena, a pequena grande atriz de faiscantes olhos verdes, presenteou a plateia com um monólogo saboroso e nem um pouco entediante, arrancando gargalhadas do público em meio à um drama de 70 minutos.


Após uma pausa no sábado, retomei a programação no último dia do festival, domingo (17). Iniciei com o documentário Sobre Sete Ondas Verdes Espumantes, sobre a obra do meu muso Caio Fernando Abreu. Eu já era apaixonado por este meu conterrâneo antes desse longa de 74 minutos, depois dele a paixão virou amor incondicional, não há nada mais de Caio que eu não goste, mesmo que eu não goste. Chorei baldes, embacei os óculos, funguei, tossi. Caio é a Clarice de calças e ponto, sem mais delongas, senão farei um texto enorme só sobre este documentário e a intenção não é essa. 

Enfim, depois da choradeira, muitas risadas, altas, com o Drag Show apresentado pela impagável Silvety Montilla, só pra desopilar até a hora do derradeiro espetáculo da programação, a peça Garotos da Noite. Três atores lindos e sarados dão vida a Cabral, Bambolê e Estrela, michês da noite paulistana, que narram de forma dramática a difícil vida fácil dos garotos da noite e, quando eu achei que ia apenas me deleitar com a bela performance dos rapazes, lá vem mais chororô. O texto carregava uma mensagem de desesperança, sonhos desfeitos, ilusões perdidas e pra ter essas sensações não precisa ser michê, tem muita gente por aí com a conta bancária cheia, o coração vazio e a alma seca. Chorei mesmo e saí do 21º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade de alma lavada e renovada. E que venha o 22º!

Agora, corram cariocas pra se deliciarem com essa super programação aí na cidade maravilhosa. É até dia 21, anotem e não percam. Arte e cultura nunca é demais e faz bem pra vida. A programação do festival pode ser conferida clicando-se aqui!

Quanto às demais capitais, enquanto o Mix não chega por aí, tenho certeza que darão um jeito de conferir pelo menos uma boa parte dos diversos filmes e espetáculos proporcionados pelo Festival. Quem quer de verdade sempre arranja um jeito de correr atrás do que é bom!

Abraços e até a próxima!
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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