8 de nov de 2013

Pop Séries: The Walking Dead




Situações limite sempre renderam boas premissas para séries de televisão. Seja uma morte iminente, a convivência forçada numa ilha misteriosa ou um ataque de seres extraterrestres, acompanhar alguém ou um grupo de pessoas vivendo situações inusitadas e de tensão atraem a audiência e mexem com a nossa curiosidade. Foi pensando nisso e no sucesso que as histórias de zumbis sempre exerceram nas pessoas (vide o sucesso de livros e filmes sobre o tema) que a rede americana AMC iniciou a produção de The Walking Dead, série baseada nos quadrinhos de mesmo nome escritos por Robertk Kirkman, com arte de Tony Moore e Charlie Adlard. Criada por Frank Darabont, a série de televisão teria a tarefa de manter o sucesso dos quadrinhos e de atrair o interesse do público. Pelo visto, o objetivo foi alcançado. 

O cenário é apocalíptico: uma epidemia misteriosa transformou grande parte da humanidade em zumbis comedores de carne humana. Os poucos sobreviventes estão ilhados em sociedades organizadas que lutam pela própria sobrevivência. É então que conhecemos Rick Grimes (Andrew Lincoln), um policial que ao levar um tiro e entrar em coma, acordou num quarto de hospital com o mundo de pernas pro ar. Sem entender bem o que se passa, Rick sai à procura de sua esposa, Lori Grimes (Sarah Wayne Callies), e seu filho, Carl (Chandler Riggs). 

Com o surgimento dos zumbis, Lori e Carl acompanharam Shane Walsh (Jon Bernthal), policial parceiro e amigo de Rick, juntando-se a um grupo de sobreviventes que montaram acampamento numa região montanhosa. O que Rick não imagina é que Lori e Shane estão envolvidos por acharem que ele morreu pelas mãos dos zumbis e sua chegada aumentará ainda mais a tensão já existente.


Com apena seis episódios em sua temporada inicial, a trama envolve ao nos deixar familiarizados com aqueles personagens, apesar de sua improvável situação. Entretanto, seguindo a lógica da história em quadrinhos em que se baseia, a série não permite que nos afeiçoemos muito a nenhum personagem, já que todos podem morrer a qualquer instante, o que faz todo o sentido num mundo pós-surgimento de zumbis assassinos. 

Lidando com um tema fantasioso, a série consegue abrir várias discussões sobre moralidade em situações extremas. Afinal, se aplicariam as regras morais vigentes numa era de terror, onde não existem mais governos e todos lutam para manter a própria sobrevivência? Em casos extremos, quando os instintos humanos mais selvagens vem à tona, o que se torna certo ou errado? 

Apostando no desenvolvimento de seus personagens principais, The Walking Dead apresentou em seu primeiro ano episódios intensos e emocionantes, fazendo a audiência voltar a cada semana curiosa para saber o que aconteceria com aqueles personagens. Com uma temporada curta, o uso acertado de cliffhangers de tirar o fôlego funcionaram muito bem, já que fisgar o telespectador em seus minutos finais de cada episódio é garantia de que ele continuará acompanhando a trama e dando audiência ao programa.


Atualmente em seu quarto ano, entretanto, a série apresentou alguns altos e baixos nas temporadas que se seguiram à primeira. Entretanto, o quarto ano da série já começou com um episódio emblemático. Pela primeira vez na TV paga americana 16 milhões de espectadores estavam sintonizados em um episódio de uma atração que não era da TV aberta. Isso sem contar as aproximadamente 500 mil pessoas que baixaram o episódio informalmente ao redor do mundo. Apenas para comparação: 16 milhões de espectadores é uma audiência padrão de séries como CSI, da TV aberta americana e referência de excelente audiência.

O material em quadrinhos disponível para se basearem novas temporadas é abundante e com isso, The Waking Dead é uma séria que já nasceu com histórias suficientes disponíveis para contar enquanto a audiência quiser acompanhar o que for produzido. Por enquanto, com o sucesso da série e sua audiência ascendente, parece que teremos muito tempo de show para assistir e nos afeiçoar a personagens que podem morrer a qualquer instante. Porque, convenhamos, é essa grande parte da graça de se assistir a uma série sobre zumbis, não é mesmo?
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Leandro Faria  
Leandro Faria, do Rio de Janeiro, fruto da década de 80, viciado em cultura pop em geral. Como vício bom a gente alimenta e compartilha, estou aqui para falar de cinema, televisão, música, literatura e de tudo mais que possa (ou não) ser relevante. Por isso, puxe a cadeira, se acomode e toma mais um copo, porque papo bom a gente curte é desse jeito!
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1 comentários:

Meu Mexido de Hoje disse...

Ainda acho que falta muito para The Walking Dead alcançar Supernatural, esta que pra mim ainda é a melhor.

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