10 de dez de 2013

Bem-Vindo, Estranho, com Regina Duarte




Dentre as inúmeras opções teatrais em São Paulo neste fim de ano, está em cartaz Bem-Vindo, Estranho, uma peça envolvente, sarcástica e carregada de suspense, protagonizada por ninguém mais ninguém menos que a "eterna namoradinha do Brasil", Regina Duarte, que em cena prova que esse título, apesar de seu imenso e inquestionável carisma, já deixou de fazer sentindo há muito tempo.

Conferi  Bem-Vindo, Estranho no último final de semana e, após aguardar durante anos para ver Regina ao vivo em cima de um palco, deliciei-me com cada instante tenso e divertido da história. A peça, baseada na obra da dramaturga inglesa Angela Clerkin, é dirigida por Murilo Pasta e tem no elenco, além de Regina Duarte, Kiko Bertholini (também tradutor do texto) e Mariana Loureiro.

O que se vê no palco é praticamente um filme em tempo real, algo Hitchcockiano com pitadas de Agatha Christie, um suspense noir. Com produção esmerada, o cenário é belíssimo, rico em detalhes, iluminação perfeita, figurino caprichado e uma trilha sonora linda e sofisticada na voz de Patrícia Coelho, para nos fazer mergulhar no universo de Jaki, Joseph e Elaine.


Jaki (Regina Duarte) é uma mulher contemporânea, livre e amoral, que vive com a filha advogada, Elaine (Mariana Loureiro), em um pequeno apartamento num bairro qualquer de Londres. As duas vivem maravilhosamente bem, ou assim pensa Jaki, que manipula a filha segundo suas próprias vontades, subjugando-a o tempo todo. Elaine, por sua vez, sentindo-se fraca diante dos sempre tão convincentes argumentos da mãe, deixa-se levar em nome da harmonia no lar. Jaki é uma força da natureza, sempre em ebulição, enquanto Elaine tem uma personalidade mais dócil, frágil e conciliadora. A paz entre mãe e filha é ameaçada quando surge entre elas o misterioso Joseph (Kiko Berthilini), cliente de Elaine, acusado de assassinato, que ela consegue inocentar e por quem se apaixona, levando-o para viver com ela e a mãe em seu pequeno apartamento, tão logo ele sai da cadeia.

Joseph tem um comportamento suspeito. Será que ele é realmente um assassino? Jaki se insinua para Joseph. Será que eles terão um caso? Elaine fica o tempo todo dividida entre a mãe e o namorado, que vivem se estranhando, incapaz de tomar partido. Será que ela realmente é essa criatura tão doce quanto aparenta? A narrativa nos joga questionamentos o tempo todo, que só serão respondidos no apoteótico ato final.


E, apesar do excelente texto que envolve e prende a atenção do início ao fim, têm-se em cena uma atuação mediana de Mariana Loureiro, juntamente com um razoável Kiko Bertholini, deixando espaço de sobra para o brilho intenso de Regina Duarte que, de pequeníssima estatura, se agiganta em cena, interpretando um papel que dificilmente veremos na telinha. Jaki é uma mistura de viúva Porcina com Rainha da Sucata, e no palco ela se esbalda, rindo exageradamente, falando palavrões, arrancando gargalhadas da plateia com seu jeito todo especial de dizer suas falas mordazes e até tomando um banho sensual de banheira.

Mais não posso contar, senão posso estragar a grande surpresa que é  Bem-Vindo, Estranho

Em cartaz em São Paulo até dia 15 de dezembro no teatro Vivo, sexta (21:30h), sábado (21h) e domingo (18h), ingressos à R$ 50 e R$60. Corre lá, que ainda dá tempo!
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Leandro Faria  
Esdras Bailone: leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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